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21 de janeiro de 2016

A Sereia, de Kiera Cass e Editora Seguinte (Grupo Companhia das Letras) RESENHA + SORTEIO

A Sereia (The Siren)
Kiera Cass - Seguinte / Grupo Companhia das Letras
Tradução: Cristian Clemente
328 páginas - 2016 - R$29,90
Lançamento: 26 de janeiro de 2016.
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Sinopse:
"Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, vai precisar usar sua voz para atrair pessoas até o mar e afogá-las.
Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo com que Kahlen sempre sonhou.
Apesar de não poderem conversar - pois a voz da sereia é fatal -, logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir a sereia será obrigada a abandoná-lo para sempre.
Mas pela primeira vez, em muitos anos de obediência, Kahlen está determinada a seguir seu coração."

Resenha:
Kiera Cass ficou famosa nos últimos 4 anos após a série A Seleção (A Seleção, A Elite, A Escolha, A Herdeira e contos). Mas em 2009 publicara de modo independente The Siren. Com o sucesso enorme de seus livros sobre America e companhia, sua editora original (HarperTeen) sugeriu que The Siren fosse reescrito, reeditado e relançado. Dessa vez com todo o capricho, distribuição e divulgação merecidos. No Brasil, assim como ocorreu com A Seleção, a Editora Seguinte (do Grupo Companhia das Letras) é a responsável pelo lançamento da obra traduzida para A Sereia. O público brasileiro recebe assim a segunda versão da história, com o excelente trabalho editorial da Seguinte.
Recebi uma prova antecipada para divulgação e resenha do livro, portanto não posso avaliar o resultado final da revisão, diagramação e material gráfico, mas a capa é magnífica! A foto foi clicada aqui no Brasil! Na Bahia, na Praia do Espelho, o que deixa a imagem ainda mais especial.
Outro detalhe lindo é que o livro traz uma carta exclusiva da Kiera para os brasileiros. Em breve poderei conferir o exemplar de livraria, pois o lançamento é previsto para 26 de janeiro de 2016 (simultâneo aos EUA).
Observação importante: A Sereia é volume único; não pertence a nenhuma série. Não tem ligação com A Seleção. Ou seja: perfeito para quem não quer se apegar a uma série e / ou deseja conhecer o trabalho da Kiera sem a preocupação de ler vários livros.
Esqueça as mulheres metade peixe (sereia típica) ou metade pássaro (harpia)! Na mitologia grega Siren é um ser mitológico diferente de mermaid (sereia). Ela sempre possui corpo totalmente humano. Aqui no livro, talvez por motivos de tradução e porque os mitos se misturam, sirens são sereias, as mais populares.


O livro é narrado em primeira pessoa pela protagonista Kahlen, uma sereia que integra a Irmandade que obedece à entidade Água. As sereias têm três vidas: na primeira ela é humana até morrer por afogamento; na segunda ela se torna sereia após ser salva / ressuscitada pela Água. Dada como morta, ganha habilidades especiais e passa a pertencer à Água, seguindo suas regras por um século; na terceira vida ela volta a ser humana liberada pela Água, mas privando-se de todas as lembranças de sua vidas de sereia, voltando a ser uma mortal comum. Interessante que acompanhamos cada um desses momentos no decorrer da história, incluindo recrutamento e libertação - mas temos castigos e mortes também!
É uma existência solitária e melancólica, por mais que as sereias se divirtam e tenham superpoderes: Não morrem, não adoecem, não possuem as mesmas necessidades vitais básicas humanas e não se machucam, exceto pelas mãos da própria Água. Por isso, a Água as mantém sempre em grupos de três ou cinco, para terem umas às outras. Podem se relacionar com humanos, mas somente superficialmente, sem colocar os segredos em risco e sem falar, pois suas vozes são mortais às pessoas. Praticamente sem contato humano, Kahlen é muito apegada às irmãs sereias: Aisling, Miaka, Elizabeth e Padma, moças de variadas idades, localidades, épocas, personalidades e etnias.


Durante os oitenta anos em que Kahlen obedece à Água, ela já pensou em ser várias coisas: médica, astronauta, dançarina, confeiteira. Ela e as outras sereias experimentaram, estudaram, praticaram e vivenciaram muitas coisas, cada uma ao seu estilo e personalidade. Tem sereia que prefere artes plásticas, boates, esportes radicais, viagens...
Aisling, a mais velha, optou pelo isolamento. Kahlen, a segunda mais velha (dezenove anos quando se tornou sereia), uma moça do início do século XX que, embora tenha se adaptado às mudanças das últimas oito décadas (como originalmente o livro foi publicado em 2009, creio que seja o ano em que ocorre a trama), ainda preserva um jeito mais retraído, caseiro e ingênuo - características comuns às moças da época.
As sereias podem fazer tudo o que quiserem! Até mesmo arriscarem seus corpos, porque são sobre-humanas. Há proibições e uma é se apegar afetivamente aos humanos, principalmente se apaixonar, amar, desejar filhos. Isso somente será possível após a libertação da sereia pela Água, após completar os cem anos de servidão e obediência.
Kahlen, relembrando que quando foi transformada de humana a sereia vivia no início do século passado aos dezenove anos, nunca experimentara o amor. Sempre fora fiel às regras da Água, esperando para completar seu século e ser liberada para novamente para a vida humana.
Seu sonho sutil e secreto é se casar, amar. Ela poderia ser um monte de coisas, mas seu sonho é se casar. E por que não, já que é a única experiência que ela não pode ter e nunca teve em seus 99 anos de vida? E ela é diferente das amigas sereias no comportamento em relação aos rapazes. Ela não gosta de sair para dançar e ficar com desconhecidos e nunca mais vê-los.
Portanto, algumas pessoas podem achar isso machismo. Reflita: O que é Feminismo mostra? Que toda mulher / menina tem o direito de fazer o que deseja, sem ser julgada, taxada, avaliada. Kahlen sonha em amar e não abandona isso, mesmo que demore décadas para ser liberada pela Água. Isso é Feminismo! Machismo é achar que mulher não pode sonhar com x ou y só porque são coisas "tipicamente femininas".


Kahlen quebra as regras! Sim, A Sereia é livro feminista, depende do olhar que você tem sobre ele. Ela enfrenta sua situação não apenas por se apaixonar por um humano, mas por sempre guardar na memória todas as mortes que carrega em sua vida de sereia. Elas matam, mesmo que obrigadas pela Água. Condenadas a obedecer a entidade, cantam e naufragam navios e barcos, fazem pessoas se suicidarem afogadas. Ao som de sua voz, especialmente do poderoso canto, as sereias matam sem opção. Kahlen, obcecada por tentar preservar algum registro de suas vítimas em cadernetas para não se esquecer de cada vida perdida, sofre cada vez mais, mesmo sendo acalentada pela Água e amada pelas irmãs. Kahlen, mesmo sendo a mais fiel e obediente, está cansada. Está se rebelando sem perceber e sem desejar isso conscientemente! Até criar ousadia e coragem, enfrentar os riscos e assumir que quer mudar de vida.
Ao conhecer o humilde, carismático e compreensivo Akinli, ela se apaixona e, além disso, relembra como é viver em sociedade humana normal, ser uma jovem comum. Mesmo sem lembranças fortes, revive a saudade de ter uma família. Akinli faz brotar e renascer em Kahlen desejos, vontades e sonhos abandonados, perdidos, arquivados. Um simples rapaz e um breve momento fazem Kahlen sonhar ao retorno com a vida humana, mortal e cheia de possibilidades! Mas qualquer deslize pode ser fatal.


Gostei muito do livro, mesmo ciente de que poderá ser considerado mediano pela maioria. A escrita da Kiera pode não ser formidável, mas encanta e possui um enigmático vício, fazendo de personagens simples memoráveis. Há trechos bonitos, a trama é simples e soa como um conto de fadas moderno. Assim como em A Seleção, nota-se a paixão de Kiera por vestidos e bolos. Será como um divertido e romântico filme Disney para os(as) leitores(as) mais jovens. No entanto, os mais velhos captarão um tom sinistro, fúnebre, gótico, sombrio. De leve, mas encontrarão.
É um Young Adult do gênero Fantasia, uma novela sobrenatural. A mitologia não é profunda, porém criativa e satisfatória para um YA. Destaca o amor, a união e a amizadeAborda questões sobre os limites entre deveres e direitos e a liberdade que todo indivíduo deve ter (ou lutar por isso) - é notável em Kahlen. Seguir seu sonho e liberdade ou esperar décadas e décadas em plena obediência para (talvez!) um dia ser livre?
A trama também mostra as linhas tênues entre amor e obsessão, respeito e controle - esse é o dilema que envolve a Água, entidade sobrenatural. Se impor por respeito ou por medo?
O enredo apresenta ainda diversidade social, inovação de experiências, abuso de poder, rompimento de barreiras e quebra de normas sociais. Aborda de modo sobrenatural (mas filosófico) o equilíbrio da vida e da morte. É um livro também sobre o luto e a culpa sobre matar ser desejar. Simples, mas nada superficial!

PS.: É um volume único e completo, todavia confesso que gostaria de microcontos mostrando as "primeiras vidas" de Kahlen, Aisling, Miaka, Elizabeth e Padma, antes de se tornarem sereias.

A autora:
Conhecida por sua série A Seleção, nasceu em 1981, na Carolina do Sul, Estados Unidos. Formou-se em história na Universidade de Radford, na Virginia, e publicou seu primeiro livro, A Sereia, em 2009, em uma edição independente. Este chegou ao Brasil em nova versão em 2016.
Beijou aproximadamente catorze garotos em sua vida, mas nenhum deles era um príncipe.
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SORTEIO:
De 22/01 a 06/02/2016.



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