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Infinito + um, de Amy Harmon e Verus Editora (Grupo Editorial Record)

Infinito + um (Infinity + one)
Amy Harmon - Verus Editora / Grupo Editorial Record
Tradução: Monique D’Orazio
336 páginas - 2015 - R$35,00
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Sinopse:
"Quando duas pessoas se tornam aliadas improváveis e foras da lei quase sem querer, como podem vencer todos os desafios?
Bonnie Rae Shelby é uma estrela da música. Ela é rica, linda e incrivelmente famosa. E quer morrer. Finn Clyde é um zé-ninguém. Ele é sensível, brilhante e absurdamente cínico. E tudo o que ele quer é uma chance na vida.
Estranhas circunstâncias juntam o garoto que quer esquecer o passado e a garota que não consegue enfrentar o futuro. Tendo o mundo contra eles, esses dois jovens, tão diferentes um do outro, embarcam numa viagem alucinante que não só vai mudar a vida de ambos, como pode até lhes custar a vida.
Infinito + um é uma história sobre fama e fortuna, sobre privilégios e injustiças, sobre encontrar um amigo por trás da máscara de um estranho — e sobre descobrir o amor nos lugares mais inusitados."

Resenha:

Amy Harmon se tornou sucesso no Brasil após o lançamento de Beleza Perdida (Making Faces, 2014) pela Verus Editora, do Grupo Editorial Record, em junho de 2015. Antes do ano terminar, para satisfação dos fãs da autora, a Verus publicou Infinito + um (Infinity + one), meu primeiro contato com o trabalho da Amy Harmon.
A edição brasileira possui uma capa linda, com a mesma fonte de Beleza Perdida; o exemplar possui orelhas, páginas amareladas, diagramação simples e trabalhos de revisão e diagramação excelentes.
É inspirado na história real de Bonnie e Clyde, porém como um "conto de fadas" do gênero New Adult.
Ansiava por um NA empolgante e decidi dar chance a autora. O problema é que carece de desenvolvimento. O livro é bom e a leitura é rápida e graciosa, especialmente devido ao estilo da autora, mas terminei frustrada. Os protagonistas viajam pelo interior dos Estados Unidos, porém me senti como se não tivesse saído do lugar.
Infinito + um possui três narrativas: Em terceira pessoa, como complemento, acompanhamos notícias da mídia; já a narrativa principal é em primeira pessoa pela voz de Bonnie; e por último, em terceira pessoa, mas sob o ponto de vista de Finn. Não tive dificuldade em acompanhar as mudanças, no entanto, não apreciei a mistura. Quando há um narrador de fora, tudo bem, mas quando a intenção é mostrar dois pontos de vista internos, prefiro ambos na primeira pessoa. Mas o resultado é positivo, pois a autora expõe facilmente os sentimentos e ideias dos protagonistas.


Os Bonnie e Clyde reais foram declarados "inimigos públicos" dos Estados Unidos durante a Grande Recessão, início da década de 1930. Os jovens Bonnie Parker e Clyde Barrow integravam uma gangue de assaltantes e assassinos que agia no interior dos Estados Unidos. As façanhas do casal criminoso se tornaram populares e receberam grande atenção da mídia, a principal responsável pela romantização do caso. O casal foi morto a tiros em uma emboscada realizada pela polícia em 1934 e se tornou parte da cultura pop após o filme de 1967 Bonnie & Clyde (com Faye Dunaway e Warren Beatty). Por que é preciso saber disso? A autora associa Infinito + um com Bonnie e Clyde ao longo de toda a trama. O casal protagonista também se torna perigosamente procurado!
Bonita "Bonnie" Rae Shelby é uma estrela da música pop country e, aos vinte e um anos, está no auge do sucesso. Após o lançamento de seu quinto álbum e o encerramento de mais uma turnê com público eufórico, a moça enfrenta problemas. Bonnie sofreu uma perda pessoal imensurável e ficou deprimida; se sente frustrada e sufocada pela fama. Ela ama cantar e compor e é assim que se sente livre e realizada, embora agora necessite de um novo sentido na vida.
Infinity "Finn" Clyde é um rapaz de vinte e quatro anos e também possui um talento, mas ligado à matemática: Finn é capaz de encontrar padrões em tudo que observa e de resolver cálculos e equações mentalmente até relaxar e adormecer; tem como passatempo o hábito de decifrar paradoxos complexos. É brilhante, mas enfrentou um obstáculo que atrasou sua vida e deixou uma mancha em seu passado. Ele também sofre muito e, assim como Bonnie, também busca por um sentido na vida.


Bonnie sofre em silêncio em frente às câmeras, para poder mostrar a todos seu talento e se sentir livre. Ela sente que Deus a agraciou com a música; Finn sofre nas sombras e nunca teve uma chance de mostrar suas habilidades. Ele nunca pode explorar e desenvolver seu dom com os números. Sob um primeiro olhar, Bonnie e Finn não se assemelham. Porém, uma análise mais atenta mostra que ambos são solitários, traumatizados, talentosos e buscam uma nova vida. Eles anseiam por liberdade, simplesmente para poder ser quem são!
O destino os uniu em uma situação assustadora: Finn encontra Bonnie prestes a pular de uma ponte em meio à neblina. A princípio, pensa se tratar de um garoto, um corpo pequeno escondido em meio a um moletom e cabelos curtos presos dentro de uma touca. Quando o menino entra na caminhonete de Finn, este percebe que as coisas não são bem o que ele vê; mas jamais imaginaria que uma superstar estaria em seu veículo. Afinal, ele entende de probabilidades o suficiente para perceber que se meteu em uma confusão rara.
Finn aceita dar carona para Bonnie e imediatamente eles sentem atração, mas não é só isso. Aos poucos, descobrem que possuem muito em comum, especialmente a dor. Bonnie acredita que Deus não faz pessoas se cruzarem ao acaso. Por um motivo especial, Finn e Bonnie se encontram, se chocam, se amam. Resta saber se terão o mesmo rumo catastrófico que Bonnie e Clyde.
Em poucos dias, a dupla percorre vários estados americanos, de um extremo ao outro. Se fossem jovens comuns, seria uma viagem divertida. Mas com a polícia e a mídia atrás de Bonnie e Finn, o trajeto se torna perigoso. Mesmo assim, uma aventura inesquecível que mudará as vidas (e os corações) dos dois para sempre.

Adorei a premissa, mas o potencial não foi utilizado totalmente. A autora criou um ponto de partida interessante e apresentou dois protagonistas complexos, mas deixou a trama muito lenta, acelerou no final e jogou vários acontecimentos de uma só vez.
Bonnie e Finn viajam por dias, mas os acontecimentos são muito parecidos. Para uma aventura, a viagem se torna cansativa e a rotina deles é repetitiva. Eles se apaixonam em um piscar de olhos, sem química, sem explicação. Gostei do casal, a relação entre eles é boa; não gostei do modo inexplicável e rápido como se apaixonaram.
Os diálogos são espertos e carregados de sentimento, confissão e reflexão. Com certeza é o ponto forte do livro: a interação entre eles. É intensa, o suficiente para ofuscar o pano de fundo da trama (a fuga) e todas as fraquezas do desenvolvimento do enredo.
Portanto, a fuga deles não apresenta motivo convincente. Bonnie querer fugir e se esconder de todos é compreensível. Nitidamente ela sofre de transtornos psicológicos e pensei que a autora exploraria o ponto com delicadeza. No entanto, ela não oficializa a questão. Todas as loucuras de Bonnie têm sentido após compreendermos a personagem: emotiva, sentimental, impulsiva. Já Finn, um rapaz inteligente, lógico e racional e experiente com enrascadas, jamais aceitaria ser um foragido gratuitamente. Ele não tem motivos para se sujeitar aos caprichos de Bonnie (mesmo se apaixonando à primeira vista) e fazer tudo o que ela pede, especialmente quando não tem sentido. É solícita e deseja ajudar desconhecidos pelo caminho, por isso não compreendi o fato dela não se preocupar com Finn sendo perseguido por culpa dela.


De um modo geral, gostei dos protagonistas e seus talentos - ela para a música, ele para a matemática. A prova está nas explicações matemáticas de Finn e nas composições musicais de Bonnie. Raramente imagino personagens utilizando pessoas reais como base, mas a autora me fez visualizar Bonnie como Miley Cyrus (usava peruca loira até tingir os fios e, em seguida, fazer um corte pixie e voltar ao tom castanho) e Finn como Liam Hemsworth (mas loiro como Chris Hemsworth como Thor). Não consegui pensar de outra forma.
Por ter encontrado tantos elogios a autora, comecei a leitura com expectativas altas, mas não me impressionei como acho que deveria. É um bom livro, de premissa ótima, porém fraco em desenvolvimento e desfecho acelerado. Não me conectei emocionalmente a obra, mesmo nas cenas mais intensas. Sinto agora necessidade de conferir Beleza Perdida e verificar se vou gostar mais que de Infinito + um. A escrita da autora é bela e as personagens são amáveis, portanto quero dar outra chance a Amy Harmon.
É uma história sobre coincidências e destino (e um tanto de religiosidade) e sobre a necessidade de liberdade e a busca por autoconhecimento e satisfação.

A autora:
Amy Harmon é autora best-seller do New York Times. Seus romances New Adult são poderosos e arrebatam o coração, com sua abordagem de questões muito concretas.
É autora de sete livros campeões de vendas, três dos quais serão lançados no Brasil pela Verus: A Different Blue e Running Barefoot, além dos dois já publicados Beleza Perdida e Infinito + um.
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