Colin Fischer, de Ashley Edward Miller, Zack Stentz e Novo Conceito

Colin Fischer
Ashley Edward Miller e Zack Stentz - Novo Conceito
Tradução: Henrique Monteiro
176 páginas - Ano: 2014 - R$29,90

Sinopse:
"Resolvendo o crime. Uma expressão facial por vez.
O ano letivo de Colin Fischer acabou de começar. Ele tem cartões de memorização com expressões faciais legendadas, um desconcertante conhecimento sobre genética e cinema
clássico e um caderno surrado e cheio de orelhas, que usa para registrar suas experiências com a muito interessante população local.
Quando um revólver dispara na cantina, interrompendo a festinha de aniversário de uma das garotas, Colin é o único que pode investigar o caso. Está em suas mãos provar que não foi Wayne Connelly, justamente aquele que mais o atormenta, que trouxe a arma para a escola. 
Afinal de contas, a arma estava suja de glacê, e Wayne não estava com os dedos sujos de glacê…"

Links: Novo Conceito | Skoob | degustação | comprar

Resenha:
O título é o nome do protagonista impossível de não ser querido pelo leitor. A capa é sagaz ao representar o adolescente, deixando de fora sua face, preenchida com esboços de expressões humanas, que se espalham para o fundo azul. Ao iniciar a leitura logo se descobre o motivo dos detalhes. É uma capa divertida.
O livro é bem curto e mesmo assim é organizado: É dividido em três partes (Um bolo de aniversário e uma arma; O idiota e o anormal; e A equipe olímpica de cama elástica.) com quinze capítulos e um epílogo.
Leitura rápida, simples e agradável. Mesmo possuindo uma escrita básica, é um livro muito inteligente. Bastante informação por detrás de um passatempo divertido.
Gostei muito da estrutura. A primeira parte funciona como uma introdução natural e apresentação dos conflitos e personagens. A segunda e a terceira desenvolvem e finalizam a história.
A diagramação é como o livro, simples, mas bonita. Possui carinhas diferentes em cada capítulo.
A narrativa é em terceira pessoa, porém exclusivamente centrada no ponto de vista do protagonista Colin Fischer. O que já faz do livro, mesmo com uma história simplória, muito interessante. Os destaques de palavras em capslock (maiúsculas) quando Colin detecta uma expressão ou sentimento de alguém é inquestionavelmente formidável.
Destaco também que antes de cada capítulo começar existe um texto escrito (ou narrado) por Colin (de seu caderno, talvez?). Ele apresenta curiosidades, histórias e informações, sejam pessoais ou sobre qualquer outra coisa que o interesse. Essa breve introdução sempre espalhada pelo livro deixa o leitor mais íntimo ainda do jeito do rapaz e serve para interligar a algo que acontecerá, seja direta ou indiretamente. Manobra engenhosa.

Colin Fischer possui síndrome de Asperger, uma subcategoria do Autismo. Como ele mesmo cita: "É uma condição neurológica relacionada ao autismo descoberta pelo pediatra austríaco Hans Asperger, em  Viena, em 1943,..."
De forma breve: Colin foi diagnosticado como altamente funcional, possui um Q.I. (Quociente de Inteligência) elevado e desenvolve ampla e facilmente as áreas acadêmicas, porém possui dificuldade nas relações sociais e sensoriais ao seu redor. Ele tem excelentes habilidades lógicas e racionais e grandes problemas com interpretação / demonstração dos sentimentos.
Embora seja essencial ao leitor estar ciente das condições de Colin, o foco do livro não é exatamente sua vida em relação à síndrome de Asperger, e sim uma aventura de um menino de 14 anos de idade. Esta se inicia no colegial e o menino encara o nervosismo da mudança. Ele se envolve, então, na busca pela solução de um crime ocorrido perante seus olhos na própria escola.

É importante a apresentação e o desenvolvimento que os autores dão à sua condição especial, e obviamente isso se integra o enredo e faz parte de Colin. Sua personalidade está diretamente influenciada pela síndrome, mas vale salientar que a ideia central dos autores é demonstrar em como Colin é, antes de tudo, um adolescente normal. Mesmo que ele não aja nem se expresse como é esperado pela sociedade, como a maioria dos jovens de sua idade, no fundo ele tem os mesmos sentimentos e reações da idade. A diferença está na forma como ele visualiza, interpreta e interage com o mundo. Os autores quebram o mito de que quem possui essa condição vive em um "mundinho próprio e isolado" e sempre são "idiotas e retardados". Eles provam que a dificuldade de socialização existe, o comportamento nem sempre é o esperado, porém as barreiras podem ser superadas e o indivíduo compreendido e adaptado.
Algumas coisas não podem ser esquecidas: Ele não gosta (e evita) ser tocado, mantem a rotina e objetos sempre controlados e organizados (excessivamente); racionaliza sempre de forma lógica (nunca pela emoção); evita contato visual direto (embora se esforce olhar para as pessoas e as analise); tem dificuldades em interpretar expressões faciais (algumas ele já decorou, outras inéditas ou complicadas o obriga a analisar suas anotações sobre); e odeia a cor azul (curiosamente é a cor escolhida como símbolo de luta contra o preconceito ao autismo e suas variações.).
Ele possui há anos um caderno de anotações inseparável. É seu guia (e segurança psicológica), organizador dos pensamentos e de observações sobre a sociedade e o comportamento humano, muitas vezes comparado aos dos animais e quase sempre analisado com embasamento científico.
Colin não deixa nada passar despercebido, mesmo que não compreenda todas as reações humanas. Ele as investiga. O que ele mais escreve no caderno é o lembrete "Investigar.". E assim ele o faz e começa a aventura após o incidente do bolo de aniversário e a arma na escola.

Os pais de Colin são admiráveis, cada um com o seu estilo. Mesmo tendo empregos diferentes do comum, eles são como quaisquer outros pais: Preocupados e zelosos. Eles dão o tratamento e suporte necessários à Colin, estimulando-o desde sempre; repreendendo-o quando (e conforme o) necessário.
Colin sempre relembra de fatos da infância e de sua psicóloga Marie, que o guiou na integração social e ajudou Colin a se comportar e a tentar compreender o comportamento alheio (daí os esboços e anotações sobre expressões faciais e sorrisos, além da linguagem corporal). Ela também guiou os pais em como lidar com as surpresas que o comportamento do próprio Colin possa, de repente... Explodir.
Por exemplo, o episódio dos latidos. Nem todos perceberam que é uma reação comportamental oriunda de outro episódio que Colin narra, sobre a boneca falante. Já todas as demais situações são bem explicadas e explícitas para a compreensão do leitor.
Danny, o irmão de onze anos de Colin é jovem, claro, imaturo. O relacionamento de ambos é explorado de forma superficial, porém satisfatória para um livro tão breve. Embora às vezes pareça que Danny não tem paciência com o irmão, um olhar atento mostra que indiretamente isso ajuda Colin. Porque Danny cobra constantemente dos pais uma igualdade no tratamento de ambos. Isso no fim ajuda Colin a evoluir, porque os garotos da escola o tratam de forma rude e dura por ser diferente; ou o ignoram por acha-lo em parte, incapaz. Sabem que ele é inteligente, porém não o respeitam. Danny é apenas um irmão, mesmo mais novo, treinando Colin inconscientemente para se blindar contra os adolescentes cruéis.
Temos Rudy, Stan, Eddie, Wayne, Sandy e Melissa. Todos possuem participação na trama e interagem com Colin, na forma de mostrar ao leitor diversas situações breves. Melissa é um caso à parte. Ela tenta proteger Colin. Assim como os pais do menino, ela vai percebendo que talvez ele não necessite de tanta proteção.
A diretora do colégio é o meio-termo. Não sabe exatamente como agir, embora seja competente. Em certos momentos ela trata Colin apenas como um menino qualquer, estando ciente de que assim ela o está ajudando na igualdade (tanto de direitos como de deveres.); ás vezes ela o trata com maior atenção e tolerância, temendo ser severa com um menino portador de uma condição especial; e em outras cenas, estas muito legais, ela se fascina em observar como ele é inteligente e ágil no pensamento.
O professor de educação física, assim como Danny, o trata como um menino de 14 anos. A diferença é que ele é adulto e completamente ciente dos atos. Ao cobrar de Colin o mesmo que cobra dos outros alunos e ao interagir com ele da mesma forma (mesmo sabendo do caso) o professor diretamente estimula Colin, mesmo através de punições e cobranças.

Concluindo: O livro é curto e direto, mas apresenta bem a visão de um menino com síndrome de Aspenger sem o vitimizar, mesmo quando mostra suas dificuldades. Possui uma aventura adolescente divertida, personagens carismáticos e que integram bem a história.
E o mais importante: Mostra que Colin é um adolescente como todos e ao mesmo tempo especial. Único, como todos os seres humanos. Não importa a síndrome! Passa a imagem das qualidades, deixando-as evidentes em todas as páginas. As qualidades se destacam por cima dos defeitos. Fortalece a imagem do portador de síndrome de Aspenger, focando que mesmo com dificuldades, eles possuem habilidades admiráveis. Parabéns aos autores pela história divertida, dinâmica e pelo destaque no lado admirável e fantástico de Colin e não em suas limitações.
Gostaria de futuramente ler mais de Colin Fischer, o livro termina com um gancho no ar para uma continuação, mas creio que seja apenas a exposição da ideia de que a vida continua para Colin, e não é por possuir a síndrome de Aspenger que ele deve se fechar e se intimidar. Ele é um detetive heroico!

Os autores:
Ashley Edward Miller e Zack Stentz se conheceram na internet, em consequência de uma paixão em comum por qualquer coisa que tenha a ver com Jornada nas Estrelas.
Juntos, eles escreveram e/ou produziram mais de cem horas de televisão, trabalhando nas séries Fringe e Terminator: The Sarah Connor Chronicles.
Mais recentemente, eles colaboraram no roteiro dos filmes X-Men: Primeira Classe e Thor. Ambos moram em Los Angeles.
Twitter de Ashley E. Miller | Twitter de Zack Stentz


Nenhum comentário

Antes da publicação, os comentários passam por moderação.
Comentários considerados spams, agressivos ou preconceituosos, não serão publicados, assim como pedidos de ebooks ilegais.
Sua opinião é muito importante! Através dos comentários é que posso tentar fazer um blog mais interessante.
Se você tem um blog, retribuirei seu comentário assim que possível.
Obrigada por participar.

Editoras parceiras