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16 de abril de 2015

A Vidente, de Barbara Wood e Editora Record

A Vidente (The Divining)
Barbara Woods - Editora Record / Grupo Editorial Record
Tradução: Mariluce Pessoa
364 páginas - 2015 - R$40,00 - comprar

Sinopse:
"Um dom misterioso leva uma jovem aos confins do mundo.
Roma Antiga: ano 54 da Era Cristã. A jovem Ulrika, de 19 anos, é assombrada por estranhos sonhos e visões. A fim de descobrir a verdade sobre seu passado e sobre seus estranhos poderes, Ulrika embarca numa perigosa viagem até a terra natal de seu pai, a Germânia. É lá que descobre sua vocação – o dom raro da clarividência. 
Perseguindo seu destino, ela viaja para muito longe, da antiga Germânia até lugares exóticos como Síria, Babilônia e Pérsia. Pelo caminho, conhece sábios guias espirituais – homens, mulheres e espíritos – que lhe ensinam a habilidade de curar e proteger os outros. A viagem de Ulrika também a leva a conhecer o belo comerciante Sebastianus Gallus, que parte em uma jornada pessoal ao Extremo Oriente a fim de coletar riquezas para o poderoso imperador Nero. Ulrika precisará lutar para ficar com o homem que ama, cumprir seu destino e inaugurar uma nova era em Roma sob o reinado ameaçador de Nero."

Resenha:
Após trazer ao Brasil A Profetisa (1999 - The Prophetess, 1996), Solo Sagrado (2002 - Sacred Ground, 2001), A Pedra da Benção (2006 - The Blessing Stone, 2000) e Esta Terra Dourada (2013 - This Golden Land, 2010), a Editora Record publicou em fevereiro de 2015 A Vidente (The Divining, 2012). Todos estes livros são romances históricos da inglesa Barbara Wood.
Ao pesquisar sobre A Vidente, desconfiando pertencer a uma série (devido aos títulos dos romances anteriores), descobri realmente se tratar de um livro independente. Porém possui uma ligeira ligação à Soul Flame (inédito no Brasil, publicado em inglês em 1987) porque a protagonista é Selene, nome da mãe da protagonista de A Vidente.
Aprecio ficção histórica, seja ela fiel ou não aos fatos verdadeiros; que misturem ou não personagens históricas às ficcionais; desde que a ambientação e narrativa me convençam de estar naquela época, naquele local.
Geralmente encontro dois tipos de ficção histórica: os romances históricos e os romances de época. Embora os nomes sejam iguais, estou habituada a chamar de romance histórico os que são centrados em grandes batalhas, fatos históricos ou jornadas épicas; já os romances de época, sob meu ponto de vista, são românticos e até mesmo picantes, mais voltados aos hábitos sociais do que aos fatos.
A Vidente pode ser caracterizado como um ponto de equilíbrio, visto que não possui batalhas e descrições bélicas e políticas como nos históricos, mas, ainda assim, tendo como foco fatos históricos e culturais. E traz um pouco do toque romântico, porém não é predominante. O livro tem o lado místico sempre presente, mesclando história, realidade, ficção e magia. Há a pitada de sobrenatural.
A capa é linda e representa a mistura do enredo. Logo no primeiro capítulo, Barbara Woods introduz fantasia histórica, apresentando a época e o sobrenatural.

O livro possui descrições ricas e agradáveis, que me fizeram viajar e acreditar estar vivenciando, sentindo e conhecendo as situações, culturas, pessoas e locais da época: O ano 54 da Era Cristã.
Um historiador certamente observará cada detalhe de datas, acontecimentos e locais; apontará fidelidade ou não aos fatos históricos, assim como reconhecerá as lacunas preenchidas pela imaginação da autora. Porque, acima de tudo, A Vidente é um livro ficcional excelente, riquíssimo e estou certa que especialistas apreciam a leitura, mesmo que encontrando diferenças.
Senti falta de um glossário e mapa básicos. Durante quase toda a leitura pesquisei sobre alguns nomes, para descobrir se determinada personagem existiu realmente, pertencia a alguma lenda, ou era de criação da autora. Encontrei uma combinação muito interessante! Personagens ficcionais, históricos, bíblicos, mitológicos... História e magia, um cruzamento incrível que já faz valer a leitura! Além disso, por ser um passado remoto, alguns locais não existem mais (ao menos como ali retratados), ou possuem outros nomes ou novas fronteiras.
O livro é uma verdadeira viagem, pois se passa principalmente nos seguintes locais: Roma, Germânia, Itália, Síria, Babilônia, Pérsia, China. Demarcações do início da Era Cristã, portanto consultei mapas diversas vezes. Sou do tipo que gosta de imaginar o máximo possível sobre os cenários. Estes, deslumbrantes, não apenas as peculiaridades de cada localidade, mas a autora é tão gloriosa em suas criações que fui capaz de imaginar as cores dos ambientes, o clima, os aromas. Os mais intensos para mim foram lugares lendários e maravilhosos que não existem mais. As partes que mais gostei foram as passadas na Babilônia.

A narrativa é em terceira pessoa, focando em diversos pontos de vista. O narrador não é uma personagem e embora Barbara Wood tenha a sua protagonista, não temos apenas a visão desta; acompanhamos a narrativa como um todo, e mesmo assim, a autora mantém a curiosidade e atiça o leitor durante o desenvolvimento do enredo.
O ponto de partida é Ulrika, nascida na Pérsia, filha de uma curandeira romana e um guerreiro germano, mas que morou em diversos lugares, sempre se sentindo estranha. Sem saber a qual local pertence, ela é atormentada não apenas pela dúvida de suas origens, mas pela doença da infância há anos desaparecida e que retorna agora aos 19 anos de idade: Visões, sonhos e sensações sobrenaturais.
O centro do enredo é a jornada dessa jovem, a busca por suas raízes, sua Clarividência e, consequentemente, seu futuro. Uma jornada física, psicológica e, principalmente, espiritual.
Através da passagem de uma década, acompanhamos Ulrika em uma viagem fantástica, rompendo as barreiras carnais. Utilizando de seu dom descontrolado, conhecimentos medicinais e cultura adquirida em anos de leitura, estudo e vida nômade, Ulrika sai à procura do pai. O que deveria ser o fim da viagem é apenas o início de uma fantástica peregrinação.
Ulrika conhece o amor, enfrenta o perigo e tenta controlar seus poderes, buscando em cada sábio, filósofo ou líder espiritual, um conselho. Conhecendo diferentes civilizações e crenças, ela vai evoluindo.

A dinâmica da história é forte, com personagens ricos, de culturas variadas. Pessoas excêntricas, de hábitos e religiões diversos. Na época em que o Cristianismo ainda não se formara nem iniciara sua dominação, a autora mostra como eram as crenças e mitologias de diversos povos poderosos, da Hispânia à China. Com o Império Romano chefiado por Nero, viajamos para além de suas conquistas, um passeio de tirar o fôlego, mesclando realidade à magia.
Ulrika é uma protagonista de bom desenvolvimento, mas o destaque fica para seu alvo romântico, um rico comerciante galego. Ele é o co-protagonista, sendo o principal em alguns capítulos. É mais cativante que Ulrika, o que de certa forma me decepcionou levemente, pois sempre adoro encontrar personagens femininas que se sobressaem às masculinas.
O romance deles não foi muito interessante para mim, porém a ligação inicial me empolgou bastante. No entanto, posteriormente, o relacionamento amoroso me pareceu irreal, ainda mais para determinadas situações, tratando-se da época. É apaixonante, mas não me convenceu.
O núcleo principal é um suporte valioso, pessoas tão reais que estive durante a maioria das páginas desconfiando de suas intenções. Não sabia identificar integralmente se alguém era herói ou vilão. Acho que a intenção da autora foi simplesmente mostrar pessoas palpáveis, sempre motivadas.
Já as personagens secundárias são fabulosas. Algumas, apenas passageiras. São inúmeras e as mais variadas possíveis, devido a tantos locais e sociedades mostradas. Em alguns momentos me frustrei desejando conhecer mais de algumas delas, como Iskander, Veeda e Wulf. É um elenco tão rico que cada um geraria um microconto complementar, até mesmo a Pequeno Pardal. Personagens sobrenaturais também existem, pois A Vidente é uma história de magia e dons.

É um romance histórico fantástico, justamente pelo tom sobrenatural e busca espiritual da protagonista e das outras personagens. Portanto, algumas viradas de enredo se tratam de mágica, mostrada através de coincidências e milagres. Entretanto, o equilíbrio com acontecimentos críveis existe, não apenas com fatos históricos. São conflitos convincentes.
Os encontros de Ulrika com outras culturas são fascinantes e o melhor aspecto do livro. Sua recepção ao desconhecido e excêntrico, suas descoberta culturais e espirituais, sua mente sem preconceitos - faz do livro prazeroso, curioso e espetacular. O leitor se aproxima de uma época e de civilizações tão distantes, tão distintas e com crenças interessantes. É preciso ter a mente tão aberta e curiosa quanto à de Ulrika.
A Editora Record está de parabéns por investir em um livro tão fascinante, com bela capa e diagramação tradicional. Encontrei única falha: Dois nomes que foram traduzidos aparecem no final em inglês.
Um livro para quem gosta de viajar e conhecer outros povos, épocas e crenças, misturando mito, magia e realidade. Em algumas partes, distinguir alguns itens, dependerá de você! Livro mais que recomendado para quem gosta de romance histórico com magia.
Com certeza espero conferir outras obras de Barbara Wood, especialmente alguns livros muito elogiados.

A autora:
Barbara Wood nasceu em 1947, em Warrington, na Inglaterra, e emigrou ainda criança para os Estados Unidos com os pais e os irmãos. Atualmente ela vive em Riverside, na Califórnia. Escreveu mais de vinte romances, todos best-sellers internacionais.
A Vidente é o quinto livro publicado no Brasil, todos trazidos pela Editora Record.
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