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15 de setembro de 2015

Não Olhe para trás, de S. B. Hayes e Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record)

Não Olhe para Trás (Don't Look Back)
S. B. Hayes - Bertrand Brasil / Grupo Editorial Record
Tradução: Valéria Lamim
322 páginas - R$40,00
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Sinopse:
"Desde a infância, Sinead é compelida a cumprir uma promessa a seu manipulador irmão Patrick: a de que sempre seguirá os passos dele. Quando ele desaparece misteriosamente, ela então se vê obrigada a procurá-lo. As dicas que Patrick parece deixar sobre o seu paradeiro levam-na à Casa Benedict, um lugar onde o tempo não tem sentido — onde um segundo parece durar uma eternidade.
Lá, ela conhece James, que está em busca de respostas sobre o seu passado, e por quem se apaixona. Juntos, os dois descobrirão verdades terríveis que irão testá-los até o limite. Apesar de seu novo amor, Sinead permanece aflita por Patrick e acredita que ele, de alguma forma, seu irmão está por perto e a observa. E ela não conseguirá descansar até encontrá-lo."

Resenha:
Não Olhe para Trás (Don't Look Back) é o novo livro no Brasil da autora S. B. Hayes, de Coração Envenenado (Poison Heart). Publicada em inglês em 2013, a obra chegou aqui em agosto de 2015 pela Bertrand Brasil, do Grupo Editorial Record.
Ano passado tive uma experiência ótima com Coração Envenenado, um young adult cheio de mistério, suspense, um pouco de romance e uma genial insinuação de sobrenatural (tem resenha aqui). Por ter gostado muito da publicação anterior, imaginei que Não Olhe para Trás seria leitura sob medida para mim. Foi uma experiência bem diferente. Em Coração Envenenado, a autora flerta com o misticismo e sobrenatural, porém não se aprofunda nesse lado, focando mais no suspense. Me lembro de ter sentido falta de mais magia em Coração Envenenado e, ironicamente, Hayes mergulha totalmente nessa ambientação para Não Olhe para Trás e me frustrei um pouco sobre esse aspecto.
A capa está linda, remetendo ao suspense e terror, com ar gótico. O fundo é fosco e o título em relevo. A edição está bonita, possui orelhas, mas as folhas são brancas e isso pode decepcionar alguns leitores. A revisão e diagramação estão impecáveis.


Características semelhantes a Coração Envenenado estão presentes em Não Olhe para Trás. As comparações são inevitáveis, mas friso que as obras não têm ligação alguma.
É um young adult de mistério e suspense com uma pegada sobrenatural intensa, mas que beira o terror. Há também uma história romântica e uma personagem psicologicamente perturbada desencadeando acontecimentos estranhos.
Dessa vez a autora não brinca com a linha tênue de realidade e fantasia; ela avança ao sobrenatural de modo direto e explícito. Não esperava por isso e, mesmo sendo fã de sobrenatural, o desenvolvimento da trama me pareceu bizarro. Não em sentido negativo, mas também não positivo, fiquei sem conseguir absorver o livro em totalidade, principalmente o rumo final. Porém é juvenil, simples e curioso.
O melhor item é o relacionamento entre a protagonista Sinead e seu irmão Patrick. A interação entre eles foi o ponto alto da leitura, especialmente quando a autora volta ao passado, para a infância, e vai apresentando aos poucos como Patrick a controlava e explorava. Um relacionamento entre irmãos, que deveria ser de amizade e cumplicidade, era assustador e perigoso. Portanto, acredito que Hayes deveria ter focado mais nesse ponto ao desenvolver a trama; ela peca em deixar o conflito entre os irmãos em segundo plano, substituindo a premissa por uma história de amor e um mistério rodeado de questões religiosas e mitologia grega. Me senti confusa perante a falta da exploração da premissa (a busca por Patrick e os problemas entre ele e Sinead) e o rumo da trama para um romance repentino e questões sobre vida e morte. A presença e postura da mãe são essenciais para o desenvolvimento da relação entre eles.
O clima de suspense é arrebatador e não soltei o livro até terminá-lo, mesmo não gostando do andamento. Precisava saber o que seria de Sinead e como aconteceria o encontro dela com Patrick, se ela o encontraria. Talvez tenha sido esta a minha frustração. Esperava um "confronto" maior entre irmã e irmão.

A narrativa é em primeira pessoa, da protagonista Sinead. Ela tem 16 anos de idade e vive com a mãe manipuladora. Seu irmão é Patrick, três anos mais velho, que há pouco tempo tem morado sozinho. Ele desaparece e deixa pistas para Sinead procurá-lo. Esse era um velho jogo que Patrick fazia com a irmã quando eram crianças.
A mãe não quer o envolvimento da polícia e obriga Sinead a encontrá-lo, visto que Patrick está a vida toda em tratamento psiquiátrico e possivelmente, encontra-se transtornado e precisa que a irmã participe com sucesso da "brincadeira" - que é um jogo sinistro e assustador. Sinead decide então encontrá-lo de qualquer forma e as pistas a levam até a Casa Benedict, uma mansão construída em uma misteriosa propriedade.
Compreendo que é apenas ficção, e uma bastante fantasiosa, mas situações complexas e sérias são tratadas como sem importância e isso me deixou aflita. Patrick é perigosamente perturbado, mas mora sozinho. Isso não é certo. Então ele desaparece e a mãe coloca a filha de apenas 16 anos para procurá-lo. A mãe não é confiável e nitidamente também precisa de ajuda médica; Sinead é apenas uma adolescente, e uma pessoa acostumada a ser manipulada constantemente, então essas são as justificativas que encontrei, mas não fui convencida. Esse é apenas o ponto de partida da trama, que se transforma completamente quando Sinead chega à Casa Benedict.
Patrick deveria ser mais importante na trama.


Mas quem co-estrela a obra ao lado de Sinead é James, seu par romântico. Ela o encontra no desenrolar da história e a paixão é tão intensa que vivem um amor único - em poucos dias. Eles não me pareceram dois adolescentes; soavam como uma década (ou mais) mais velhos.
O passado misterioso de James é interessante, mas a autora criou um clima estranho acerca de sua falta de memórias. O rapaz possui apenas 18 anos, mas pensei diversas vezes que ele era mais velho, com a fixação da autora sobre os segredos de seu passado, como se ele tivesse muito mais anos. Ele é uma personagem inconstante, utilizada pela autora conforme a necessidade. Ele salta de mulherengo para romântico apaixonado; pula de rapaz forte e independente para carente e debilitado.
Outras personagens estão presentes na trama: Sara, a melhor amiga de Sinead, que funciona como figurante; Harry, o melhor amigo, mas declaradamente apaixonado por Sinead. Vive atrás dela, seguindo-a sem questionar. É um relacionamento doentio, porque Sinead o explora, mesmo sabendo que ele faz tudo simplesmente por achar que a ama. E ela, que sabe o que é sofrer manipulação nas mãos do irmão (e da mãe), abusa da boa vontade do rapaz, levando Harry em sua procura perigosa por Patrick. E Harry é tão submisso que não questiona quando Sinead o ignora. Ela somente o chama para participar da busca quando necessário.
Há uma personagem mais interessante: Catherine, a enigmática freira que trabalha e mora na Casa Benedict. É tão estranha quanto a mansão e parece ser mais velha que a antiga propriedade. A senhora promete respostas e ajuda acerca do desaparecimento de Patrick, mas só fala por charadas e enigmas. Gostei da personagem, porque ela é responsável por bons momentos de suspense. Não sabia o que e quem ela era e passei o tempo todo imaginando e criando várias teorias. A autora trouxe respostas ótimas sobre a velhinha.
Depois que me acostumei com a mudança drástica do andamento da trama aproveitei o clímax e o final, mas permaneci inquieta.
Não Olhe para Trás é um livro de temática sobrenatural voltado ao público adolescente, recomendado para quem gosta da mistura de mistério e romance. Possui uma pitada de mitologia grega e questões profundas envolvendo religiosidade, especialmente sobre vida após a morte.


A autora:
Começou os seus estudos em um convento católico em Crosby, Merseyside na Inglaterra. Na universidade, estudou Inglês e, mais tarde, trabalhou para o governo.
Tem três filhos e faz trabalho voluntário com crianças e adolescentes. Atualmente, passa o seu tempo escrevendo e trabalhando para na empresa da família, de consultoria na área de petroquímica, e sempre que pode, foge para fazer longas caminhadas à beira-mar.

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