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3 de dezembro de 2015

Desaparecidas, de Lauren Oliver e Verus Editora (Grupo Editorial Record)

Desaparecidas (Vanishing Girls)
Lauren Oliver - Verus Editora / Grupo Editorial Record
304 páginas - 2015 - R$39,00
Tradução: Cláudia Mello Belhassof
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Sinopse:
"As irmãs Dara e Nick eram inseparáveis, mas isso foi antes — antes de Dara beijar Parker, antes de Nick perdê-lo como melhor amigo, antes do acidente que deixou cicatrizes no belo rosto de Dara. Agora as duas, que eram tão próximas, não estão mais se falando. Em um instante Nick perdeu tudo, e está determinada a usar o verão para conseguir sua vida de volta.
Só que Dara tem outros planos. Quando ela desaparece, no dia de seu aniversário, Nick acha que a irmã está se divertindo por aí. Mas outra garota também sumiu — Madeline Snow, de nove anos — e, conforme Nick procura pela irmã, fica cada vez mais convencida de que os dois desaparecimentos podem estar conectados.
Neste livro tenso e cativante, Lauren Oliver cria um mundo de intrigas, perdas e suspeitas, enquanto duas irmãs buscam encontrar uma à outra — e a si mesmas."

Resenha:

Ainda não havia lido nenhuma das obras de Lauren Oliver publicadas no Brasil, a série Delirium (Intrínseca, 2011-2014) e Antes que Eu Vá (Before I Fall, Verus, 2011), mas Desaparecidas (Vanishing Girls, Verus, 2015) me interessou imediatamente e não pestanejei ao solicitá-lo ao Grupo Editorial Record para resenha. É cliché, mas resume a leitura: impossível de largar. Comecei a lê-lo com sono, mas o livro me deixou ligada e não me tranquilizei até chegar ao fim. É aquele suspense que consome o(a) leitor(a). Mesmo após a grande revelação, ainda assim o(a) segura, porque o desejo de completar o quebra-cabeça prevalece. A Verus tem publicado muito material bom recentemente e já vi que Panic, também da autora, será lançado pela editora (já o desejo; na verdade, agora desejo ler tudo dela).
Em 2015 foram publicados excelentes thrillers psicológicos, um dos gêneros que mais aprecio, e acho que o destaque foi A Garota no Trem, de Paula Hawkins e Editora Record (resenhado em agosto - leia aqui). Enquanto o de Hawkins é voltado ao público adulto, Desaparecidas é young adult (jovem adulto), mas possui temas sérios. Entre os dois, escolho Desaparecidas como preferido, o melhor thriller psicológico de 2015 que li (apesar dos leitores do Goodreads terem escolhido A Garota no Trem como melhor livro na categoria Mistério e Thriller 2015). Difícil decisão, visto que ambos possuem alta qualidade. A faixa etária difere, porém quem aprecia suspense precisa ler os dois.
O projeto gráfico é lindo e dentre as capas que vi, a brasileira é a mais bonita e a que melhor combina com a trama. O exemplar possui orelhas largas, folhas amareladas, diagramação simples e revisão sem erros.


É um livro difícil a ser resenhado, porque spoilers estragariam completamente a leitura. Então minha preocupação é compartilhar minha experiência pessoal, explicar o que achei do livro e suas principais características, porém sem spoilers. Deveria ser crime revelar os mistérios de certos livros (e demais mídias fictícias) - este é um caso.
Á princípio imaginei duas hipóteses sobre parte do que ocorria na trama e acertei. Entretanto, o livro me arrebatou e ainda assim fui surpreendida. A autora ainda tinha muitas revelações intensas para o clímax e desfecho.
A dica valiosa é prestar atenção aos detalhes. Não apenas para tentar desvendar os segredos, mas para quando eles forem revelados, você conseguir degustá-los da melhor forma. Viajei na leitura com teorias e adivinhações e, mesmo após sua finalização pensei muito sobre vários pontos e me flagrei admirando itens e pormenores - particularidades de toda a trama, do começo ao fim. Repassei a história mentalmente e adorei ter observado tudo. Então, leia, observe, se atente e aprecie a leitura. Será uma excelente experiência, porque sua visão muda ao final.
O gênero é o suspense, mas com as dúvidas e dramas comuns dos young adults. Senti em Desaparecidas uma grande intensidade emocional, psicológica. Fui verdadeiramente abalada e isso acontece poucas vezes comigo em leituras YA.
A narrativa é em primeira pessoa, revezando-se entre as irmãs Nick e Dara; elas têm respectivamente 17 e 16 anos e seu relacionamento é o centro da trama. Caso você desgoste de mais de um narrador na história, Desaparecidas tem grandes chances de mudar sua opinião.
O ritmo do desenvolvimento é dinâmico e a narrativa apresenta também notícias online, trocas de e-mails e de mensagens instantâneas. É pouco material se comparado à narrativa central (a história das irmãs), mas interliga-se diretamente a Nick e Dara (há também trechos do diário de Dara). O arco inicialmente secundário é o desaparecimento de Madeline, uma menina de 9 anos de idade. Todavia, Dara também desaparece e os casos, antes distantes, parecem se unir cada vez mais - pela perspectiva de Nick.


Nick e Dara sempre foram irmãs muito unidas em todas as atividades ao longo de suas vidas, devido a pouca diferença de idade. O desenvolvimento das personalidades e do relacionamento é mostrado de forma gloriosa.
Nick, por ser a mais velha, se sente responsável por Dara, portanto, sempre tentou ser exemplar. Já Dara, por achar Nick um modelo inalcançável de perfeição, passa a se rebelar na adolescência. Nick se esforça em proteger exageradamente Dara, cada vez mais impulsiva. Nick se sente muito "comum", certinha e sem atrativos, o contrário de Dara - ela a acha selvagem, ousada, diferente. Dara se sente inferior à Nick, porque não consegue ter as mesmas notas altas e a deixar seus pais orgulhosos com seus acertos. Nick se sente inferior à Dara, pois não consegue ser tão radical, espontânea, sexy e o principal: popular e rodeada de amizades.
Um ciclo difícil de ser rompido e compreensivo e, na verdade, mais comum do que pensamos; ao menos por um período, irmãos competem entre si, mesmo se amando, especialmente quando próximos. Elas se amam e se idealizam uma na outra; a admiração mútua se torna inveja e caos, contudo, uma sempre acha a outra a "melhor", seja como filha, irmã, amiga.
E como na adolescência tudo é mais intenso e a formação das personalidades está atingindo o ápice, Nick e Dara se amam, se admiram, se invejam, se idolatram e se odeiam. É uma linha tênue e a das irmãs se rompe!

Parker, o melhor amigo de Nick, tem uma caso com Dara. Os três sempre foram amigos, compartilharam a infância, mas Nick e Parker eram melhores amigos antes de tudo, inseparáveis - e, perante Dara, "o obstáculo" entre as irmãs. Inconscientemente Dara seduz e deseja Parker, já que ele "pertence à irmã". O relacionamento entre elas se torna tão tensa (ainda mais com o divórcio dos pais) que passam a frequentar um terapeuta. Dara é rodeada por amigos, tem uma melhor amiga (Ariana). Então Nick não entende porque Dara quer tanto a atenção de Parker.
Em uma misteriosa e assustadora noite, as irmãs sofreram um grave acidente de carro. Nick era a motorista e Dara, sem o cinto de segurança, padece de maiores danos: fica cheia de cicatrizes e a relação delas parece ter terminado. Nick, a correta, sente enorme culpa e se perde em um grave transtorno de estresse pós-traumático. É possível notar isso em alguns detalhes, como lembranças fragmentadas, incompletas e incontroláveis do acidente, assim como leves episódios de pânico e delírio e hipervigilância; cria a ideia fixa de proteger ainda mais Dara. Além das alternâncias das irmãs na narrativa, a autora escreve informa "antes" ou "depois" do acidente, assim como expõe datas ou horário dos trechos. O(a) leitor(a) deve estar atento(a) a isso também.
O relacionamento de Nick com Parker fica estranho. Nick não sabe como agir, nem se ele e a irmã estão ainda envolvidos. Nick está solitária, pois sente que perdeu seus dois melhores amigos e se sente inconformada por Dar ter roubado o único amigo que ela tinha, porque Dara tem incontáveis amizades.
Dara desaparece e Nick, obrigada a estar no mesmo trabalho de verão que Parker, pensa logo no desaparecimento que a mídia local está mostrando, o de Madeleine. Nick persegue várias pistas deixadas pela irmã (ou não), deixando os desentendimentos de lado e mergulha em uma paranoica e desenfreada procura por Dara, por Madeleine e por si mesma.


A escrita da autora é linda, criativa e intrigante; gostei muito de seu estilo. A dinâmica da relação fraternal é intensa, mostrando o amor, a inveja, a admiração e a rivalidade. Quem tem irmão(ã) mais jovem e grande ligação com ele(a) se identificará mais ainda com a história.
A trama é excelente, o suspense paira por todas as páginas, preservado até o fim. E, caso você o descubra, ainda assim terá uma experiência única. Tenha atenção e muita empatia para compreender os conflitos intensos entre as adolescentes traumatizadas.
As personagens secundárias são significantes para auxiliar a construção das principais. Importantes, contudo sem diminuir o foco das protagonistas. Parker é um adolescente mais simples de ser compreendido que Dara ou Nick. Por um momento não me afeiçoei a ele por considerá-lo o ápice do desentendimento entre as irmãs, até perceber que isso ocorreria de uma forma ou de outra, por Parker ou por qualquer outro motivo como estopim. Então passei a gostar dele e acho que ele deveria ter mais importância na trama. Não sei exatamente o porquê, talvez pela complexidade de Dara e Nick, o achei um pouco superficial; talvez seja proposital, para não se destacar acima das irmãs.
O livro aborda ainda temas fortes (mas de modo leve a moderado), como pornografia infantojuvenil, desaparecimento de pessoas, sexualidade adolescente, abuso sexual, transtornos psicológicos e uso excessivo de drogas e álcool.
Terei essa história gravada na memória para sempre. Nick e Dara dificilmente desaparecerão de mim.

A autora:
Lauren Oliver é autora dos livros juvenis Antes que Eu Vá e Panic (a ser publicado pela Verus) e da série Delírio. Também escreveu dois livros para pré-adolescentes: The Spindlers e Liesl & Po, indicado para o Prêmio E. B. White Read Aloud.
graduada pela Universidade de Chicago e mestre pela Universidade de Nova York, Lauren Oliver também é cofundadora da empresa de desenvolvimento literário Paper Lantern Lit.
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