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2 de dezembro de 2015

O Amante Japonês, de Isabel Allende e Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record)

O Amante Japonês (El Amante Japonés)
Isabel Allende - Bertrand Brasil / Grupo Editorial Record
Tradução: Joana Angélica d'Ávila Melo
294 páginas - 2015 - R$39,00
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Sinopse:
"Uma paixão secreta que perdurou por quase setenta anos.
Em 1939, ano da ocupação da Polônia pelos nazistas, Alma Mendel, de oito anos, é enviada pelos pais para viver em segurança com os tios em São Francisco. Lá, ela conhece Ichimei Fukuda, filho do jardineiro japonês da família. Despercebido por todos ao redor, um caso de amor começa a florescer. Depois do ataque a Pearl Harbor, no entanto, os dois são cruelmente separados. Décadas depois, presentes e cartas misteriosos são descobertos trazendo à tona uma paixão secreta que perdurou por quase setenta anos. Varrendo através do tempo e abrangendo diferentes gerações e continentes, O Amante Japonês explora questões de identidade, abandono, redenção, e o impacto incognoscível do destino em nossas vidas."

Resenha:
Isabel Allende nasceu no Peru e viveu no Chile e depois na Venezuela, até se estabelecer nos Estados Unidos. É um dos maiores nomes da literatura latino-americana, com grande sucesso internacional. Adoro as obras da autora, sempre tenho experiências ótimas. Minha última leitura de Allende foi O Jogo de Ripper. Em outubro a Bertrand Brasil, do Grupo Editorial Record, trouxe O Amante Japonês (El Amante Japonés,2015) e não tive dúvidas de que deveria lê-lo. Além de gostar da autora, a temática de um amor que durou quase setenta anos, sobrevivendo à distância e conflitos diversos, me empolgou.
O exemplar possui orelhas, folhas amareladas (papel pólen soft), diagramação simples e trabalho de revisão perfeito.
Allende faz sua mágica: Em menos de trezentas páginas tece uma trama fantástica cheia de pormenores. O livro é rico, tanto nos acontecimentos quanto na construção das personagens e seus relacionamentos. Você mergulha em vidas, se sente na pele de pessoas (sempre penso nas personagens de Allende como se elas existissem), de um modo inacreditável. E sempre me impressiono como a autora começa devagar, apresentando histórias e locais e, quando percebo, já estou chegando ao final. Sou arrebatada e me sinto totalmente absorvida pelas histórias de Allende. De repente organizo as ideias, interligo personagens e me emociono.
Admiro muito quando Allende apresenta personagens multiculturais. Mais que personalidades e históricos variados, ela mistura as origens, etnias e faixas etárias. Desde os protagonistas até os figurantes nota-se variedade e realidade.
No começo pensei que não estava lendo nada extraordinário. Mas é assim, a autora apresenta rotinas, focando em características íntimas das personagens, construindo-as com veracidade. E, então, surpresa! Não sei explicar quando ou como fui conquistada.


É uma das poucas autoras que aborda tantos temas, personagens e relações sem transformar a trama em confusão. Ela passeia por países e décadas em O Amante Japonês, sem jamais perder o foco e a atenção do leitor. O tema central pode parecer, à primeira vista, uma história de paixão e amor que perdura por décadas, enfrentando abalos. Mas é uma relação proibida. Então percebi a complexidade não apenas desse relacionamento, mas de todos. A lealdade vem em primeiro lugar. Não é apenas amor, paixão, atração; é também amizade, respeito e carinho. Parcerias raras e eternas, que tempo e distância não apagam.
E há mais, muito mais. Trata-se de um casal idoso e várias personagens do livro têm mais de setenta anos e isso é incrível. É difícil encontrarmos histórias bonitas, realistas e que valorizem a terceira idade, abordando o envelhecimento com respeito, mostrando as dificuldades e os benefícios que a experiência de vida traz.
Allende aborda temas delicados como preconceito racial e cultural, abuso sexual, homossexualidade, casamentos, amizades, guerra e a heterogeneidade e complexidade que a experiência e o passar dos anos causam ao indivíduo, cicatrizando dores e consolidando sentimentos.

O livro é adulto e a narrativa é em terceira pessoa, exceto por algumas cartas breves. O presente traz Irina Bazili, uma mulher com menos de trinta anos que recomeça sua vida trabalhando como cuidadora/acompanhante em uma não convencional casa de repouso, a Lark House, em São Francisco (Estados Unidos). Irina é uma personagem intrigante e cheia de segredos. Os residentes de Lark House são variados e interessantes. A velhice é mostrada em diversas nuances, tristes, alegres, sempre humanas. Em meio a eles, Irina conhece Alma Belasco, uma senhora com pouco mais de oitenta anos. De família rica e nobre, Alma é viúva e decidiu passar seus últimos anos em Lark House, após uma carreira de sucesso. Seu neto Seth sempre visita a avó por amor e com a intenção de ajudá-la a escrever a história da família. Seth conhece Irina e ambos percebem que Alma possui uma história maravilhosa para contar - e muitos mistérios. Além da família e da carreira, sua história pessoal é o destaque, principalmente quando os dois desconfiam que talvez Alma mantenha um amante secreto, possivelmente há décadas. O leitor tem acesso então a narrativa do passado e Allende é perfeita em alternar e levar o leitor para viagens emocionantes.
Antes de ser uma Belasco, ela foi Alma Mendel, nascida na Polônia de 1931. Com a ocupação da região pelos nazistas, os pais de Alma a enviam para morar com os tios Lilian e Isaac nos Estados Unidos, os Belascos, todos judeus. O irmão de Alma foi para a Segunda Guerra Mundial e, após anos de espera, Alma não tem notícias dos pais e irmão. Vive com os tios, duas primas e um primo. Este, Nathaniel, torna-se amigo íntimo. Não é o único amigo de Alma. A família de japoneses Fukuda trabalha nos jardins dos Belasco e Alma se torna amiga de Ichimei, o Fukuda mais jovem e sereno. Alma, Ichimei e Nathaniel são grandes amigos, mesmo sob muitas diferenças, até que o ataque do Japão à base naval dos Estados Unidos Pearl Harbor (no Oceano Pacífico, Havaí), durante a Guerra, muda não apenas o rumo da História Mundial, mas a dos Fukuda e, consequentemente, de Alma e Nathaniel. Ichimei e Alma trocam cartas durante o tempo em que os japoneses e seus descendentes são obrigatoriamente levados para campos de concentração em pleno solo estadunidense. Poloneses levados a campos de concentração nazistas na Europa; o mesmo ocorreu aos japoneses, porém nos Estados Unidos. O mundo fervilha em Guerra, preconceito, violência, recessão e separações.


Alma é uma mulher de personalidade admirável, mesmo quando fala sobre seus defeitos, os erros do passado e as deficiências da velhice. O leitor acompanha fatos históricos por detrás de uma história de paixão e também grandiosas mudanças sociais e culturais, como a liberdade sexual e variações do racismo, machismo e outros preconceitos. Quando julguei Alma, não a condenei. E o desfecho é fantástico, mostra que nem sempre uma história é o que parece ser.
Destaque para a amizade entre Alma e Irina, duas mulheres de nações e gerações diferentes, que nada aparentam ter em comum, porém marcam uma a uma eternamente. Irina não se abre e a autora gradualmente apresenta os motivos, apesar de ser uma história secundária, mas importante para conectarmos as duas mulheres.
Allende traz uma história maravilhosa, pois além de Alma, Ichimei e Nathaniel, temos Irina, Seth e outros como um amigo de Alma, Benny; a médica Cathy; e, claro, as famílias Belasco e Fukuda.
Os Fukuda acreditam no respeito e na honra, enquanto os Belascos são filantropos e a ligação entre as famílias é maior que a de "patrões e empregados"; é uma relação amigável e forte, mesmo com o passar das décadas e quilômetros de distância.
Não é apenas a história de Alma e Ichimei, é um livro sobre muitos amores que a vida mostra; belos relacionamentos que provam como boas pessoas se respeitam acima de tudo e como é possível amar pessoas diferentes ao mesmo tempo e de formas diferentes.
O Amante Japonês é uma viagem por décadas de amor e amizade, mesmo em meio ao sofrimento e morte; viagens por continentes, nações, gerações; relações marcadas pela união e lealdade.
Irina e Seth começam a descobrir os segredos de Alma e a senhora de idade passa a compartilhá-los com o neto e a amiga, apresentando uma história forte, de erros e acertos, sobre seus relacionamentos com Nathaniel e Ichimei, importantes homens em sua vida movimentada e emocionante. Uma história poderosa e mágica ao estilo de Isabel Allende, que o tempo não apagará da mente do leitor.

A autora:
Isabel Allende nasceu em 1942, no Peru, onde seu pai era diplomata. Viveu no Chile entre 1945 e 1975, com longos anos de residência em outros lugares, na Venezuela até 1988 e, a partir de então, nos Estados Unidos, Califórnia.
Iniciou a carreira literária como jornalista. Em 1982, seu primeiro romance, A Casa dos Espíritos, tornou-se um dos títulos míticos da literatura latinoamericana. A eles se seguiram muitos outros e os números de sua carreira impressionam: 20 livros, traduzidos para 35 idiomas, que ultrapassam os 60 milhões de exemplares vendidos. Possui 50 prêmios em mais de 16 países e inúmeras adaptações de suas obras para o cinema (incluindo 2 produções internacionais), teatro, rádio e musicais. Conta ainda com 14 doutorados.
Há mais de 25 anos luta pelos direitos femininos, tendo criado em 1995 a Isabel Allende Fondation. Além de palestrar como ativista social, Allende também realiza apresentações e seminários sobre política lationoamericana, processo criativo e espiritualidade.
Recentemente, recebeu o Prêmio Nacional de Literatura 2010, no Chile, e o Prêmio Hans Christian Andersen, em 2012, este último pela série As Aventuras da Águia e do Jaguar.
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