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23 de maio de 2016

A Coroa, volume 5 da série A Seleção, Kiera Cass, Editora Seguinte (Grupo Companhia das Letras)

A Coroa (The Crown)
A Seleção (The Selection) - livro 5
Quem vai ganhar o coração dela?
Kiera Cass - Editora Seguinte / Grupo Companhia das Letras
Tradução: Cristian Clemente
312 páginas - 2016 - R$32,90 (brochura), R$39,90 (capa dura) e R$22,90 (e-Book)

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Sinopse:
"Em A Herdeira, o universo de A Seleção entrou numa nova era. Vinte anos se passaram desde que America Singer e o príncipe Maxon se apaixonaram, e a filha do casal é a primeira princesa a passar por sua própria Seleção. Ela não acreditava que encontraria, tal como seus pais, um amor verdadeiro durante o concurso. Mas alguns candidatos conseguem abrir rachaduras nas muralhas que Eadlyn construiu em volta de si mesma, principalmente de seu coração. Aos poucos, os Selecionados se tornam seu porto seguro, ao mesmo tempo que a fazem enxergar como é a vida fora da bolha em que vive.
E ela realmente está precisando: os acontecimentos no palácio obrigam Eadlyn a assumir cada vez mais responsabilidades no governo, e a garota não tem escolha a não ser encarar a rejeição do público. Seu maior desafio é se aproximar do povo, mostrando que se importa e que tem capacidade de governar. Tudo isso enquanto a pressão para escolher um marido só aumenta — e um garoto em particular começa a tomar conta de seu coração."

Resenha:
Kiera Cass é a autora de A Seleção (The Selection), uma das séries do gênero Young Adult (Jovem Adulto) de maior sucesso na atualidade. E qual seria o motivo principal do fenômeno? Não sou o público-alvo da série e, ainda assim, adoro todos os livros, mesmo reconhecendo os pontos fracos. Será o fato de termos duas protagonistas fortes em cena? Pois America e Eadlyn são marcantes e possuem atitudes que movimentam a trama. Mesmo quando você discorda delas, precisa reconhecer que as duas têm personalidade. Será o fato de tudo girar em torno de competições? Visto que Selecionadas e Selecionados disputam os corações de príncipes e princesas e um cargo nobre e importante. As competições criam suspense e disputas entre o público leitor.
A Seleção é um conto de fadas moderno, com questões românticas e de desenvolvimento pessoal. Explora um pouco as diferenças sociais e o preconceito e descobertas que surgem a partir delas. Mostra que decisões políticas dos governantes afetam drasticamente a vida dos cidadãos e em A Coroa, mais do que nunca, a autora explora o fato de como mudanças são necessárias e, muitas vezes, precisam ocorrer aos poucos e com planejamento.
Acompanhei a saga desde o lançamento do primeiro livro, quando a Editora Seguinte (do Grupo Companhia das Letras) enviou um livro de prova aos parceiros em um kit atraente. Desde então tenho lido a série e me deliciado com a criação agradável da Kiera Cass.


Inicialmente fora anunciado como uma trilogia, porém mais dois livros foram acrescentados ao trabalho da autora que parece ter chegado ao fim. Considero os três primeiros livros como uma parte e os dois últimos como outra. São diretamente ligados e o ideal é realmente que os cinco sejam lidos na ordem, mas sinceramente acho que as partes podem ser encaradas separadamente caso o(a) leitor(a) prefira. Recomendo a leitura na ordem de lançamento: A Seleção (The Selection, 2012), A Elite (The Elite, 2012) e A Escolha (The One, 2014) - a história de America Singer - e, posteriormente, A Herdeira (The Heir, 2015) e A Coroa (The Crown, 2016) - continuação da saga, porém com a história de Eadlyn Schreave.
Uma observação importante é que a Editora Seguinte publicou a série em tempo real. Quase sempre junto (ou logo em seguida) aos lançamentos nos Estados Unidos. Isso deixou os fãs atualizados e (quase) livre de spoilers. Parabenizo a equipe da Seguinte não apenas pela rapidez, mas pela preocupação em manter a coleção padronizada, com belas capas e exemplares em brochura com orelhas ou (posteriormente) edições em capa dura para colecionadores(as). Diagramação, tradução e revisão muito rápidas e eficientes, sempre em folhas amareladas.
A Seleção foi um livro que me conquistou de imediato; A Elite é o meu preferido de um modo geral; A Escolha foi o que mais me deixou ansiosa, fechando o ciclo de forma satisfatória e empolgante. Com A Herdeira me senti animada novamente em ter mais um pouco sobre America, Maxon, Aspen e companhia. E embora as velhas e amadas personagens da trilogia estejam nesse ciclo, o primeiro passo foi assumir que A Herdeira + A Coroa formam outra história, a de Eadlyn e um novo elenco. A história do trono de Illéa continua com personagens de ambas as fases, com destaque às novas, especialmente nossa protagonista, a princesa de Illéa.


Algumas pessoas classificam a série como distopia, porém discordo. Há itens distópicos, porém estes não se destacam e não são desenvolvidos ao ponto de se tornarem essenciais à trama. As relações entre as personagens e a visão dos governantes sobre o povo prevalecem, assim como o amadurecimento pessoal das protagonistas em parceria ao cenário político dos quais elas participam. Com America, vimos uma plebeia conhecer a realeza e quer mudar a realidade das castas socioeconômicas. Já com Eadlyn acompanhamos uma princesa nascida no luxo, mas criada com afinco para ser corajosa, decidida e benevolente. Em uma sociedade em que as castas já foram banidas e a cultura esta mudando, sua missão é tornar esse período de transição pacífico e eficiente, sem prejuízos à nação e a população. Trabalho árduo tanto para uma geração quanto para a outra. Mas Eadlyn precisa aprender a lidar consigo mesma, porque antes de princesa, é uma jovem com inseguranças e defeitos como qualquer pessoa comum. Além disso, é obrigada a ter a sua Seleção, de onde terá que escolher um jovem como seu príncipe-consorte.
A Coroa me agradou mais que o livro anterior: É mais dinâmico, melhor desenvolvido e possui tom mais sério sem perder a leveza, mas faltou antagonismo, vilania. Poderia ter havido um excelente embate. Este foi apenas um vislumbre do que poderia ter sido.
A Herdeira e A Coroa marcam um ótimo ponto na saga porque pela primeira vez o rei e a rainha mudam a história da nação ao oficializar a primogênita como herdeira do trono. Pois mesmo sendo mais velha, a coroa deveria ser passada ao herdeiro do sexo masculino. A série muda não apenas o sistema social do povo ao acabar com as castas. A série é feminista e mostra que homens e mulheres são iguais na liderança, ambos capacitados para governar. Então, Eadlyn, a mais velha (e que leva mais jeito que o irmão gêmeo mais jovem, em minha opinião) é a herdeira da coroa de Illéa.


A narrativa continua sendo em primeira pessoa pela protagonista. Eadlyn precisa conquistar o público, pois a maioria a vê incapaz, mimada e arrogante para assumir a coroa do pai; certa parte da população, não quer mais o sistema de Monarquia Absolutista; muitos desejam outro governante em seu lugar; outros querem o voto direto e a descentralização do poder. Então, além de você acompanhar (e torcer pelo seu favorito) a Seleção, também mantem a atenção às possibilidades de Eadlyn para ser uma boa rainha e a manter o povo feliz com o governo e com ela mesma. É complexo, porque Eadlyn precisa também conquistar o(a) leitor(a)! Ela é egocêntrica, porém jamais submissa e manipulável. É inteligente, mas um pouco fria e inconsequente. Em A Coroa ela vai se tornando mais reflexiva e controlada. Passa a usar sua sagacidade para coisas positivas e muito bem pensadas, nada mais de agir sempre por impulso (só um pouco).
Não gostei de ver seus pais obrigando-a a realizar A Seleção; logo eles, tão liberais dentro do sistema social da trama. Mas a inversão dos papéis (ver rapazes disputando o título de príncipe e o coração de Eadlyn) foi divertida. Porém não achei a Elite de Eadlyn tão empolgante quanto a de Maxon (mas os rapazes são ótimos!) e adivinhei quem venceria A Seleção ao longo do livro anterior. É muito interessante reforçar que, enquanto A Seleção possuía um triângulo amoroso, aqui em A Herdeira / A Coroa não encontramos isso. Temos uma jovem realmente desinteressada no casamento e sem um amor avassalador. Em A Coroa, Kiera Cass desenvolve melhor o lado romântico de Eadlyn, onde ela percebe que pode continuar poderosa e independente e, ainda assim, dar e receber amor e encontrar no marido um companheiro para todos os momentos. Ela tem os pais como exemplo e passa a observar isso e a refletir melhor sobre como a Seleção trouxe a ela rapazes brilhantes. Será que seu príncipe está ali entre aqueles moços?


A falha de A Coroa é a mesma de A Escolha: o final corrido. Me agradou muito, mas Kiera Cass guarda muitas surpresas e emoções para o final, despeja tudo de uma única vez e somente nas últimas páginas. Parece que Kiera pula o clímax e já parte para o desfecho, mesmo criando um suspense incrível e sentimentos arrebatadores. Acho que o início e meio poderiam ter sido mais rápidos para darem mais espaço ao final (clímax / desfecho). Destaco as decisões políticas de Eadlyn e sua nova postura, gostei muito.
Os Selecionados são personagens carismáticas, interessantes e que animam e diversificam a história, mas senti falta de conflitos entre eles. Entre os últimos membros Kiera deixou os mais valiosos ao redor de Eadlyn e, cada um a seu modo, poderia ajudá-la a governar Illéa. Ela poderia até chamá-los para serem conselheiros.
A série é divertida, dinâmica, viciante e feita sob medida para quem gosta de histórias de princesas e príncipes (e plebeias e plebeus!). É feminista ao mostrar que homens e mulheres são igualmente excelentes em suas carreiras, mesmo as de liderança; Eadlyn precisa enfrentar a opinião contrária, provando que não é uma princesinha mimada e sim uma líder atenta e revolucionária; neste último livro a autora mostra que uma jovem pode (e deve) se envolver com vários rapazes e conhecê-los bem antes de se casar - sem ser julgada! Eadlyn é superpoderosa e supera seus defeitos, aprendendo a escutar, a compartilhar e a dividir.
É uma protagonista única, conquistando o coração do leitor ao término do livro. Se você quer saber quem ganhou o coração da poderosa Eadlyn, fuja dos spoilers e corra para ler!
Um belo e moderno conto de fadas juvenil onde o "felizes para sempre" é temporário e deve ser trabalhado continuamente com força, insistência e amor; não é mágico, é conquistado!
Terminei A Coroa com muitas saudades da série e ao mesmo tempo feliz em tê-la acompanhado.


A série:
Os volumes principais são A Seleção, A Elite, A EscolhaA Herdeira e A Coroa e você pode comprar tanto a versão física quanto a digital.
O Príncipe e O Guarda são dois contos em e-Books gratuitos que complementam a série e devem ser lidos entre A Elite e A Escolha. O sucesso foi tão grande que você pode comprar a versão impressa com ambos: Contos da Seleção.
Kiera Cass escreveu mais dois contos da série em formato digital: A Rainha e A Favorita. A antologia impressa Felizes Para Sempre contém os contos A Rainha, O Príncipe, O Guarda e A Favorita, ilustrados e com introduções da Kiera Cass.
A série possui ainda um livro interativo: Diário da Seleção.

A autora:
Nasceu em 1981, na Carolina do Sul, Estados Unidos. Formou-se em história na Universidade de Radford, na Virginia, e publicou seu primeiro livro, The Siren, em 2009, em uma edição independente.
Beijou aproximadamente catorze garotos em sua vida, mas nenhum deles era um príncipe.
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