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Javier Sierra diz que disposição dos autores será fundamental para a sobrevivência das livrarias

Não basta escrever, tem que promover
Escritor espanhol de best-sellers acredita que a disposição dos autores será fundamental para a sobrevivência das livrarias

Os livros do espanhol Javier Sierra já venderam, segundo ele, quatro milhões de exemplares no mundo, em 40 idiomas. Na semana passada, o escritor esteve aqui para promover sua nova obra, o thriller O anjo perdido (Planeta, 424 pp, R$ 39,90 – Trad. Clene Salles). Ele deu entrevistas, visitou o colégio Miguel de Cervantes, que deve adotar o lançamento no ano que vem, e deu atenção especial às livrarias brasileiras, que impressionaram o autor.

“Fiquei assustado com o tamanho das livrarias aqui, acho que são as maiores do mundo!”, conta Sierra, depois de um giro por unidades da Saraiva e da Livraria Cultura. “Vocês tem muitas lojas e elas são muito grandes, esse é um patrimônio do Brasil.” A impressão não é tão exagerada quanto se poderia pensar, segundo o autor. “Em Buenos Aires, há El Ateneo, por exemplo, que é impressionante, mas é uma só na cidade. Nos Estados Unidos, há livrarias enormes, mas cada vez mais elas diminuem o espaço dos livros e aumentam o de jogos, brinquedos, papelaria...além de estarem muito vazias.”

Para Sierra, os livreiros são, atualmente, o elo mais “desprotegido” da cadeia editorial. “Num futuro imediato, com a ascensão do livro eletrônico e das vendas pela internet, acredito que o papel da livraria vai mudar muito”, diz o autor. Ele acredita que as lojas vão se transformar em espécies de “centro de animação cultural” e caberá aos autores ter disposição para participar de mais e mais eventos, essenciais para a futura sobrevivência das lojas.

No que depender de Sierra, ele vai dar uma força. Desde o começo do ano, o autor já percorreu 70 mil quilômetros em viagens de divulgação. Ao todo, passou por 60 cidades em sete países, entre eles EUA, Argentina e México. A próxima parada depois do Brasil era a China. “Eu aposto no contato físico e me esforço para ser um autor muito colaborativo. Sei que meu trabalho não termina quando eu entrego o livro para a editora”, diz.

Sierra é um dos poucos espanhóis que teve um livro nas listas de mais vendidos dos EUA. Com La cena secreta, figurou nas compilações do The New York Times, USA Today e The Wall Street Journal, entre outras. “Fui o único autor espanhol a entrar em todas as listas americanas”, diz. Graças ao sucesso em território americano, a obra chamou atenção e foi vendida para vários  outros países. O próximo projeto do escritor, ex-jornalista, é levar seus livros para as telas de TV e cinema. “Já existe um produtor em Los Angeles trabalhando na adaptação de La cena secreta. Meus livros dariam bons filmes, o problema é que são muito caros para produzir”, avalia.

Fonte: PublishNews, Roberta Campassi - 29/11/2011

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