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[Resenha] Se Eu Ficar de Gayle Forman e Editora Arqueiro

Se Eu Ficar (If I Stay)
Gayle Forman - Arqueiro
Tradução: Regiane Winarski
208 páginas - R$ 39,90 (impresso) ou R$ 24,99 (ebook)
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Sinopse:
"Não sei mais se pertenço a este mundo.
Não sei se quero acordar.
Em um piscar de olhos, tudo muda. Mia não tem nenhuma lembrança do acidente, mas vê seu corpo em meio aos destroços do carro, ao lado dos pais e do irmão.
Tudo o que ela pode fazer é assistir ao esforço dos médicos para salvar sua vida e recordar seu passado feliz, pensando no que perdeu, no que deixou para trás.
Recebendo a visita de amigos, de parentes e do namorado, Mia se depara com um futuro desconhecido. Ela precisa tomar a decisão mais difícil de todas: se ainda vale a pena ficar ou se deve partir para sempre.
Comemorando 10 anos de lançamento, Se Eu Ficar se mantém como uma história atemporal sobre dor e esperança, amor e memória, e sobre as escolhas que devemos fazer quando tudo parece perdido."

Resenha:

Se Eu Ficar (If I Stay) foi originalmente publicado em 2009 e desde então, vendeu mais de 5 milhões de exemplares em 40 países. No Brasil, foi publicado em 2014, mesmo momento que a adaptação estreou nos cinemas. O filme foi dirigido por E. J. Cutler e estrelado por Choë Grace Moretz. Em comemoração aos 10 anos de lançamento do livro, a Editora Arqueiro relança a obra no Brasil com edição comemorativa com nova tradução, por Regiane Winarski, e conto extra.
É um Young Adult dramático, lançado numa época em que os Sick-Lits dominavam o mercado literário. o livro possui uma pitada de espiritismo. O que acontece conosco após a morte? O que pode acontecer conosco quando estamos entre a vida e a morte?
Mia, a protagonista, é uma adolescente de 17 anos de idade que sofre um acidente de carro e entra em coma. Nesta delicada situação, reflete não apenas sobre a vida, mas também sobre a morte. Através de uma trama comovente e escrita clara e sensível, a autora levanta questões muito profundas sobre o sentido da vida e existência pessoal. Por que existimos? Não a humanidade como um todo, mas qual a importância da vida de cada indivíduo?
O livro continua tão emocionante como há cinco anos atrás, quando o li pela primeira vez. Novamente, foi uma leitura ligeira, que conquista desde o início, segura até o final e cativa o suficiente para trazer uma longa reflexão posterior.


A narrativa é em primeira pessoa, por Mia, e se alterna entre presente (o acidente e a internação da protagonista) e o passado (flashbacks onde Mia compartilha suas lembranças e pensamentos). O presente segue linha cronológica organizada, com a duração de exatamente um dia. O que acontece com Mia durante as horas em que está em coma no hospital? O que ela sente, o que ela pensa, o que ela fará? O passado, por outro lado, segue uma ordem psicológica, ou seja, cronologicamente caótica, mas com sentido completo quando relacionado às ideias e sentimentos de Mia no presente. A duração é imprecisa, pois são diversos momentos da vida da menina e sua família. São fatos aleatórios que ilustram quem Mia é e como enxerga o mundo e a vida.
A relação entre as histórias que Mia relembra com o presente é simples: Conforme ela reflete sobre sua situação, os motivos de estar entre a vida e a morte e, ao mesmo tempo, observando tudo ao redor de seu corpo na cama do hospital, Mia pensa em todos os fatos importantes para ela, portanto, é uma narrativa introspectiva, bastante delicada e muito íntima, que se conecta a quem lê.
Algumas pessoas que passam por experiências de quase morte costumam dizer que reviveram toda a vida como se fosse um filme. É quase isso que Mia enfrenta, juntamente com o presente, onde ela se vê em coma. Ela passa um dia relembrando tudo, sejam situações casuais ou importantes.


Qual é o impacto dos relacionamentos na sua vida? É outra reflexão que a leitura traz. Qual a importância em sua vida das pessoas que você ama? Mia tem uma vida maravilhosa, com família unida e feliz. Os pais são presentes, liberais e compreensivos, sempre apoiando a menina e estimulando-a. O irmão caçula é fofo, esperto e divertido, sempre com observações especiais que só uma criança curiosa faz. A melhor amiga é tão chegada que as duas mais parecem irmãs. O namorado é charmoso, bonito e sensível. Mia está perdendo tudo isso, até a razão de viver.
A paixão pela música está presente entre as personagens. O pai de Mia tocou em uma banda de punk rock, a mãe e o irmão adoram música e o namorado está começando a fazer sucesso com a banda de rock. Mia também ama música, porém clássica, e é violoncelista. Até os amigos da família são ligados a música. Mia se sente um pouco deslocada e a música, tão importante em sua vida, é apenas um exemplo de seu sentimento de deslocamento, de se sentir diferente dos demais. Mesmo assim, a música une Mia aos pais e também ao namorado.
Mesmo tendo uma vida perfeita, se sente um pouco perdida, seja na escola, em casa, no relacionamento amoroso. Ela tem tudo para ser completamente feliz, porém sente que falta algo em seu coração. Você já se sentiu assim? É uma reflexão muito interessante e complexa.


Esta é uma trama de linguagem simples, mas de uma carga emocional e sensibilidade grandes. Mostra que não importa a complexidade do enredo, uma boa história sempre conquista, mesmo com abordagem acessível. E ainda assim, as reflexões podem ser inúmeras e profundas.
Um dos pontos mais interessantes do livro, é que existe inversão do padrão narrativo. O clímax da história já acontece no começo, não no final (o acidente). Então o leitor mergulha com Mia em seus conflitos e o clímax é pausado, aguardando a solução. É instigante e diferente.
Sua vida está por um fio e, aos poucos, Mia está perdendo tudo. Agora, ela sabe de verdade o que é estar incompleta e essa é uma das mensagens da autora: O que é importante para você? De verdade, no fundo do seu coração?
O conflito central surge: Se o corpo está em coma, mas ela circula livremente pelo hospital, enquanto familiares e amigos se revezam na sala de espera, é ela quem decide se fica ou se vai? Se vive ou morre? Ela pode acordar do coma quando desejar? Se sim, como? E mesmo que viva, o que vai acontecer, agora que tudo mudou? "E se eu ficar" - é a pergunta que ela se faz, relembrando os mais doces momentos da vida.


Gostei de Mia desde o princípio, assim como da rápida evolução pessoal que a menina é obrigada a desenvolver. Sua família me conquistou de imediato, ao contrário de seu namorado. Não me conectei com o romance entre eles. Sinceramente só gostei de Adam na reta final da história.
Embora seja um drama e uma situação extremamente difícil e triste, a vida de Mia é bonita e divertida, então o livro traz cenas engraçadas, variadas e envolventes. Não é um livro para deprimir, é para aquecer o coração. Sou muito emotiva em relação às perdas e ao sofrimento por luto, porém não chorei. A história é triste, mas a autora não se aproxima do desespero que a situação da protagonista apresenta, optando em mostrar a beleza da vida, do amor, da amizade e da esperança.
O conflito da protagonista me envolveu e a escrita singela da autora me capturou. É uma história melancólica e doce, mas é um livro breve e eu até gostaria que fosse mais explorado. A simplicidade carrega nas entrelinhas as mais intensas mensagens sobre amar e ser amado e valoriza a vida, mesmo nos momentos mais sombrios. A obra que traz reflexões sobre amor, família e a razão de se viver.


Gayle Forman já vendeu mais de 9 milhões de livros e também é autora de Eu Perdi o Rumo, O que Há de Estranho em Mim e Eu Estive Aqui (resenha), todos publicados no Brasil pela Editora Arqueiro. Se Eu Ficar é o primeiro livro de uma duologia e a continuação é Para Onde Ela Foi.
Este exemplar de Se Eu ficar foi uma cortesia da Editora Arqueiro para resenha. A edição física possui orelhas, páginas amareladas, capa com detalhe dourado nas letras e excelentes tradução, revisão e diagramação. Leia um trecho de Se Eu ficar clicando aqui.
A edição traz ainda o conto Profecia, um texto extra onde Gayle Forman conta de onde surgiu a ideia para escrever Se Eu Ficar, uma entrevista com a autora sobre o livro e um apêndice com todas as músicas citadas.



A autora:
Gayle Forman começou sua carreira entre as letras como jornalista, mas, aos 34 anos, ingressou no universo literário. Com 9 milhões de livros vendidos no mundo, também é autora de Eu Perdi o Rumo, O que Há de Estranho em Mim e Eu Estive Aqui, publicados pela Editora Arqueiro. Se Eu Ficar vendeu mais de 5 milhões de exemplares em 40 países.
Atualmente, Gayle mora no Brooklyn com o marido e as filhas.
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