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12 de novembro de 2011

Harry Potter e A Pedra Filosofal de J. K. Rowling

Harry Potter e A Pedra Filosofal (Harry Potter and the Philosopher's Stone)
Série Harry Potter - livro 1
J. K. Rowling - Editora Rocco
263 páginas - Ano: 2000 (1997 na Grã-Bretanha)
Tradução: Lia Wyler

Sinopse:
"Harry Potter é um garoto cujos pais, feiticeiros, foram assassinados por um poderosíssimo bruxo quando ele ainda era um bebê. Ele foi levado, então, para a casa dos tios que nada tinham a ver com o sobrenatural, pelo contrário. Até os 10 anos, Harry foi uma espécie de gata borralheira: maltratado pelos tios, herdou roupas velhas do primo gorducho, teve óculos remendados e foi tratado como um estorvo. No dia de seu aniversário de 11 anos, ele descobre sua verdadeira história e seu destino: ser um aprendiz de feiticeiro até o dia em que terá que enfrentar a pior força do mal, o homem que assassinou seus pais. O menino de olhos verde, magricela e desengonçado, tão habituado à rejeição, descobre, também, que é um herói no universo dos magos. Potter fica sabendo que é a única pessoa a ter sobrevivido a um ataque do tal bruxo do mal e essa é a causa da marca em forma de raio que ele carrega na testa. Ele não é um garoto qualquer, ele sequer é um feiticeiro qualquer; ele é Harry Potter, símbolo de poder, resistência e um líder natural entre os sobrenaturais. A fábula, recheada de fantasmas, paredes que falam, caldeirões, sapos, unicórnios, dragões e gigantes, não é, entretanto, apenas um passatempo. Harry Potter conduz a discussões metafísicas, aborda o eterno confronto entre o bem e o mal, evidencia algumas mazelas da sociedade, como o preconceito, a divisão de classes através do dinheiro e do berço, a inveja, o egoísmo, a competitividade exacerbada, a busca pelo ideal - a necessidade de aprender, nem que seja à força, que a vida é feita de derrotas e vitórias e que isso é importante para a formação básica de um adulto."


Resenha:
Demorei muito para ler Harry Potter. Acho que eu devia ter uns 17 anos quando foi publicado no Brasil. Nessa época eu andava lendo livros da Marion Zimmer Bradley por diversão e clássicos da literatura brasileira pela escola. Todos de sebo. Lançaram o filme do Harry Potter no cinema e fui assistir com amigas da escola. Uma delas depois apareceu com o livro na sala de aula, e no intervalo peguei-o e li as primeiras páginas. Achei infantil e apesar de ter gostado do filme, não senti vontade de ler o livro. Até porque eu era muito resistente às modas na época.
Em julho desse ano aproveitei uma promoção e comprei toda a coleção. Que loucura, como há 10 anos atrás não gostei das primeiras páginas comprei agora logo todos os livros? Me sentia envergonhada como leitora, por não ter lido a série. E sou grande fã de Fantasia, gosto de leitura juvenil. Pensei em ler logo, ainda mais que a série já terminou.
Assisti apenas aos dois primeiros filmes, depois parei pois gosto de ler o livro sempre primeiro. Por ter ficado com o visual do filme na cabeça, foi impossível me desvincular disso. Uma boa surpresa é que achei que o filme me pareceu bem fiel ao livro nesse requisito.

O início do livro é um pouco fraco comparado ao meio e fim. Acho essencial conhecer o personagem antes da história em si, mas até Harry iniciar sua aventura rumo á Hogwarts demorou muito (ele somente chega na escola de bruxos no sexto capítulo, sendo que o livro tem dezessete).
Um trecho que me marcou, logo no comecinho do livro:
"Ele vai ser famoso, uma lenda! Eu não me surpreenderia se o dia de hoje ficasse conhecido no futuro como o Dia de Harry Potter. Vão escrever livros sobre Harry. Todas as crianças em nosso mundo vão conhecer o nome dele!" - Professora Minerva, capítulo 1 "O Menino Que Sobreviveu".
Além de ótima escritora Rowling é vidente?

Nesse começo descobrimos que Harry é órfão, vive no armário embaixo da escada da casa de seus tios insuportáveis e medíocres. Seu primo é um gordo mimado e nojento. Em seu aniversário de 11 anos, que seria mais um ignorado e triste dia, Harry tem sua vida completamente modificada e descobre que tem uma vaga em Hogwarts, escola de bruxos, aonde estudaram seus pais. Eles eram bruxos e foram assassinados por um bruxo que tornou-se mal. E além de tudo: Harry é famoso no mundo da feitiçaria, já que mesmo sendo um bebê o tal mago malvado não conseguiu matá-lo, apenas marcando a testa de Harry com uma cicatriz em forma de raio.
Harry conhece Hagrid, Guardião das chaves e das terras de Hogwarts. Através dele Harry adentra nesse mundo novo de magia e descobertas. Conhecemos os coadjuvantes parceiros de Harry: Rony e Hermione. Rony torna-se logo o melhor amigo de Harry, os dois de imediato apresentam simpatia um pelo outro e coisas em comum, como a simplicidade. Hermione de início é vista pelos meninos como uma garota metida e chata, pois está sempre estudando e tentando colocar todos na linha. Antipatia inicial normal, que Rowling encaixou bem na história. É um fato corriqueiro nessa idade, meninos e meninas implicarem uns com os outros. Também nos são apresentados os meninos do contra, os que vão antagonizar e competir com eles na escola, tendo como líder o convencido Draco.

É nesse cenário comum, uma escola, que Rowling enfeita com pitadas de magia. Uma escola, aonde existe o bullying, a competição, as aulas, os trabalhos, as regras. Mas também é uma escola mais atraente que as outras, pois são aulas de feitiços e magia, num ambiente cheio de fantasmas, professores exóticos, unicórnios, centauros, lobisomens, objetos animados, cães de três cabeças, caldeirões, corujas-correio, dragões, passagens secretas... Existem outros detalhes riquíssimos de Hogwarts que Rowling nos presenteia e a partir daí me apaixonei pela história.

A tática de inserir a batalha do bem contra o mal, das escolhas sobre o que é certo e errado, ético e antiético está presente em toda a história. Notamos também no livro bons valores como o respeito ao próximo e o nascimento da verdadeira amizade. A força e a coragem perante o perigo, mesmo que para isso exista sacrifício. O companheirismo sincero.
Temos cenas de bullying (Harry sofrendo nas mãos do primo e seus amigos e até dos tios) e preconceito (Rony e sua família sendo taxados de pobres na escola). O melhor de tudo é que Rowling nos mostra o que é bom e o que é ruim sem percebermos. Por isso o livro é ótimo para os jovens.

O tema principal para mim é o amadurecimento. Os três amigos passam por diversas situações e etapas aonde desenvolvem suas habilidades pessoais. Todos crescem um pouco, apesar de continuarem crianças, não são mais os mesmos e o laço de amizade entre eles está forjado. Evoluem também como bruxos, levando a teoria para a prática. Harry em especial tem uma mudança ainda maior. Ele descobre que não é um menino qualquer, e sim um herói. Mesmo não procurando isso, e esse é o maior charme presente nesse volume 1.

Algumas coisas que gostei muito: dos doces fantásticos, da capa utilizada por Harry, da competição entre as casas, da Floresta Proibida.
Cena que me marcou: Harry olhando pela primeira vez no espelho de Ojesed. Eu me senti ali, na pele do Harry e devido a minha experiência pessoal, pude sentir exatamente o que ele sentiu. Foi emocionante, meu corpo gelou. Outro fato que admirei foi Rowling expor o ponto fraco de Harry, afinal todo herói deve ter um. Nesse momento, Harry lutou contra si próprio.
Uma personagem que destaco: Dumbledore. Uma figura paterna e divertida, que consegue provocar nas crianças respeito e admiração.
Cenas que eu achei fracas, além do início do livro: os jogos de quadribol. Culpa do filme, assumo!
A parte da ação final poderia ter se estendido um pouco mais e o início na casa dos tios um pouco menos.
Pequenos detalhes que passam despercebidos sob a magnitude da história. Não só pela fantasia, mas também pela criatividade e sensibilidade da autora. Simplesmente amei o livro!!
Fecho esta resenha com o seguinte trecho:
"...um amor forte como o de sua mãe por você deixa uma marca própria. Não é uma cicatriz, não é um sinal visível... ter sido amado tão profundamente, mesmo que a pessoa que nos amou já tenha morrido, nos confere uma proteção eterna." - Professor Dumbledore, capítulo 17 "O Homem de Duas Caras".
Quando li isso, chorei pensando na minha mãe.

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