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11 de novembro de 2011

Lima Barreto ganha adaptação para os quadrinhos

Trecho de "Clara dos Anjos", adaptação em quadrinhos de Marcelo Lelise Wander Antunes para livro de Lima Barreto.

Em uma das cenas iniciais de "Clara dos Anjos", adaptação para quadrinhos do romance homônimo de Lima Barreto, o personagem Cassi Jones -um caricato sedutor carioca- é flagrado na cama alheia, prestes a deflorar uma jovem.

Munido de uma pistola, o pai da moça esbraveja: "Indecente! Eu mato... Dou-lhe um tiro na boca!".

"A frase não estava no romance original. Mas escolhi usá-la porque soa gostosa", disse, por telefone, o roteirista Wander Antunes, 45. "Pensei: 'Agora esse livro é meu. E tudo o que o Lima Barreto narra em terceira pessoa vai ser encenado'."

Antunes assina com o ilustrador Marcelo Lelis, 44, a adaptação daquele que foi o último romance de Barreto, publicado após sua morte. Recriado em aquarela sobre nanquim, "Clara dos Anjos" será lançado em novembro pela Quadrinhos na Cia. O posfácio é de Lilia Schwarcz.

Barreto ainda escrevia "Clara dos Anjos" quando morreu, em 1922, de infarto. Deixado incompleto, o livro retratava o subúrbio carioca onde morava, ao qual ele se referia, de forma ácida, como "o refúgio dos infelizes".

Na trama, Clara é uma jovem mulata engravidada pelo conquistador Cassi Jones. Desassistida e maltratada por causa de sua cor ("A culpa foi sua, negrinha!", condena a mãe de Jones), chega ao fim da história "grávida, pobre e preta", conforme escreve Schwarcz.

"O Lima Barreto era um crítico da elite", diz o desenhista Lelis, que pesquisou a iconografia do Rio nos anos 20 para reproduzir a cidade com fidelidade.
Antunes concorda: "Ele tinha raiva -e eu gosto de quem tem raiva".

Após um ano e meio debruçado sobre o romance, conclui: "Esse tipo de tragédia ainda não acabou. O subúrbio do Rio continua a ser habitado por pessoas invisíveis".

Fonte: Folha.

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