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25 de janeiro de 2013

O Mágico de Oz, L. Frank Baum, Editora LeYa + curiosidades

O Mágico de Oz (The Wonderful Wizard of Oz)
Coleção Eternamente Clássicos - Barba Negra
L. Frank Baum - LeYa
Tradução: Santiago Nazarian
Ilustrações: Alvim
192 páginas - Ano: 2011 - R$19,90

Sinopse:
"A casa de uma menina que vive no interior do Kansas é envolvida por um tornado, sendo transportada para a Terra de Oz. Dorothy se aventura pelo colorido e novo mundo que acaba de descobrir.
Tentando voltar para casa conhece pelo caminho um espantalho, um leão e um homem de lata. Juntamente com seu cachorrinho Totó e seus novos amigos ela se envolve na jornada pelos Tijolos Amarelos para encontrar o Mágico de Oz, que poderá realizar os desejos de todos.
Entre aliados e inimigos, Dorothy encontra bruxas, seres e artefatos únicos."

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Resenha:

Durante toda a minha infância eu assisti inúmeras vezes ao filme O Mágico de Oz, lançado em 1939. Embora ele já fosse antigo, toda a magia, fantasia e músicas fizeram dele um dos filmes preferidos de minha infância (juntamente com A História Sem Fim, The Never Ending Story, 1984 - baseado no livro de Michael Ende e Labirinto, A Magia do Tempo, Labyrinth, 1986). Eu e minha irmã tínhamos grande parte das falas decoradas e adorávamos as músicas, mesmo sendo em inglês. Eu sonhava em ter os Sapatos de Rubi (e foi o que pedi de aniversário quando completei cinco anos de idade - em 1989 - embora minha mãe tenha encontrado apenas sapatilhas vermelhas sem brilho).

Apenas agora em 2013 li a obra original de L. Frank Baum publicada nos Estados Unidos em 1900. Sim, demorou muito, mas agora posso ter o orgulho e prazer em dizer que li a história original.
Baum foi magnífico em sua criação e mesmo depois de 113 anos, o livro continua atual e é uma aventura única. É um livro atemporal para adultos e crianças. Certamente ele entrou para a história não apenas pelas vendas e sim por ser inesquecível. Tão especial quanto Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll. (Após ter lido ambas as obras, confesso que gostei mais de O Mágico de Oz por considerar a narrativa superior a de Carroll.)

Continuo a gostar do filme, mas como quase sempre, o livro é melhor que a adaptação. Existem grandes diferenças entre as mídias. Quase tudo está presente no filme, pelo menos o principal, mas falta muito coisa, uma boa parte da aventura e foram feitas modificações drásticas. No entanto, o filme continua sendo uma boa versão, alegre, linda e excelente para a época em que foi filmado. Continua a ter seu esplendor até mesmo hoje em dia. Revi o filme hoje e posso confirmar.
O filme ganha do livro na questão da trilha sonora, suas músicas trazem um ar especial que o livro não possui. Mas o livro não precisa de canções para ser fantástico; o filme precisou delas para atingir o mesmo nível encantador das palavras de Baum. Eu realmente viajei por Oz durante a leitura, como se nunca tivesse visto o filme.
A maior das diferenças entre eles (que para mim foi impactante, mas não abala em nada a história) é que no livro Dorothy encontra os Sapatos Prateados, não de rubis. A mudança foi feita no filme, pois queriam dar grande destaque às cores fortes, já que era um dos primeiros filmes coloridos produzidos.
Por outro lado, o que eu pensava ser apenas parte desse "marketing de jogo de cores" da época nos cinemas existe no livro e nesse ponto, o filme foi muito fiel: Kansas é um local cinza, sem vida e apático, enquanto Oz é o oposto, colorido, brilhante e rico. Por isso Kansas é retratado em sépia e Oz em colorido no filme.
Outra grande participação fica à cargo das Bruxas. No livro é bastante diferente! Muito melhor.

Eu gostei da edição feita pela LeYa Brasil. Ela faz parte da Coleção Eternamente Clássicos. O livro possui uma capa muito viva e alegre, com vetores simples misturados a vários detalhes. A capa segue um padrão em toda a coleção, que é válida de se ter na estante.
O livro é simples e não possui orelhas.
Ao se abrir o livro há uma foto do autor de página inteira e antes de se iniciar a história existe um sumário listando os vinte e quatro capítulos.

Em seguida, uma introdução escrita pelo próprio Baum em abril de 1900. Nela, o autor afirma que "todo jovem nutre um amor profundo e instintivo por histórias fantásticas, maravilhosas e assumidamente irreais." Eu concordo!
Ele alegou que os clássicos contos de fadas marcaram gerações, mas que a da época precisava de "novos contos maravilhosos". Ele achava que eram necessárias histórias sem estereótipos, que fugissem do padrão, mas que mantivessem a fantasia pura e interessante, sem a necessidade de derramamento de sangue ou lição de moral ao término da história. Contos de fantasia deveriam apenas divertir, segundo o autor.
Será que Baum imaginaria que um século depois seria a sua obra a estar entre os clássicos? E que a mitologia criada por ele seria analisada por todos e que seriam encontradas interpretações mais importantes que "lições de moral"?
Ele estava certo de um fato: O Mágico de Oz é um conto de fadas moderno. Essa era a intenção. E continua a ser atual e a divertir até hoje como tal!

Após a introdução de Baum vem o primeiro capítulo.
Ressalto que fiz o download gratuito da obra original em inglês, que é de domínio público e comparei rapidamente com essa edição da LeYa e parabenizo à editora por manter o texto e estrutura originais! Da introdução ao último capítulo, não existem cortes. Eu adorei.
O ponto negativo da edição fica para as ilustrações dispensáveis feitas em preto-e-branco. Embora sejam surrealistas, de bom gosto e bem feitas, encontrei na internet as originais de W. W. Denslow e vi como as originais são maravilhosas e fazem parte do livro tanto quanto o texto de Baum. Senti falta delas na edição da LeYa. Algumas páginas estão na resenha.

O livro possui narrativa em terceira pessoa e embora seja infantojuvenil, é rica e detalhada.
Kansas está cinza, triste e entediante. Dorothy é uma criança órfã que vive com os tios e Totó, seu cachorrinho e sua alegria. Baum descreve como a fazenda está infértil e o tio Henry não para de trabalhar e tia Em de se preocupar. Para onde Dorothy olha ela vê apenas pradarias mortas e acinzentadas. A grama está seca e o povo triste. Seu sonho é ver campos floridos e repletos de pássaros.
A cabana onde vivem é simples e muito pequena. E nela Dorothy voa em um ciclone aterrissa na misteriosa Terra de Oz.

Aos poucos vamos conhecendo esse lugar incrível pela visão da pequena e humilde Dorothy. Ela encontra seres exóticos, atravessa lugares inimagináveis e monta um grupo de amigos fascinante.
A inocência da Dorothy transparece em cada ação da educada menina, através de atos de bondade. Ela salva o Espantalho empoleirado, o Homem de Lata lenhador e o Leão Covarde escondido na floresta. Dorothy é o grande incentivo que todos precisavam. Ela é a revolução em forma de doçura.
Cada um possui suas características fortes e ao mesmo tempo surpreendentes.

Por detrás de cada companheiro de Dorothy nesta jornada existe uma grande ironia: Eles buscam pelo que já possuem! O que falta a cada um: autoconfiança e autoestima.
O Espantalho foi criado há poucos dias antes de Dorothy encontrá-lo, é como um bebê e está em busca de um cérebro. Ele quer ser mais parecido com os homens que o criaram e ter a capacidade de raciocínio e invenção. Mas no decorrer de toda a aventura, embora ele tema o fogo e seja bastante desajeitando na movimentação (já que é feito de palha) é ele o responsável pelas melhores ideias quando surge um obstáculo. Ele tropeça e cai, mas sempre sabe o que fazer para seguirem em frente.
O Homem de Lata já foi um homem de verdade, um lenhador apaixonado. Ele precisa de um coração para voltar a amar/sofrer como antes. Se fosse capaz de evitar o choro pelo caminho, pois se emociona com cada situação e tem afeição e pena de cada pequena criatura ou problema. Ele não pode chorar, pois as lágrimas enferrujam suas juntas. Ele precisa ter a lata de óleo sempre ao alcance, além de seu machado.
O Leão deveria ser o Rei dos Animais, porém morre de medo de descobrirem que se esconde atrás de seus potentes rugidos e nada mais. Ele busca por coragem para assumir a imagem de animal feroz, está cansado de fingir. Durante o trajeto, o Leão demonstra diversas vezes que quando correm perigo de verdade ele é bravo, forte e corajoso - só não percebe isso.

Desde que Dorothy cai na Terra dos Munchkins, calça os Sapatos Prateados mágicos e segue a trilha da Estrada dos Tijolos Amarelos até a última página tantas coisas fantásticas acontecem que o livro surpreende e mais que diverte: abrilhanta o leitor durante a leitura. Não apenas pela Cidade das Esmeraldas, o Palácio de Rubis ou a Frágil Cidade de Porcelanas. Existe muito mais magia nessas páginas. Os Cabeças de Martelo, o Chapéu de Ouro, o Campo de Papoulas Mortíferas, o Senhor Coringa e os Macacos Alados... É um mundo único e impressionante!
O destaque deveria ficar para o Mágico de Oz, o Grande e Temível. Ele governa a Cidade das Esmeraldas e é por ele que Dorothy e seus companheiros buscam. Somente ele tem supostamente os poderes necessários para ajudá-los. É a última esperança! Será ele, recluso em seu castelo, cheio de truques, capaz de fazer magia mais poderosa que as das Bruxas? Será ele um bom mágico e um bom homem? Afinal as Bruxas se assumem como boas ou más, porém... E o Mágico de Oz? Ele é uma grande incógnita.
Gostei como cada uma das personagens encontra um Mágico diferente para somente mais tarde descobrirem sua verdadeira e única face.

Interessante também é a descoberta da geografia da Terra de Oz. Embora nesse livro Baum explique que todo o território de Oz seja cercado por Desertos Intransponíveis, pesquisei a respeito e vi que nas obras seguintes ele apresenta outros territórios de fantasia além desses desertos. E que e alguma forma essas terras estão secretamente ligadas ao nosso mundo.
Em O Mágico de Oz ele se limita a um retângulo dividido em quatro partes e um círculo no centro: Leste, Oeste, Norte, Sul e a Capital.
Cada um deles (exceto a Capital) possui uma Bruxa comandando a região e uma cor predominante.
As Bruxas do Leste e Oeste são más; as do Norte e Sul são boas. Cada região possui um nome e um povo: o Leste é a Terra dos Munchkins (cor azul) e dominado pela Bruxa Má do Leste; o Oeste (cor amarela) é o País dos Winkies e escravizado pela Bruxa Má do Oeste; o Norte (cor roxa) é liderado pela Bruxa Boa do Norte, onde vivem os Gillikins; e o Sul (cor vermelha) é governado por Glinda, a Bruxa Boa do Sul, e seus habitantes são os Quadlings.
O centro (cor verde) é a lendária Cidade das Esmeraldas, Capital e o domínio do principal monarca das Terras de Oz, o Mágico de Oz.

Observação: a região e detalhes do Norte não são mostrados em O Mágico de Oz, apenas em livros posteriores. Conhecemos a Bruxa Boa do Norte, uma boa senhora que ajuda Dorothy a iniciar sua jornada e beija sua testa para protegê-la dos perigos. Já o país e povo não.
Todas as outras Bruxas também aparecem no livro, cada uma com sua participação na história. O destaque está para a maldade da Bruxa Má do Oeste, a vilã direta de Dorothy e para Glinda, a Bruxa Boa do Sul, que desempenha o papel mais importante do livro. Eu diria que ela sim á a personagem que merecia ser título do livro, embora apareça menos que o Mágico de Oz.
E seguindo o padrão de cores afirmo que a cor do Kansas é cinza.

Estou muito curiosa sobre os demais Oz Books (Livros de Oz), adoraria ler todos. Não sei se me interessaria pelos livros de Oz escritos por outros escritores (formando quarenta no total: Famosos Quarenta), mas com certeza leria os outros doze deixados por Baum.
Parece que muito mais informações sobre a Terra de Oz e seus vizinhos além dos Desertos são mostrados, embora existam falhas e incoerências, imagino ser uma série atraente.
Os principais erros e confusões foram feitos por Ruth Plumly Thompson em seus dezenove livros sobre Oz, portanto, talvez não os leia.
Por outro lado gostaria de ler mais de Baum (afinal é ele o criador). A Estrada de Tijolos Amarelos vai da Terra dos Munchkins ao Leste até o centro, na Cidade das Esmeraldas, mas nos livros seguintes outras estradas são apresentadas.

Embora Baum afirmar e oficializar na introdução de 1900 que sua criação é apenas fantasia para entretenimento existem diversas teorias sobre mensagens e simbolismos existentes em O Mágico de Oz e as demais obras. Desde teorias satânicas, principalmente em relação ao filme de 1939, até interpretações de críticas à política estadunidense da época.

A teoria mais aceita por estudiosos é a político-econômica, presente na representação das personagens envolvidas.
Estudiosos de História, Política e Economia da época achavam que muitos dos eventos e personagens do livro lembravam as reais personalidades políticas, eventos e ideias da década de 1890.
A ingênua Dorothy, jovem e simples representa o povo americano perdido e buscando seu rumo. O estado do Kansas seria o escolhido por ser tipicamente rural e cheio de trabalhadores simples. O Partido Populista era muito forte lá - segundo dizem, Baum era populista.
Além disso, o trajeto pela Estrada de Tijolos Amarelos (o ouro) leva para a Cidade das Esmeraldas (verde, o dólar), que pode simbolizar o mundo fraudulento de dinheiro governado por um político calculista (O Mágico de Oz, representação do presidente dos Estados Unidos). Este utiliza dispositivos de publicidade e truques para enganar as pessoas (e até mesmo as Bruxas Boas - outros governantes). Um mago que faz as pessoas acreditarem que ele é benevolente, sábio e poderoso, quando na verdade é egoísta e cruel. Ele envia Dorothy para um perigo grave esperando que ela vá livrá-lo de seu inimigo.

O Leão Covarde seria uma metáfora para o desempenho do exército americano na Guerra Hispano-Americana. Essa guerra ocorreu em 1898 e os Estados Unidos recuperaram o controle de antigas colônias no Caribe e no Pacífico. Baum sempre afirmou ser contra qualquer tipo de colonização, direta ou indireta.
Em outras teorias, ele é o principal representante do Partido Populista, William Jennings Bryan. Um político muito convincente em expor suas ideias, mas que nas eleições nunca provou ser forte como aparentava, tendo concorrido (e perdido) à presidência cinco vezes seguidas. Na última candidatura ele abandonou o Partido Populista e migrou para o Partido Democrata, o que teria contribuído para Baum representá-lo como o Leão Covarde.
O Homem de Lata estaria representando falhas da indústria siderúrgica estadunidense para combater o aumento da concorrência internacional no cenário de 1890-1900. Ele representa o trabalhador das indústrias do nordeste dos Estados Unidos, explorado por ricos empresários, que já não tem mais sentimentos e não faz nada na vida além de trabalhar e trabalhar para ganhar cada vez menos.
O Espantalho seria uma representação dos agricultores dos Estados Unidos e seus problemas no final do século XIX. Os fazendeiros pobres considerados sem cérebro pelas elites, que mesmo assim consegue ajudar a solucionar problemas que surgiram durante a jornada do livro.
O ciclone seria uma metáfora para uma revolução política necessária na década de 1890 que iria transformar o país monótono em uma terra de cor e prosperidade ilimitada. O ciclone foi utilizado como símbolo de mudança política e social em diversas mídias e protestos, como por cartunistas.

Outros supostos simbolismos incluem a Bruxa Malvada do Oeste como uma figura real para o Oeste dos Estados Unidos; se isso é verdade, então os Macacos Alados poderiam representar outro perigo ocidental: os nativos americanos. Baum possuía uma simpatia pelos nativos americanos das planícies, simbolizados na história pelos Macacos colonizados e escravizados.
Alguns teorizam que Glinda, a jovem e bonita Bruxa Boa do Sul utilizou de Dorothy para derrubar seus concorrentes: As duas Bruxas Más e o Mágico de Oz, deixando-a como a única soberana com poderes em Oz, já que a Bruxa Boa do Norte é idosa e omissa e os demais governantes... não posso contar!
Em outra teoria, As duas Bruxas Boas são Glinda, a mesma pessoa e ela se fantasia e finge ser a Bruxa Boa do Norte! Seria uma das heroínas da história na verdade uma interesseira?

Conforme a teoria que Baum era seguidor fiel do Partido Populista e que utilizou o livro para defender a principal ideia do partido: A introdução da prata como moeda de circulação no país, quebrando a hegemonia do ouro, que estava escasso e quase que totalmente sob o domínio dos donos das indústrias e siderúrgicas (em sua maioria membros do Partido Republicano). Então Dorothy pisa com sapatos de prata em cima da estrada de ouro - a prata vence o ouro.
Outro simbolismo da Estrada de Tijolos Amarelos é que ela representa a busca e o caminho para a liberdade e realização de sonhos de um povo (Dorothy, Totó, Espantalho, Homem de Lata e Leão Covarde).
Se o autor quis ou não passar alguma mensagem específica com O Mágico de Oz, eu não sei. Apenas tenho a certeza que a história é esplêndida e única. E que cada leitor é capaz de encontrar sua própria visão. Eu tenho a minha.

Formidável como às vezes o que mais buscamos já está dentro de nós. Talvez busquemos por mais de algo que já possuímos. Insegurança ou excesso? O Espantalho, o Homem de Lata e o Leão já possuem respectivamente: cérebro, coração e coragem.
Uma criança precisou ajudá-los a encontrar dentro de si o que buscavam! Essas três personagens de Baum são caricaturas que encarnam a busca por três virtudes clássicas do ser humano: inteligência, carinho e coragem.
Quando cada um atinge seu objetivo, se sentem completos.

É uma beleza indescritível notar como Dorothy, sua pureza e benevolência fazem dela forte, resistente e imbatível. Como sua força está escondida em sua delicadeza.
Mesmo viajando para um mundo fantástico, cheio de poder, cores e glamour, com palácios de esmeraldas ou rubis, sapatos prateados ou chapéus de ouro, Dorothy não deixa de pensar na simplicidade de seu lar e na sua família humilde. Em momento algum ela deseja ser uma Feiticeira como o povo de Oz a vê ou permanecer em um reino rico, florido e com seres diferentes. Ela quer apenas ir para sua casa com Totó e ter seus tios novamente. Porque "não há lugar como o nosso lar" - resposta dada por Dorothy ao Espantalho quando indagada em como poderia querer abandonar a rica e linda Terra de Oz para retornar ao acinzentado e pobre Kansas.

Percebi que passei mais de vinte anos de minha vida desejando Sapatos de Rubi e agora descobri que os originais são de Prata. Agora quero os dois.

Uma leitura mais que recomendada; é obrigatória!
Bata os calcanhares três vezes e vá até uma livraria ou sebo adquirir um exemplar em texto integral. Recomendo a edição da LeYa Brasil, da Coleção Eternamente Clássicos: é barata, completa e linda!
Para quem lê em inglês o livro é gratuito, pois é de domínio público!

Download em inglês.

O autor:
Lyman Frank Baum (15/05/1856 – 06/05/1919) foi um escritor e teosofista nascido em Chittenango, Nova Iorque. De família com origem alemã, foi o sétimo de nove filhos.
Escrevia desde jovem e publicava jornais com seu irmão. Foi lojista e vendedor ambulante antes de ser escritor famoso.
Foi criador de um dos mais populares livros escritos na literatura americana infantil - O Mágico de Oz .
Em 1897, tornou-se membro da Sociedade Teosófica. Sempre esteve ligado ao teatro, sua outra paixão. Era adorador de aves exóticas. Foi casado e morou por anos em Aberdeen, Dakota do Sul e Chicago, Illinois.
No final da vida Baum estava repleto de dívidas e doente. Devido ao seu amor pelo teatro, ele geralmente financiava peças de teatro, a maioria das vezes com grande prejuízo.
Escreveu diversos livros com vários pseudônimos: Edith Van Dyne, Laura Bancroft, Floyd Akers, Suzanne Metcalf, Schuyler Staunton, John Estes Cooke e Capt. Hugh Fitzgerald.

O filme:

Baseado no livro O Mágico de Oz de L. Frank Baum a Metro-Goldwyn-Mayer lançou em 18 de setembro de 1939 o filme homônimo, dirigido por Victor Fleming, King Vidor e Mervyn LeRoy. Com 1 hora e 41 minutos, este foi uma das primeiras produções a cores no cinema.
O elenco principal contou com Judy Garland (Dorothy Gale), Frank Morgan (Professor Marvel /O Condutor da Carruagem /O Porteiro/O Mágico de Oz), Ray Bolger (Hunk/O Espantalho), Bert Lahr (Zeke/Leão Covarde), Jack Haley (Hickory/O Homem de Lata), Billie Burke (Glinda), Margaret Hamilton (Elmira Gulch/Bruxa Malvada do Oeste/Bruxa Malvada do Leste), Charley Grapewin (Tio Henry) e Clara Blandick (Tia Em).
Em 1940 o filme foi indicado a seis Oscars (Melhores Efeitos Especiais, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original - ganhou estes dois últimos).

Vídeo:
Over the Rainbow (legendado) - Música tema do filme cantada pela atriz Judy Garland (1922-1969), interpretando Dorothy Gale. Foi a música responsável pelo Oscar de Melhor Canção Original em 1940. Composição de Harold Arlen e letra de E.Y. Harburg.



Livros de Oz:
Capa da primeira edição.
O Mágico de Oz é um livro infantil escrito por L. Frank Baum e o primeiro de uma série de catorze livros (Oz Books) que relata as aventuras da menina Dorothy Gale do Kansas, na fantástica Terra de Oz.
Outros dezenove foram escritos de 1921 a 1939 por Ruth Plumly Thompson (1891-1976), e mais sete livros escritos por diversos autores são denominados como os Famosos Quarenta, e considerados como a série clássica original
Depois que as obras originais de Baum se tornaram obras de domínio público, uma infinidade de adaptações, histórias e até quadrinhos foram publicados sobre a Terra de Oz.

O livro de L. Frank Baum teve sua primeira edição publicada em março de 1900, o famoso livro O Mágico de Oz (The Wonderfull Wizard of Oz, a tradução direta seria O Maravilhoso Feiticeiro de Oz, mas no Brasil o livro foi publicado com o mesmo nome do filme, sua adaptação de 1939), traduzido em diversos idiomas, em incontáveis edições e adaptações.
Baum nunca escondeu que sua inspiração foi o livro Alice no País das Maravilhas escrito por Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodgson) e publicado em 1865.
Em 1904, Baum escreveu e publicou a primeira sequência, The Marvelous Land of Oz, explicando que ele a escreveu de má vontade para atender a demanda popular.
Contracapa da primeira edição.
Escreveu também outras continuações, chamadas a partir de então de Oz Books em 1907 (Dorothy and the Wizard of Oz), 1908 (Ozma of Oz) e 1909 (Road to Oz).
Em 1911, ele escreveu The Esmerald City of Oz e disse que não poderia continuar escrevendo mais porque a Terra de Oz tinha perdido o contato com o resto do mundo.
O público se recusou a aceitar essa história, então Baum, em 1913 e todos os anos seguintes até sua morte em maio de 1919, escreveu um livro de Oz: The Patchwork Girl of Oz (1913), Tik-Tok of Oz ( 1914), The Scarecrow of Oz (1915), Rinkitink in Oz (1916), The Lost Princess of Oz (1917) e The Magic of Oz (1919).
Após sua morte, em 1920, o último livro foi publicado. O póstumo Glinda of Oz.

Curiosidades:
Pink Floyd é uma banda de rock inglesa que em 1973 lançou um álbum intitulado The Dark Side of the Moon com dez músicas (um dos álbuns mais vendidos da história). Quando o disco é tocado simultaneamente com o filme O Mágico de Oz de 1939 ocorrem correspondências entre os dois.
Apesar dos integrantes da banda afirmarem que o álbum não tem ligação com o filme, alguns fãs chamam a combinação de The Dark Side of the Rainbow.

Castle Park: A inspiração para a Cidade das Esmeraldas?
- Baum talvez tenha se inspirado em locais da vida real frequentados por ele para a criação dos mágicos lugares em Oz.
Por exemplo, dizem que a Cidade das Esmeraldas foi inspirada por um edifício em Castle Park perto de Holland, Michigan.
Em Peeksill: A verdadeira Estrada de Tijolos Amarelos?
A Estrada de Tijolos Amarelos talvez tenha sido inspirada em uma estrada pavimentada na época por tijolos amarelos. Estes tijolos foram encontrados em Peekskill, Nova Iorque, onde Baum frequentou a Academia Militar de Peekskill. 

- Em uma entrevista de 1903 com a Publishers Weekly, Baum disse que o nome Oz veio quando olhou para seu arquivo O-Z.

- O vestido e blusa utilizados pela atriz Judy Garland durante as filmagens do filme de 1939 foram leiloados em 11/11/2012 por US$ 480 mil. O comprador(a) preferiu permanecer no anonimato. A venda aconteceu em Beverly Hills, Los Angeles, no leilão Ícones e ídolos de Hollywood.

O traje de Judy Garland (Dorothy) foi leiloado por US$ 480 mil em 2012.
- Restam apenas quatro pares de sapatos originais utilizados nas filmagens de O Mágico de Oz. Os Sapatos de Rubi dos cinemas, calçados por Judy Garland. Durante outubro e novembro de 2012 um dos pares participou de uma exposição no Victoria and Albert Museum, em Londres - foi a primeira vez que um dos pares esteve fora dos Estados Unidos. Depois ele retornou ao seu local de origem: o Smithsonian’s Museum , em Washington.

Um dos quatro pares que restam das filmagens de O Mágico de Oz de 1939.
Foto de outubro de 2012, numa exposição em Londres.
- A MGM pagou a L. Frank Baum a quantia de US$ 75 mil pelos direitos de adaptação cinematográfica de seu livro, uma quantia recorde na época.
Totó.
A cada um dos munchkins que aparecem no filme foi pago US$ 50 por semana, enquanto que ao dono do cachorro Totó foi pago US$ 125 por semana.
O orçamento do filme foi de US$ 2,7 milhões, sendo que arrecadou US$ 3 milhões só com seu primeiro lançamento nos cinemas. Atualmente o filme já rendeu muito mais.

- A Warner Bros. foi a responsável pelo relançamento do filme nos cinemas norte-americanos, em 1998.

- Outra versão de Over the Rainbow chegou a ser gravada por Judy Garland, quando sua personagem estava encarcerada no castelo da Bruxa Má do Oeste. Durante sua atuação a atriz começou a chorar espontaneamente, devido à tristeza da cena. Esta sequência terminou ficando de fora da edição final.

O Mundo Fantástico de Oz de 1985.
- O Mundo Fantástico de Oz (Return to Oz) foi um filme de 1985 lançado como uma sequência não-oficial de O Mágico de Oz de 1939. Foi feito pela Walt Disney Pictures e não aprovado pela MGM, a companhia que fez o filme clássico (a MGM tinha os direitos sobre o filme, mas a Disney possuía os direitos sobre os últimos livros de Oz). O filme foi dirigido por Walter Murch. Não foi bem recebido.




Novidade:
A Walt Disney Pictures apresenta o filme Oz: Mágico e Poderoso (Oz: the Great and Powerful).
Não é um remake do filme de 1939. É a origem da Terra de Oz, com fatos ocorridos antes de Dorothy e Totó chegarem à ela. O filme parece ter referências coletadas de toda a série de livros.
A nova aventura fantástica é dirigida por Sam Raimi (Trilogia Homem-Aranha) e produzida por Joe Roth (Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve e o Caçador).
Serão mostradas as origens do adorado e temido Mágico de Oz.
A estreia será em 08/03/2013.

Sinopse:
"Quando Oscar Diggs (James Franco), um inexpressivo mágico de circo de ética duvidosa é afastado da poeirenta Kansas e acaba na vibrante Terra de Oz, ele acha que tirou a sorte grande - e que fama e fortuna o aguardam - isso até que ele encontra três bruxas, Theodora (Mila Kunis), Evanora (Rachel Weisz) e Glinda (Michelle Williams), que não estão convencidas de que ele é o grande mágico que todos estão esperando.
Relutantemente envolvido nos problemas épicos que a Terra de Oz e seus habitantes enfrentam, Oscar precisa descobrir quem é bom e quem é mau antes que seja tarde demais. Lançando mão de suas artes mágicas por meio da ilusão, ingenuidade e até de um pouco de magia, Oscar se transforma não apenas no grande e poderoso Mágico de Oz, mas também em um homem melhor."




Trailer:


Atualização 14/03/2013:
Como eu fiz os meus Sapatos de Rubi da Dorothy, parecidos com o do filme.


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