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8 de julho de 2011

As Areias do Tempo, Sidney Sheldon, Record

Areias do Tempo
Sidney Sheldon - Editora Record - 374 páginas

Sinopse:
"A Espanha, com suas paixões ardentes, ainda dilacerada pelos ódios da sangrenta Guerra Civil, é o cenário desse romance. A história se passa logo depois da morte de Francisco Franco, o ditador que governou o país com mão de ferro por quase quarenta anos.
 Em 1976, o carismático e idealista do proscrito movimento separatista basco, Jamie Miró, liberta da cadeia em Pamplona dois companheiros condenados à morte e foge, perseguido pela polícia e pelo exército.
 O cruel e vingativo coronel Ramón Acoca, no comando da implacável perseguição, desconfia de que os bascos estão refugiados num convento cisterciense nos arredores de Ávila e resolve invadi-lo. Essa decisão desencadeia acontecimentos que vão repercutir e emocionar as pessoas no mundo inteiro, que por duas semanas acompanharão atentas uma terrível caçada humana.
 Na pungente beleza da região rural espanhola, o convento cisterciense repousa, em eterna devoção a Deus. Mas mesmo aí os conflitos do mundo eclodem. As freiras dessa ordem, uma das mais rigorosas do mundo, obrigadas ao silêncio e à reclusão absoluta, subtamente expulsas do ambiente aconchegante e seguro do convento, são brutalizadas e levadas para Madri, presas. Mas quatro conseguem escapar e, arremessadas no perigo e na aventura, vêem-se presas de paixões proibidas a que não podem ceder mas que não ousam negar.
 Irmã Teresa, irmã Lúcia, irmã Graciela, irmã Megan são as principais figuras dessa aventura inesquecível, que combina ação constante e atrações irresistíveis, com um suspense excepcional, as descobertas se sucedendo a todo instante, no ritmo vertiginoso e fascinante que só um autor extraordinário como Sidney Sheldon é capaz de oferecer."

Resenha:
Quatro freiras diferentes que tiveram vidas anteriores ao convento e com também diferentes motivos para terem engressado lá. Elas são retiradas bruscamente e sem escolha de lá e ingressam no mundo real, totalmente desconhecido a elas e ainda por cima se envolvem com um grupo 'terrorista' ETA, no meio de uma guerra contra o Governo espanhol.
A rivalidade principal está entre o procurado líder guerrilheiro basco Jaime e o corrupto, violento e sádico coronel Acoca.

O livro é muito interessante para quem quer conhecer também um pouco da história do País Basco, localizado em quatro províncias na Espanha e três na França e que até hoje quer ter sua independencia total.
A história mostra algumas cidades espanholas, principalmente bascas.
Minha família é basca e minha mãe nasceu na cidade de Vitoria-Gasteiz, uma das cidades que é rapidamente mostradas no livro, o que eu achei pessoalmente interessante.
O povo basco tem uma Lingua própria e exclusiva, que não se liga nem se parece com nenhuma outra conhecida, seja atual ou morta, o que intriga os estudiosos. Possuem toda uma cultura própria, com uma bandeira, feriados, festas, música, comida, dança...
Durante o período em que o 'generalíssimo' Franco esteve no poder, vários grupos etnicos na Espanha foram caçados e os bascos foram os que mais sofreram com isso: foram retalhados, presos e torturados, censurados, proibidos de ter sua bandeira, de falar ou escrever sua língua, de qualquer manifestação pública ou privada de sua cultura. Seus bens, fossem propriedades, negócios, contas bancárias.. foram confiscados. Lembrando que o País Basco nunca teve escolha em ter sido anexado a Espanha e a região é muito rica, o motivo disso! Até campos de concentração existiram.
Minha mãe possuía um nome espanhol no documento de identidade, mas seu nome real era basco. Devido a censura rigorosa, seu nome basco não pôde ser o nome de registro.
A ditadura foi violenta para os bascos, muito mortos ou presos, empobrecidos, envergonhados... outros fugiram do país (o caso da minha família que teve refúgio no Brasil).
Foi por essa situação que grupos separatistas ou a favor da liberdade cultural foram surgindo e o grupo ETA é o principal.

O ETA é mostrado no livro como um grupo que quer a volta da liberdade cultural aos bascos e a autonomia total em relação a Espanha e o autor nos mostra personagens fortes e interessantes, vemos suas motivações em relação a Guerra e percebemos que embora o uso da violência seja injustificável, os guerrilheiros têm seus motivos vistos por eles como justos. Mas também mostra o lado corrupto, frio e violento do Governo espanhol, que mesmo sem Franco, muitos atos de violência e censura ainda eram praticados duramente.
O autor mostra que nada justifica a violência, mas mostra como são os dois lados, deixando claro que todo o povo em si da Espanha, incluindo o povo basco é CONTRA a violência.
É interessante ressaltar que temos muitos livros mostrando o sofrimento que os judeus sofreram no Holocausto, mas existem muitos outros grupos que sofreram também e pouco se é divulgado a respeito. Os próprios russos foram também massacrados durante a Segunda Guerra.
Deveriam existir mais livros com histórias sobre como sofreram os bascos assassinados, torturados e censurados e também espanhois na Guerra Civil espanhola...o massacre em Guernica... a batalha ETA x Governo espanhol, ou observando ainda na Europa, o IRA x Anglicanos.... ou mais remotamente lembrando, os escravos africanos, os massacrados indígenas americanos... como tantas outras guerras acabaram com vidas ou ainda fazem pessoas sofrerem como guerras e conflitos na Iuguslávia, na Caxemira (Índia x Russia), no Afeganistão, no Iraque, em Israel (israelenses x palestinos), Israel x Líbano, no Siri Lanka, no Congo, no Quênia, Timor Leste, na Coréia, no Vietnã ou até mesmo na Colômbia, Angola, Serra Leoa, tribos africanas que vivem em guerra civil constante, ou até mesmo no Brasil, a Guerra trafico x polícia, que deixa a população no fogo cruzado...
É impossível listarmos os conflitos no mundo e o quanto povos sofreram... por isso sou a favor de histórias que não nos deixem esquecermos da tristeza e sofrimento causados por uma guerra que sempre é um retrocesso e uma maldade sem sentido.

Este livro me marcou por diversos fatos: foi herança de minha mãe, a pessoa que nesse mundo me ensinou tudo, incluindo a gostar de livros e odiar a intolerencia e o preconceito. Eu me lembro de ter visto esse livro nas mãos dela e dela dizendo que era sobre a 'terra dela'. Ficou na minha lembrança e quando finalmente peguei-o para le-lo, me senti um pouco mais próxima dela, eu sabia que ela segurou-o e leu todas aquelas páginas e que significavam muita coisa para ela, como significam agora para mim.
Pensei o tempo todo em tudo que minha família sofreu, principalmente minha avó, meus tios-avôs e meus bisavôs - pessoas muito fortes, que sofreram censura, bombardeios, fome, empobrecimento...

Abaixo a capa da edição que tenho:

Sidney Sheldon deixou 18 livros publicados, traduzidos em 51 idiomas, espalhados por 180 países. E ainda escreveu 250 roteiros para a tv, 6 para peças da Broadway e 25 para filmes! Faleceu em 2007 por complicações de uma pneumonia.

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