Pesquise no Leitora Viciada

24 de julho de 2011

Você sofre de Biblioamnésia?

Lendo hoje a revista Galileu de Julho, da Editora Globo, na tira "Glossário - As Palavras que a gente encontra por aí" me deparei com esta expressão desconhecida "Biblioamnésia". Como uma leitora viciada não conhece essa palavra?
No minitexto da revista diz que essa expressão foi inventada pelo autor Danny Heitman (Biblio-amnesia), e trata-se de um mau sofrido por todos os leitores, em diferentes níveis: o livro simplesmente desaparece de sua mente.
Pode ser um sintoma muito comum: ao fechar as páginas, por mais que a história tenha sido marcante, talvez você não seja capaz de se lembrar de todos os detalhes. Embora você reflita sobre o tema, sobre os personagens, mesmo fazendo uma resenha ou comentando sobre o que leu por aí... algumas coisas podem escapar de você, leitor atento e experiente.

Ou talvez o sintoma seja: por algum motivo, você não tem tido tempo ou disposição para ler diariamente. Então você automaticamente coloca o marcador de livro ali e quando retorna àquela página você pensa: 'nossa, o que aconteceu mesmo?' - e é obrigado a reler as páginas passadas.
Ou talvez após dias ou algumas semanas após o término da leitura, você já percebe que esqueceu até mesmo de alguns personagens, pelo menos o nome de alguns... ainda lembra dos protagonistas, porém os personagens secundários tendem a desaparecer.
Depois de alguns meses, você precisa se esforçar para lembrar de todo o desenrolar da trama, ou você começa a embaralhar a ordem dos acontecimentos do livro quando relembra a leitura.
Com o decorrer dos anos, pode até mesmo esquecer que leu determinado livro! Como o livro pode ter sumido da memória? Biblioamnésia.
É muito mais comum do que se imagina.
Como a notinha na Galileu é muito curta, eu pesquisei sobre o texto original. O artigo saiu no The Washington Post, em inglês, realmente escrito por Danny Heitman em 10 de Julho de 2011.
Eu li o artigo dele e realmente é engraçado. Ele começa contando que estava muito animado com a leitura de verão, e ao buscar o livro para ler, ele comprou num sebo um livro escrito por um autor que ele gosta.
Então, voltando para casa, numa sensação de deja-vu ele se pergunta: "eu já li esse livro?" - bastou uma busca em sua estante na sala de estar para perceber o mesmo livro, numa versão surrada e já lida por ele. Além disso, haviam anotações no livro e ao reler algumas dessas passagens, ele não consegue reconhecê-las, mesmo antes tendo sido todas marcadas como memoráveis.
Concluindo, o livro é bom, idem o autor. O problema é realmente a Biblioamnésia. Ele conclui que isso não deve ser uma surpresa. Após décadas de leitura, seria normal algumas delas desaparecerem.
Existe o outro lado da moeda. A proeza de após anos e mais anos, você reler um livro e perceber que se lembra de tudo ou quase tudo, ou olhar uma capa e pensar em como parece que foi ontem que leu esse velho conhecido, com todos os personagens vivos em suas lembranças. Alguns livros parecem ser realmente como amigos conhecidos, tornando-se nossos preferidos.
Isso me fez refletir: o que eu devo realmente ler? Eu deveria selecionar mais as páginas presentes em minha vida?
O que é mais importante, a quantidade ou a qualidade? Seriam os dois? Quanto mais leio, mais amplio meus horizontes e minha cultura. Porém isso tudo vale alguma coisa se não houver qualidade nas informações que entram no meu cérebro? Será que mesmo os melhores livros, lidos por pessoas inteligentes, podem desaparecer com o tempo, sem motivo?
Devemos praticar mais a releitura??
Ou qualquer leitura é válida, desde as mais simples ou fúteis até as mais rebuscadas e interessantes? Talvez tudo dependa do momento em que nos encontramos. É uma coisa muito pessoal.
Concluí que pessoalmente, não sofro muito de Biblioamnésia, mas sofro. Talvez isso piore com o tempo. Pelo menos me recordo de tudo que guardo em minha estante. Muitos livros que não estão aqui, ou porque os troquei, vendi, dei... ou porque eram emprestados e não senti necessidade de comprar um exemplar para mim.
Esses sim, muitos estão perdidos em algum lugar do meu cérebro. Pelo menos a maioria. E daí? Para isso comecei a escrever resenhas sobre o que leio.
O que importa mesmo é o que os livros nos acrescentam naquele momento em que são lidos. Diversão, conhecimento, distração, reflexão, sensações... o que quer que seja, os livros sempre nos acrescentam algo. Nem que seja para ser esquecido depois.

E você? Em que nível está sua Biblioamnésia?

Fonte: The Washington Post
O texto é meu! Seja criativo e não o utilize. Link para cá, jamais plagie.

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