Resenha: Contagem Regressiva, de Ken Follett e Arqueiro

Contagem Regressiva (Code To Zero)
Ken Follett - Arqueiro
Tradução: Alves Calado
320 páginas - R$ 44,90 (impresso) e R$ 24,99 (ebook)
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Sinopse:"Certa manhã, um homem acorda no chão de uma estação de trem, sem saber como foi parar ali. Não faz ideia de onde mora nem o que faz para viver. Não lembra sequer o próprio nome. Quando se convence de que é um morador de rua que sofre de alcoolismo, uma matéria no jornal sobre o lançamento de um satélite chama sua atenção e o faz desconfiar de que sua situação não é o que parece.
O ano é 1958 e os Estados Unidos estão prestes a lançar seu primeiro satélite, numa tentativa desesperada de se equiparar à União Soviética, com seu Sputnik, e recuperar a liderança na corrida espacial.
À medida que Luke remonta a história da própria vida e junta as peças do que está por trás de sua amnésia, percebe que seu destino está ligado ao foguete que será disparado dali a algumas horas em Cabo Canaveral. Ao mesmo tempo, descobre segredos muito bem guardados sobre sua esposa, seu melhor amigo e a mulher que ele um dia amou mais que tudo.
Em meio a mentiras, traição e a ameaça real de controle da mente, Luke precisa correr contra o tempo para conter a onda de destruição que se aproxima a cada segundo."

Resenha:
O britânico Ken Follett, autor de O Buraco da Agulha, Os Pilares da Terra, As Espiãs do Dia D e da série O Século, dentre outros, costuma escrever ficção histórica em duas formas: sagas longas e detalhadas que atravessam o tempo e romances breves em ritmo de thriller. Contagem Regressiva (Code To Zero), publicado originalmente em 2000 e lançado no Brasil pela Editora Arqueiro em 2019, sob tradução de Alves Calado, se enquadra no segundo tipo: é simples, dinâmico, empolgante e repleto de ação. O fato histórico que rege a trama são os últimos preparativos para o lançamento pelos Estados Unidos de seu primeiro satélite, em 1958, o Explorer I. No ano anterior, a União Soviética, rival dos Estados Unidos, havia lançado o Sputnik I, e, portanto, em plena Guerra Fria e numa corrida armamentista e tecnológica, a nação norte-americana não pretendia ficar para trás. O protagonista do livro, Luke, acorda no chão de um banheiro público em Union Station, Washington, DC, sem memória e com roupas sujas e maltrapilhas. Sem identidade e destino, pensando ser um mendigo, Luke logo demonstra um conhecimento avançado de matemática e física, além de hábitos bastante diferentes dos de um alcoólatra em situação de rua. Ele também parece ter instintos e habilidades inusitados, que mais se parecem com os de um agente secreto. Quem é Luke e por que ele parece saber tudo sobre o Explorer I? Por que ele está sem memória e sendo vigiado por pessoas estranhas? Descobre, portanto, uma tentativa de sabotagem do satélite e parece que ele mesmo é uma peça fundamental para impedir que isso aconteça. Esta é a premissa do livro cheio de perseguição, mistério, traição e ação.


A narrativa é em terceira pessoa e o ponto de vista se alterna entre o do protagonista e um outro que lhe é oculto. O livro tem cinco partes e ainda se divide em capítulos, onde cada um identifica o momento dos acontecimentos, seja o atual — três dias corridos em 1958, com Luke tentando descobrir o que está acontecendo, e que correm de hora em hora — , e o passado recente, com flashbacks em 1941 a 1945, além de um salto no tempo que ocorrerá depois, em 1969. E ainda, cada capítulo do presente é iniciado com uma epígrafe, destacando o progresso do lançamento do Explorer I em Cabo Canaveral, na Flórida, com detalhes da estrutura, funcionamento e ação. Conforme o título, a narrativa faz uma contagem regressiva para o lançamento do satélite, pois as horas vão se passando e fazem quem lê se perguntar o que vai acontecer até lá. É um método para provocar mais interesse e ansiedade em quem lê.
Inicialmente a questão principal é quem é Luke e qual a ligação dele com o Explorer I. Em seguida, os motivos de Luke ter tentado determinada ação antes de perder a memória. E por último, o que vai acontecer com ele e as personagens envolvidas. Caso você desconheça a história do Explorer I, ainda vai desejar saber se ele será lançado. É bem interessante como Follett une ficção a fatos históricos. Particularmente adoro tramas onde ficção e realidade se misturam, especialmente como ocorre aqui, onde fica difícil saber o que é o que.


Segredos e relacionamentos do passado influenciam muito os acontecimentos atuais. Aos poucos Luke percebe que quatro antigos amigos de Harvard estão, de alguma forma envolvidos: Anthony Carroll, chefe do departamento de Serviços Técnicos da recém-formada CIA; Billie Josephson, uma inovadora psicóloga e pesquisadora do Georgetown Mind Hospital; Bern Rothsten, ex-marido de Billie, ex-espião, autor famoso de livros infantis; e a esposa de Luke, Elspeth, uma matemática brilhante que atua como secretária. Ele não se lembra de nenhum deles, nem da esposa, mas vai se envolver novamente com o grupo, sem saber em quem confiar. Alguns vão ajudá-lo, outros dificultarão suas ações.
Interessante que quando se lê os flashbacks, se tem o acesso a informações que Luke não tem, visto que não se lembra, como por exemplo o fato de Billie ter estado envolvida romanticamente com ele e, em outro momento, com Anthony e que seu relacionamento com Elspeth é antigo, mas que tinham se separado por um curto período antes de se reencontrarem; ou que Bern e ele se desentenderam gravemente, se tornaram rivais. As relações entre eles influencia as atitudes, assim como a visão particular e ideologias de cada um sobre o mundo bipolarizado, e isso tudo faz a trama sofrer reviravoltas. Então eu lia sobre o passado e tentava entender laços e atitudes, e imaginava o que iria acontecer.
As personagens são interessantes, porém algumas são um pouco estereotipadas e, mesmo gostando muito de cada uma, elas não me surpreenderam tanto como eu gostaria, porque basicamente adivinhei quem realmente estava ao lado de Luke e quem antagonizaria. Ainda assim, tive muitas outras surpresas, estas ligadas mais aos motivos que às atitudes em geral. Adorei as personagens Billie e Bern, achei ambos bem estruturados, com boas motivações e ótimas personalidades, principalmente Billie, mas foram Anthony e Elspeth que me decepcionaram. Anthony não era para ser uma surpresa, percebe-se isso claramente desde o início, mas achei que Elspeth merecia melhor desenvolvimento e uma justificativa principal mais forte.


O ritmo do livro é ótimo e o suspense possui um bom nível, o que me fez ficar bastante ligada na leitura. O desenvolvimento é muito bom, especialmente quando o autor liga fatos do passados nas personagens aos acontecimentos do presente. O final não é impressionante, mas é energético como todo o desenvolvimento de enredo.
Gostei muito de conhecer as versões estudantes de faculdade das personagens, em sua juventude ainda intacta mas já influenciada pela geopolítica. Vale observar como a Segunda Guerra foi um divisor de águas em todos os sentidos: nas opiniões, sentimentos, experiências e motivações de cada uma. Como cada personagem mudou com a guerra e como isso as influencia posteriormente. Na verdade, estas mudanças foram o que mais apreciei no livro, o pano de fundo. Os relacionamentos são interessantes, há um pouco de amizade, redenção, traição e desconfiança, e até mesmo romance e erotismo, mas esta parte não tira o foco da ação e do suspense central.
A ambientação dos Estados Unidos das décadas de 1940 e 1950 me pareceu muito realista e o clima de polarização da Guerra Fria é excelente. Particularmente, adoro esse clima! Embora não seja considerado um dos melhores livros de Ken Follett, Contagem Regressiva é ideal para quem gosta de tramas de espionagem passadas na Guerra Fria e perfeito para quem curte ficção pós-Segunda Guerra e sobre os primórdios da corrida espacial americana, mas vai agradar os fãs de thrillers ambientados no século XX.
A edição do exemplar físico da Arqueiro é ótima e segue o padrão gráfico de todos os livros do Ken Follett publicados pela editora. O exemplar tem orelhas, miolo em papel amarelado e excelente revisão.



O autor:
Ken Follett despontou como escritor aos 27 anos, com O Buraco da Agulha, thriller premiado que chegou ao topo das listas de mais vendidos em vários países. Depois de outros sucessos do gênero, surpreendeu a todos com Os Pilares da Terra – publicado em e-book pela Arqueiro –, um romance que até hoje, quase 30 anos após seu lançamento, continua encantando o público mundo afora. Coluna de Fogo, ambientado no mesmo cenário, foi o lançamento mundial mais recente do autor.
Suas obras já venderam mais de 160 milhões de exemplares. Eternidade por um Fio, último volume da série O Século (composta também por Queda de Gigantes e Inverno do Mundo), foi direto para a primeira posição das listas de mais vendidos de vários países. Dele, a Editora Arqueiro publicou também Mundo sem Fim, Um Lugar Chamado Liberdade, Noite sobre as Águas, As Espiãs do Dia D, O Homem de São Petersburgo, A Chave de Rebecca, O Voo da Vespa e Contagem Regressiva.
O autor vive na Inglaterra com a mulher, Barbara Follett.
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2 comentários

  1. Oi Tati, menina, curti tua resenha, mas não leria, pelo tema sabe, quando envolve guerra eu to fora, mas já tive vontade de ler alguns livros do autor, como Os Pilares da Terra..

    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

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    1. Oi, Camila, então pode ler! Não mostra nada de guerras, apenas espionagem que ocorre nestes períodos de Segunda Guerra (muito pouco) e mais da Guerra Fria (o tema mesmo). Abraço.

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