Em Busca da Terra Sem Mal, Claudio Rangel, Clube de Autores

Em Busca da Terra Sem Mal - A Pirâmide Amazônica
Claudo Rangel - Clube de Autores
243 páginas - Ano: 2011 - R$42,62

Sinopse:
"Milhares de anos depois do anúncio da existência do continente perdido da Atlântida, feito pelo filósofo Platão, a história ainda é considerada como imaginária em pleno ano de 2012, principalmente pelo cético e crítico jornalista Ivan Braga. Este ceticismo começa a ser abalado depois que Ivan é contratado para realizar um documentário em plena mata. O jornalista nem suspeita da real intenção de seus patrocinadores - dirigentes de uma organização esotérica secreta mundial. “Confesso que eu era bastante cético. Diziam que os guaranis são descendentes dos atlantes e que construíam pirâmides para harmonizar o planeta. Inicialmente, fiz o trabalho por dinheiro. Mas, coisas como um índio vestido de terno portando uma cruz esquisita no peito, mitos sobrenaturais indígenas semelhantes aos contos europeus e histórias fantásticas sobre Atlântida, guaranis e o poder das pirâmides abalaram minhas convicções. Depois de enfrentar na selva índios hostis, traficantes e a ira de um general, parece que fui ‘iniciado’ dentro de uma pirâmide no meio mato. E ainda conheci minha amada”, disse o jornalista Ivan Braga."

Resenha:
Ganhei este livro no sorteio entre blogues literários realizado pelo Clube dos Novos Autores e o recebi com um lindo kit. O livro possui um excelente acabamento e uma capa diferente e enigmática. Ao ver essa capa exótica e a sinopse intrigante, não tem como o leitor, ao menos, não sentir grande curiosidade sobre o livro.

O autor possui uma boa narrativa, fluida e dinâmica. Encaixa-se perfeitamente na proposta de um livro de aventura e ação, gênero predominante da história, apesar de termos também romance.
Além disso o livro é fantástico com muitos ingredientes sobrenaturais, presentes no folclore indígena, lendas milenares e sobre Atlântida. Impressionante como o autor expõe a cultura indígena, mostrando mitos, tradições e hábitos.
Com certeza foi um grande presente ler um livro com essa temática. Quase não encontramos livros genuinamente brasileiros, ou seja, explorando o folclore brasileiro, transformando-o em um bom livro de fantasia.
Aliado a isso, aparecem as teorias do fim do mundo em 2012, com seus terremotos e catástrofes cada vez mais frequentes. A história se inicia em meio de 2012.
Há também uma crítica social, sobre o direito do índio de manter suas tradições e ser respeitado; uma crítica ecológica, sobre como a Humanidade vem tratando o ecossistema do planeta.

O autor acrescenta muitas coisas interessantes a trama, como grupos indígenas rivais, traficantes de cocaína e militares poderosos. Além desses grupos exóticos se enfrentando em plena selva, temos os exploradores que estão em busca de algo totalmente incrível e inacreditável: uma pirâmide mágica em plena floresta Amazônica!

O grupo é formado pelo protagonista Ivan, um jornalista cético que acaba se juntando aos exploradores para gravar um documentário sobre a Terra Sem Mal. Apesar de não acreditar em nenhuma lenda ou história esotérica, ele aceita o convite de dois britânicos que financiam o projeto por causa do dinheiro e por causa da bela mestiça Luana.
Descendente de índios e irlandeses, Luana é antropóloga e arqueóloga; uma mulher lindíssima e culta, e muito corajosa. Ela foi criada em meio aos índios guaranis e é perita em sua cultura.
J. Gomes é um fotógrafo freelancer que adora festas, bebidas, mulheres e dinheiro. Aceita integrar a equipe que produzirá o documentário pelos mesmos motivos de Ivan: Luana e o pagamento.
Kaiowa é um índio experiente e inteligente, com modos europeus, o que faz dele o integrante mais intrigante e misterioso do grupo. Ele tem o mapa e sabe tudo sobre a pirâmide misteriosa.
Vão ainda com eles o cinegrafista e o ajudante, completando o grupo principal - dupla responsável por algumas risadas.

A trajetória não é nada fácil, os perigos da mata, animais selvagens e seus segredos são obstáculos a serem ultrapassados. Os militares que querem impedir que os exploradores cheguem a pirâmide e os traficantes interessados no ouro do local são também barreiras complicadas. Porém o perigo maior talvez seja a magia da selva, com seres fantásticos e acontecimentos chocantes.
Situações de risco e emoção, aonde não se distingue o que é real e o que é imaginário. Através de trilhas e tribos o autor nos faz viajar em meio a emocionante aventura na maior e mais desconhecida floresta do mundo.
Será que Ivan conseguirá romper seus preconceitos contra o desconhecido? Seu ceticismo se manterá intacto após inúmeras provas de que o fantástico existe? E ele conseguirá conquistar o coração de Luana, a bela índia cientista?

Tenho uma reclamação sobre a moça. Não sobre ela exatamente, eu adorei a personagem: ousada e inteligente. O problema está no fato de todos os homens a tratarem como um pedaço de carne. Todos deixam a moça constrangida com tanto que tentam seduzi-la. Mas ela não é boba!

E a segunda reclamação é sobre a revisão precária. Encontrei inúmeros erros gramaticais, alguns grosseiros. Na diagramação os hifens substituem os travessões em grande parte do texto. Mas é claro que nada disso atrapalha a leitura, a história é muito boa para deixarmos de ler por falhas técnicas. Meu conselho é que o autor ao publicar uma segunda edição se preocupe com esse detalhe.

Eu me diverti muito durante a leitura, me lembrei da época em que lia algumas aventuras da série Vagalume quando criança, só que num nível adulto, claro. Ás vezes me sentia como num filme estilo Indiana Jones ou A Múmia, só que em pleno solo brasileiro.

Quem gosta de mistério, mitologia, aventura, conspirações e folclore indígena vai adorar o livro, bem diferente!

Trechos:
"O coronel Peixoto imediatamente iniciou o recrutamento de homens, armas e equipamentos. Iria atrás de Ivan e seus amigos. O objetivo era impedir que o grupo de Kaiowa e Ivan Braga chegasse na pirâmide amazônica."
"Diaz colocou o mapa no bolso. Recebeu um recipiente de mandioca recomendado por um de seus capangas, comeu, voltou-se para o grupo e disse:
— Vocês ganharam mais uns dias de vida. Seguirão com a gente."
"Cerca de quinze mulheres se puseram dispostas em um círculo, no pátio central do povoado. Cada uma empunhava um pedaço de bambu, com que marcavam o tempo do cântico. Luana era uma delas." 
"Seguiu-se um silêncio gelado. Lá estavam eles, três seres humanos parados diante de um lago. Nenhum outro animal ousava a se aproximar daquela área. ... E mais uma vez ouviram o som doce, suave e de tom baixo. Parecia um murmúrio. Um gemido feminino." 
"Ao ver o índio civilizado entrar na sala, Ivan Braga começou a se perguntar se estaria no caminho certo por ter aceitado o trabalho proposto por aquela gente esquisita." 
"Ao sentar em um galho firme, Rodolfo olhou para baixo e viu o monstro que o perseguia. O ser sobrenatural parou por uns instantes."
"Era um cordão de fios dourados. Sustentava um pedaço de material brilhante, uma pequena pedra, mais semelhante a uma pirâmide de cristal, que pousava suavemente entre os seios."

Links: Skoob | Clube de Autores | Degustação

O autor:
Atuando no jornalismo independente há mais de 20 anos, participa de ordens esotéricas e grupos filantrópicos. É formado em Comunicação Social Habilitação Básica em Jornalismo pela Universidade Gama Filho. Tem pós-graduação em Assessoria de Imprensa pela Universidade Estácio de Sá.

8 comentários

  1. Ola querida!

    Obrigada por nos resenhas!
    Li este livro e tive as mesmas impressões que as suas...
    Gostei muito de seu jeito de resenhar.
    Um abraço.

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  2. Oi, Adriana, eu que agradeço você e o autor.
    Nunca li um livro nacional tão diferente, muito bom!

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  3. Oi Tati, adoro suas resenhas pela riqueza de detalhes que você coloca nas suas impressões.
    Um dia, talvez, eu chego lá.

    Beijos
    Leitora Incomum

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  4. Fer, que bom que gosta das minhas resenhas. Mas vc escreve muito bem! Beijo.

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  5. Adoro a forma como você resenha Tati! *-*
    Você explora o livro de uma forma surpreendente...
    Parabéns!

    Adorei!

    :*
    Mi
    Inteiramente Diva

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  6. Mi, muito obrigada pelo elogio, você é uma fofa e ótima resenhista! Beijo.

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  7. Querida Tatiana,
    Obrigado pela bela resenha de meu livro.
    Informo que todo o texto já passou por novas revisões. Mas alguns personagens insistem em falar 'errado'.
    A criação deste texto tem uma história paralela. Antes de concluí-lo, cheguei a entrar em contato breve com remanescentes de uma tribo guarani, em Curitiba. Pesquisei muito os mitos populares e indígenas, a forma como as mulheres da tribo preparam o cauim, os seres sobrenaturais presentes em seu imaginário, etc. A minha intenção inicial era discutir novas formas de organização social, com base no que encontramos no Brasil. Como a economia da reciprocidade dos guaranis. Mas a história acabou tomando outro rumo. Coisas que acontecem durante o ato de escrever. Acabamos nos sensibilizando com as teorias do 'rejeitado' arqueólogo amazonense Bernardo da Silva Ramos sobre a origem dos povos nativos de nossa Terra, as preocupações ecológicas, entre outros temas.
    Em nosso círculo, discutimos muito a necessidade de explorarmos mais os temas nacionais. O momento está muito propício. Cabe a nós, formiguinhas da literatura nacional, começarmos a mostrar toda esta riqueza ao mundo.
    Muito sucesso a você, ao seu blog, a Adriana, e a todas essas mulheres que tornam o Brasil cada vez mais atraente.

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    Respostas
    1. Oi, Claudio, agradeço sua visita e seu comentário! Amo quando os escritores respondem as resenhas.
      Parabéns pelo seu trabalho e pesquisa, uma obra tão criativa e de temática mágica... os leitores brasileiros deveriam ler mais a literatura nacional.
      Beijo e obrigada.

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