[Leitura do Dia] It: a Coisa, de Stephen King e Suma — Parte 4 (Julho de 1958)

Esta é a quarta e penúltima postagem da leitura coletiva de It: a Coisa, obra-prima do Stephen King publicada pela Editora Suma. A editora organizou uma agenda com debates sobre cada uma das cinco partes do livro, para dar tempo aos participantes de ler ou reler o livro antes da estreia nos cinemas de It: Capítulo 2.
Aproveitando a ação, fiz uma pequena mas interessante entrevista com a tradutora do livro, a Regiane Winarski. Se ainda não leu, clique aqui e confira as respostas dela para questões sobre It, King e a carreira na tradução literária.
Voltando ao assunto da leitura coletiva, quem participa posta como está sendo a experiência nas redes sociais utilizando a hashtag #SumaLendoIT. Além disso, estou escrevendo aqui minhas sensações e pensamentos com MUITOS SPOILERS e também trechos destacados.


Desta vez é à respeito da quarta parte do livro, que vai da página 460 até a 868. Não se esqueça: A Suma reserva uma publicação no Instagram e outra no Facebook para que todos comentem com spoilers, com sorteios. Desça ao fim desta postagem para ver as publicações da editora.
Caso tenha perdido as demais postagens do blog, clique nos links: parte 1 | parte 2 | parte 3
Após focar nos acontecimentos de junho de 1958, se alternando ao presente, em 1985, a trama se concentra nos fatos e flashbacks de julho de 1958, com a entrada de Mike no Clube dos Otários, fechando então o círculo das sete crianças. Mike, Bill, Ben, Bev, Stan, Richie e Eddie, em julho de 1958, começam a planejar a tentativa de enfrentar a Coisa. Em 1985, sem Stan, ou seja, com o círculo do passado quebrado, os adultos relembram todos os detalhes de como derrotaram a Coisa, para desta vez, se possível, matá-la de vez. Porém, com a morte de um dos membros, poderão repetir o passo a passo de 1958 ou terão de criar um novo plano? E mesmo que enfrentem Pennywise e o vençam novamente, é possível matar a Coisa de vez? É o que mais pensei nesta parte, se a Coisa pode ser morta novamente, se podem tentar com menos um. E ainda: são adultos, podem fazer o mesmo que fizeram há 27 anos? afinal, eles mudaram bastante, não é?
São 5 capítulos e 1 interlúdio:

"Parte 4  Julho de 1958
Capítulo 13: A apocalíptica guerra de pedras
Capítulo 14: O álbum
Capítulo 15: O buraco de fumaça
Capítulo 16: A fratura ruim de Eddie
Capítulo 17: Mais um desaparecido: a morte de Patrick Hockstetter
Derry: Quarto interlúdio"

O primeiro capítulo da quarta parte (Capítulo 13: A apocalíptica guerra de pedras) já traz uma das cenas mais marcantes de ambas as adaptações, tanto na minissérie televisiva de 1990 como na primeira parte do filme cinematográfico de 2017: a guerra de pedras dos Otários contra os valentões, exatamente o ponto em que Mike entra para o grupo protagonista.

Em 1985, os Otários adultos se reúnem na biblioteca fechada, ponto proposto por Mike. Bill chega um pouco antes do horário e vê a biblioteca ainda em funcionamento. No primeiro flashback desta parte, viajamos até um momento em que todos os membros do clube dos Otários se consideravam muito odiados pelo grupo de bulliers liderado por Henry Bowers, mas o que eles ainda não sabem, é que talvez o número um na lista dos valentões seja um menino de fora do grupo, que estuda em outra escola: Mike, que em breve seria membro dos Otários.

"Ele odiava os quatro, mas o garoto em Derry que ocupava a primeira posição na Parada de Ódio pessoal de Henry não era parte do Clube dos Otários naquele dia 3 de julho; era uma garoto negro chamado Michael Honlan, que morava a 400 metros da pequena fazenda Bowers, na mesma rua."

O ódio de Henry foi passado de pai para filho, pois os pais deles são vizinhos e fazendeiros, com a diferença de que a fazenda Honlan é próspera e a dos Bowers não. A inveja do pai de Henry é racista e muito odiadora, e ele a transmite ao filho.
Henry então mata o cachorro de Mike, simplesmente por querer e eu fiquei com ainda com mais raiva de Henry. Ele é mau, racista, terrível e eu já o odiava, mas com o assassinato desprezível de Mr. Chips, fiquei com uma raiva extrema.

Enquanto isso, os Otários estudam a Coisa e refletem muito. Bill, por exemplo, pergunta ao pai sobre os esgotos de Derry. Pesquisando na biblioteca, as crianças acham um ritual indígena para derrotarem o ser maligno. O Ritual de Chüd. O mais interessante é notar como a lógica infantil faz com que eles pensem e discutam coisas estranhíssimas que soariam muito sem lógica, fantasiosas e irreais aos adultos. Adultos racionais nunca pensariam na Coisa deste modo e jamais pesquisariam mitologia e folclore por aí para encontrarem um modo de vencê-la. Adultos simplesmente não pensariam em enfrentar a Coisa. Acho isso muito legal, talvez seja uma das coisas mais bacanas do livro.

"Glamour, disse ele, era o nome gaélico da criatura que estava assombrando Derry; outras raças e outras culturas em épocas diferentes usaram palavras diferentes para se referir a ela, mas todas significavam a mesma coisa."

Vamos acompanhando o crescimento do ódio de Henry ao Mike, que é cada vez mais perseguido.

"Aquele momento de compreensão pareceu quase eterno para Mike. Ao olhar para os olhos loucos e envoltos em suor e para o rosto escuro de ódio, ele teve a impressão de que entendeu muitas coisas pela primeira vez, e o fato de que Henry era muito mais maluco do que Mike sonhava era apenas uma delas. Ele percebeu acima de tudo que o mundo não era gentil, e foi isso mais do que a novidade em si que despertou o grito dele."

Então a cena das pedras. Foi muito legal conferir a cena original, porque é uma que gosto muito. Todas as três são diferentes entre si (livro versus adaptações de 1990 e 2017) e acho que a do livro é a melhor. Não sei exatamente o porquê, talvez por ser a original, ou por ser a mais realista. Não sei, a achei mais violenta, ao menos foi minha sensação.

Em Capítulo 14: O álbum, o grupo está reunido na biblioteca para a conversa após andarem por Derry. Pennywise deixa uma lembrancinha medonha na geladeira e quando Mike vai pegar algumas bebidas, tem uma surpresa horrível. A cabeça de Stan, mas sua cabeça infantil. Não é apenas assustador, é psicologicamente destruidor.

No passado, as crianças decidem construir um esconderijo no Barrens, para se protegerem dos valentões (e do mundo). Será um buraco no subsolo, como um compartimento secreto com alçapão, escondido sob plantas e folhas. Eles têm então um novo projeto para construírem do verão. Mike participa e oficialmente entra para o Clube dos Otários, que possui ainda um grande segredo: vão enfrentar a Coisa.

"— As crianças que morreram — disse ela. — Sabemos quem está matando elas, e não é nada humano."

Mike também já viu Pennywise.

"Era como um vilão de quadrinhos. Por que eles viam assim? Pensavam nele assim? sim, talvez fosse isso. Era coisa de criança, mas parecia que era disso que essa coisa se alimentava, de coisas de criança."

Após trocarem histórias novamente, para introduzirem os detalhes ao Mike, este decide contribuir trazendo outro álbum para o grupo olhar: o que seu pai tem sobre Derry, com fotos antigas e históricas, coisa de colecionador mesmo. Simultaneamente, Pennywise faz nova vítima, Jimmy Cullum. As crianças olhando o álbum é um momento muito bom. Pela história de Derry e pela aparição do Pennywise a elas. É outro momento icônico do livro! Adoro esta cena nos filmes, especialmente no de 1990, mas no livro... outra cena que adorei conferir a original! A descoberta de que Pennywise visita a cidade há décadas e séculos é assustadora. Os detalhes são engrandecedores, as descrições de King sobre as fotos e cartões no álbum são muito boas. Realmente viajei nestes parágrafos. Outra coisa incrível são os pontos de vistas das crianças sobre as fotos.

" Beverly gritou. O palhaço parou de fazer palhaçadas quando Ben afastou a mão. Saiu correndo na direção deles, com a boca sangrenta pintada murmurando e rindo. Bill se encolheu, mas continuou segurando o álbum, achando que ele sumiria da mesma forma que o desfile, a bandinha, os escoteiros," ... "Mas o palhaço não desapareceu naquela curva que parecia definir a beirada da existência antiga."

Bill fica ainda mais decidido em vingar a morte de George, e todos estão com ele.

O Capítulo 15: O buraco de fumaça traz uma finalidade inusitada ao esconderijo subterrâneo do Clube dos Otários, conforme eles adultos em 1985 relembram. Bill e Eddie escutam Ben contar sobre algo que leu na biblioteca, sobre uma tribo indígena: a Cerimônia do Buraco de Fumaça e pede para Ben repetir ao restante do grupo. Eles colocam em prática, na sede do clube. O buraco de um metro e meio por um metro e meio ganha uma fogueira de mato bem verde e as crianças se sentam ao redor, bem espremidas e fechadas. Os dois que aguentam mais tempo, Mike e Richie têm uma visão bizarra: o surgimento, o nascimento, da Coisa: sua chegada à Terra.
Confesso que não esperava, fui surpreendida. Desconhecia este detalhe ou nunca foi mostrado nos filmes?

"Estava vindo do céu. Não querendo, mas sem conseguir se impedir, Richie virou o rosto para cima. O sol era uma moeda derretida queimando um círculo no céu baixo e nublado, cercado de uma auréola de umidade. Abaixo dele, o terreno verdejante que era o Barrens estava completamente imóvel. Richie pensou que entendia o que era essa visão: eles estavam prestes a ver o surgimento da Coisa."


O Capítulo 16: A fratura ruim de Eddie, é exatamente sobre isso: Eddie quebra o braço, mas poderia ser intitulado "Eddie se torna mais forte ao encarar algumas verdades". Ele tem o braço quebrado pelo incansável e cada vez mais violento Henry. É um momento ótimo de desenvolvimento de Eddie como personagem, principalmente em relação sobre as neuroses de sua mãe e o monte de cuidados excessivos dela com ele. É um capítulo para se refletir bastante sobre alguns aspectos da natureza humana e relacionamentos entre pais/mães e filhos, aqueles onde nunca se deseja que os filhos se tornem independentes cem por cento.

"E, quase sem querer, em uma espécie de pensamento paralelo, Eddie descobriu uma das grandes verdades da sua infância. Os adultos são os verdadeiros monstros, pensou ele. Não era nada de mais, não um pensamento que surgiu em um brilho revelatório nem se anunciou com trombetas e sinos."

Eddie sai da farmácia após uma conversa muito desconfortável porém reveladora e se esbarra com Henry Bowers, Victor Criss, Moose Sadler e Patrick Hockstetter, que o perseguem. Henry aqui deixa de ser "apenas" o adolescente bullier, o garoto maior e valentão que caçoa, persegue e intimida os mais jovens e menores; ele se torna oficialmente, ao menos para mim, um verdadeiro delinquente. Quando ele matou Mr. Chips, sua maldade subiu de nível, tornando-se algo eticamente perigoso. Agora, ele ultrapassa nova barreira, a de não mais temer os adultos, de não mais respeitar as autoridades. Cada vez mais ele deixa de ser um bullier sem noção e se torna um criminoso psicopata.

Eddie fica internado por um curto período no hospital e recebe visitas dos Otários, mas precisa enfrentar a mãe e demonstrar a ela que, mesmo sendo criança, precisa de respeito. Ela o sufoca e cria objeções sobre os únicos amigos que Eddie possui, preferindo o filho solitário e infeliz que com crianças "que o deixam por aí para quebrar o braço". Eddie está disposto a enfrentar a mãe pelos amigos, mas também a Coisa.

Todos estão cada vez mais decididos e levam a frente a ideia de balas de prata contra o monstro, já que é algo que funciona nos filmes, livros e quadrinhos de terror, contra lobisomens e outros. Senti a amizade deles crescendo ao longo do livro, mas aqui foi um momento especial, quando todos assinaram seus nomes no gesso de Eddie, como um contrato pela amizade e pela união... O seguinte trecho me balançou:

"Talvez, pensou ele, não existam coisas como amigos bons ou ruins. Talvez existam só amigos, pessoas que ficam ao seu lado quando você se machuca e que ajudam você a não se sentir muito sozinho. Talvez valha a pena sentir medo por eles, sentir esperança por eles e viver por eles. Talvez valha a pena morrer por eles também, se chegar a isso. Não amigos bons. Não amigos ruins. Só pessoas com quem você quer e precisa estar; pessoas que constroem casas no seu coração."



Em Capítulo 17: Mais um desaparecido: a morte de Patrick Hockstetter o ponto de vista passa de Eddie para Bev e é a vez dela relembrar um episódio bem sinistro, logo após as assinaturas no gesso: o dia em que Patrick Hockstetter, o garoto grande e mais velho que apalpa as meninas e mostra a elas a coleção de moscas mortas dentro do estojo escolar, foi levado pela Coisa.

Mas também é um capítulo sobre uma revelação para Bev: como menina em idade pré-adolescente, ela pode sofrer mais como alvo do grupo de Henry, adolescentes psicopatas, sociopatas e bulliers. É um momento onde o instinto de Bev a avisa de que ela pode mais que apanhar: pode ser abusada sexualmente. Isso não acontece com Bev, o que é um alívio para mim até então, mas aquela cena dela escondida no lixão, dentro da lataria enferrujada de um carro, enquanto os rapazes (Henry, Victor, Moose e Patrick) brincam sem as calças com o isqueiro, foi muito, muito, extremamente tensa. Sofri horrores no suspense de que aqueles monstros poderiam encontrá-la ali, no meio do nada, sozinha, ainda mais depois da batalha das pedras.

Voltando ao Patrick, King nos resume sua história e fiquei intensamente chocada com o fato de que ele na verdade é um psicopata/sociopata de verdade mesmo. Mais que isso, é um assassino frio, ainda pior que Henry. Ao menos por enquanto, porque a disputa é acirrada e eu não duvido de que Henry possa em breve fazer algo tão terrível como Patrick fez. Patrick matou o irmãozinho, um bebê no berço, quando tinha apenas 5 anos de idade. Foi horrível, frio, assustador. Sem direito a defesa, sem motivação, apenas porque quis. Planejou e fez de modo a não descobrirem.

E assim Patrick tem vivido, focando no lema "posso fazer o que quiser, não existe o errado, só devo ter o cuidado de nunca ser descoberto". Ele mata muitos cachorros e gatos da vizinhança, sufocando-os numa velha geladeira no lixão, sentindo empolgação e prazer indescritíveis ao vê-los mortos. Bastante pesado, precisei pausar a leitura com a cena do assassinato do bebê e dos animaizinhos sendo mortos. King mostrou que existe algo ainda pior que crianças sendo assassinadas: bebês e pets assassinados. Patrick é pior que Henry. Patrick é pior que Pennywise e sinceramente, me sinto horrível, péssima, mas gostei quando a Coisa apareceu para Patrick e Pennywise o levou. A cena foi muito legal, as sanguessugas voadoras, Bev presenciando aquilo sem acreditar... foi tudo bem intenso.

"Uma delas caiu dentro da camisa dele pousou no peito.Enquanto ele batia nela freneticamente e via a mancha de sangue se espalhar acima do ponto em que havia grudado, outra pousou em seu olho direito. Patrick o fechou , mas isso não ajudou; ele sentiu uma dor breve e quente quando o bico da coisa furou sua pálpebra e começou a sugar o fluido de seu globo ocular."

Ele sofreu muito ao morrer e eu não tive pena. Patrick mereceu? Não sei.

"Ele acordou só uma vez quando, em algum inferno escuro, fedido e úmido onde não havia luz, luz nenhuma, a Coisa começou a se alimentar."

Bev corre e chama os demais Otários e eles têm coragem de abrir a geladeira para ver o que Patrick fazia com ela, mas encontram um recado sangrento de Pennywise:

"PAREM AGORA ANTES QUE EU MATE VOCÊS TODOS
É UM CONSELHO DO SEU AMIGO
PENNYWISE"

Porém eles sentem que Pennywise está sentindo medo! Portanto eles logo colocam em prática a fabricação das bolas de prata para o estilingue que Bev usará contra a Coisa, visto que ela foi a que se saiu melhor dentre todos nos testes de mira. É o Capítulo 18: O estilingue.

"O dia em que o Clube dos Otários finalmente travou combate cara a cara com a Coisa, o dia em que a Coisa quase arrancou as tripas de Ben Hanscom, foi o dia 25 de julho de 1958."

É o retorno de Bill, Eddie e Richie à rua Neibolt, agora acompanhados por Bev, Ben, Stan e Mike. E as bolinhas de prata e o estilingue.

"A casa 29 da rua Neibolt parecia estar cercada de um envoltório envenenado. A Coisa não podia ser vista... mas podia ser sentida."

Fiquei muito ansiosa e assustada de antemão. Sei que eles sobreviveram, mas ainda assim é impossível não sentir um enorme nervoso. Sobreviveram, mas a que custo? O que viram e sentiram? Quais horrores a Coisa pode ter mostrado, provocado? Ben ficou com enormes cicatrizes feitas pela Coisa e é neste momento que descobrimos como.

O que se segue é uma das melhores sequências do livro. Em todos os sentidos, esta parte tem muito, transmite muitas informações. Muito suspense e ação em um cenário que se torna cada vez mais insano e sinistro. Deveria ser apenas uma casa velha, suja e abandonada, mas é mais que isso. É um local da Coisa. Um local onde ela vive, que usa para chegar ao mundo. Como o coelho branco passa da terra para o mundo das Maravilhas e Alice o segue. Mas é um local muito, muito mais sombrio e que a toca do coelho. É um terror. Dos esgotos para a cidade, um portal assustador da Coisa. E o cenário é como ela: mutante, inquieto, não para de se modificar e de assustar, seja com odores podres, sombras que crescem como penumbra total e irrealidade que cresce. A cada segundo, nada faz sentido: distância, tempo, som. como se a realidade, todas as suas dimensões, estivessem mudando de forma errada.

"A Coisa estava disparada na direção dele, movendo-se em velocidade de trem expresso, enchendo a garganta desse cano escuro de um lado a outro; a Coisa estava na forma de Coisa agora, fosse lá qual fosse; assumiria alguma forma da mente deles quando chegasse. A Coisa estava vindo, vindo de seu esconderijo imundo e de sua catacumba negra debaixo da terra, com os olhos brilhando em um tom verde-amarelado selvagem, vindo, vindo; a Coisa estava vindo."

A Coisa surge e eles a enfrentam. Por um segundo, Bill parecia que perderia a cabeça com o pânico de Stan, que passa dele para os outros. Eles quase são enganados pela Coisa, mas Mike percebe. Bev erra o primeiro tiro, Ben e Bill são atingidos pela Coisa. Um caos surge e, por causa de Richie, todos veem a Coisa como o Lobisomem Adolescente, mas por um milésimo de segundo, Ben sente que viu a Coisa em sua verdadeira forma. E que cena, que cena!

"A dúvida sumiu dos olhos da criatura; ela acreditou. Com graça delicada e leve, ela se virou e mergulhou no cano. Quando começou a se deslocar, ela mudou. A jaqueta da Derry High derreteu sobre o pelo e a cor sumiu dos dois. A forma do crânio da Coisa se alongou, como se ela fosse feita de cera e agora estivesse amolecendo e começando a escorrer. A forma da Coisa mudou. Por um instante, Ben acreditou quase ter visto a forma verdadeira da Coisa, e seu coração congelou no peito, deixando-o ofegante."

Bev atinge a Coisa e todos vibram e blefam que têm mais munição. A Coisa fica com medo (e ódio) e foge deles. E Ben, além de ficar com a barriga rasgada, seu coração também é atingido. É um ótimo momento para o desenvolvimento de Ben, o mais inteligente. Ele percebe que Bev, sua paixão, ama Bill e que este começa a amá-la também. Ben percebeu muita coisa, mesmo em meio ao caos e dor. Ele levanta o questionamento: o que é poder? Quem tem poder sobre alguém, alguma coisa? E a Coisa, o que aconteceu para ela ser machucada de verdade pela bolinha de prata lançada por Bev? O poder da fé? O poder de que todos acreditaram de que era possível matar a Coisa com bolinhas de prata? E a forma verdadeira da Coisa vista por Ben... o que era?

"...colocou a mão da pelagem emaranhada da Coisa, viu um ponto pequeno e laranja (como um pompom!) em um dos olhos verdes. Aquelas coisas eram.. bem... eram sonhos que viraram realidade. E quando os sonhos viram realidade, eles fogem ao poder do sonhador e se tornam coisas mortais por si só, capazes de ação independente. A bolinha de prata funcionou porque os sete estavam unificados na crença de que funcionaria. Mas não matou a Coisa. E, na próxima vez, a Coisa viria em outra forma, ou uma forma sobre a qual a prata não tinha poder."

A Coisa não voltará como o Lobisomem Adolescente. Lobisomens morrem ao serem atingidos por balas de prata. Os Otários conseguiram desta vez, mas e na próxima? Há muito não fico tão empolgada com uma leitura! Um capítulo brilhante e muito empolgante!

"A Coisa tinha forma real; ele quase a viu. Ver aquela forma era o segredo dela. Isso também era verdade quanto ao poder? Talvez fosse. Pois não era verdade que o poder, como a Coisa, era um mutante de forma? Era um bebê chorando no meio da noite, era uma bomba atômica, era uma bolinha de prata, era a forma como Beverly olhava para Bill e como Bill olhava para ela.
O que exatamente era poder, afinal?"

O poder é medo, na minha interpretação até agora. Acho que a Coisa surge do medo causado pelo ódio, violência e intolerância. Quanto mais disso, mais medo e mais força a Coisa tem. Acho, né. Vamos conferir o restante.

Para finalizar a quarta parte, assim como todas, um pouco da história da cidade em Derry: Quarto Interlúdio. Mike explica como a exploração desenfreada de Derry por parte da elite madeireira levou a cidade à decadência. Também fala sobre os assassinatos no Brentwood Arms Hotel, o massacre no bar Sleepy Silver Dollar e o linchamento que se seguiu.

"Fosse qual fosse o motivo, os bosques ao redor de Derry e de Haven queimaram por todo aquele verão quente. Crianças desapareceram, houve mais brigas e assassinatos do que o habitual, e uma camada de medo tão real quanto a fumaça cujo cheiro era sentido vindo do alto da colina Up-Mile se espalhou pela cidade."

Pergunta se a testemunha se lembra de algum palhaço no local e escuta:

"Tinha um sujeito lá... um sujeito meio cômico... fazendo cabriolas e cambalhotas... malabarismo com copos... truques... colocou quatro moedas na testa e elas ficaram no lugar... cômico, sabe..."

E Mike reflete sobre a Coisa se alimentar de crianças:

"Mas é de fé que os monstros vivem ... a comida pode ser vida, mas a fonte de poder é a fé, não a comida. E quem é mais capaz de um ato total de fé do que uma criança?"

"Seria possível que a Coisa se proteja pelo simples fato de que, quando as crianças crescem e viram adultos, se tornem ou incapazes de atos de fé, ou aleijadas por uma espécie de artrite espiritual e da imaginação?"

"Por que nos chamar de volta? Por que nos deixar morrer? Porque quase matamos a Coisa, porque botamos medo na Coisa, eu acho. Porque a Coisa quer Vingança."

Estou muito ansiosa para ver se a Coisa vai se vingar ou se os Otários vão acabar com ela de vez!

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  • De 12 a 19 de agosto: Parte 2, até a página nº 459
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  • De 25 a 30 de agosto: Parte 4, até a página nº 868
  • De 31 de agosto a 07 de setembro: Parte 5, até a página nº 1102.

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