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Resenha: Tempo de Regresso, de Kristin Hannah e Arqueiro

Tempo de Regresso (Between Sisters)
Kristin Hannah - Arqueiro
Tradução: Mariana Serpa
336 páginas - R$ 49,90 (impresso) ou R$ 27,99 (e-book)
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Sinopse:
"Meghann Dontess é uma mulher atormentada pela tristeza e pela solidão, e não consegue lidar com a difícil decisão que tomou na adolescência e que a fez perder tudo, inclusive o amor da irmã. Advogada de sucesso, trabalhando com divórcios, ela não acredita em relacionamentos – até que conhece o único homem capaz de fazê-la mudar de ideia.
Claire Cavenaugh está apaixonada pela primeira vez na vida. Conforme seu casamento se aproxima, ela se prepara para encarar a irmã mais velha, sempre tão dura e arrogante. Reunidas após duas décadas, essas duas mulheres que pensam não ter nada em comum vão tentar se tornar algo que nunca foram: uma família.
Sensível e divertido, Tempo de Regresso fala sobre os erros que cometemos por amor e as dores e as delícias que apenas irmãs podem compartilhar.

Resenha:
Kristin Hannah é autora de mais de vinte livros, como A Grande Solidão (resenha), O Rouxinol (resenha) e As Coisas que Fazemos por Amor (resenha). Ela já vendeu mais de quinze milhões de exemplares no mundo e o sucesso de suas obras se deve às tramas envolventes, protagonismo feminino, personagens marcantes e realistas, relacionamentos vivazes e temas sensíveis abordados de forma respeitosa. Suas obras mais recentes tendem ao romance histórico, enquanto as anteriores são contemporâneas.
Antes dos citados, Tempo de Regresso (Between Sister ou Entre Irmãs, ao pé da letra, originalmente publicado em 2003) foi um marco para a autora, quando ela teve certeza de que o foco de sua escrita seria o relacionamento entre mulheres.
Nesta história a protagonista é Meghann Dontess, de 42 anos de idade, uma advogada especialista em divórcios muito bem-sucedida na carreira. Workholic, é bastante solitária nas raras horas vagas, momentos em que ela leva algum homem bonito para sua cobertura no centro de Seatle, no estado de Washington. Sua irmã Claire Cavenaugh é sete anos mais jovem, tem uma filha de cinco anos, a Alison, e mora no interior, em Hayden, próximo ao rio Skykomish. Ela é proprietária de um resort administrado em parceria com o pai, Sam. Mas ele não é pai de Meghann. A mãe delas, Ellie, uma atriz de um único sucesso na televisão e que vive atualmente da nostalgia dos fãs pela série, nunca teve um relacionamento estável, assim como uma vida regrada. Foi uma mãe tão ausente que Claire, quando relembra a primeira infância, somente tem a imagem de Meghann como a figura materna. Foi o relapso e abandono da mãe o marco divisor das irmãs antes tão unidas.


A trama começa mais de vinte anos após o acontecimento que as fez se encontrarem cada vez menos. Claire vai se casar com um homem que acabou de conhecer e Meghann vai tentar convencê-la de que isso é uma atitude irracional. Porque a mais velha não acredita em amor verdadeiro, enquanto a outra finalmente se apaixona profundamente pela primeira vez. Meghann vai até Hayden, a cidade que nunca a aceitou, para visitar a irmã que ainda mora com o homem que nunca a acolheu, e assim fazê-la compreender que, ao menos, precisa de um acordo pré-nupcial, pois o noivo não possui um centavo nem carreira sólida. Entre os preparativos para o casamento relâmpago, as amigas de Claire, autointituladas As Azuladas, a ajudam e se surpreendem com a chegada de Meghann.
Paralelamente existe a trama de outra personagem que também esteve fora de Hayden, mas por três anos. É o retorno do misterioso Joe, ainda de luto por uma perda. Ele possui um segredo ligado a isso e não conseguia voltar para Hayden. Sem suportar mais viver como um andarilho sem-teto, e por perceber que a irmã precisa de sua companhia, ele está de volta, mas sem coragem (e vontade) de interagir com ninguém.
A narrativa é em terceira pessoa, sob o ponto de vista da protagonista Meghann, da coprotagonista Claire, ou, ainda, de Joe. Embora a trama se passe no presente, alguns poucos flashbacks a complementam, para o(a) leitor(a) tentar entender o que aconteceu para afastar as irmãs. Meghann se sente culpada, mas será realmente a responsável? Será que as irmãs vão se entender, se perdoar e voltar a ser amigas sinceramente? Apesar de tudo, as duas ainda são as irmãs Sullivan, será que ainda existe o vínculo? Este não é apenas o único conflito. Ainda existem questionamentos sobre o passado de Joe, que parece ter feito algo imperdoável e inadmissível. Há dúvidas sobre as intenções de Bobby, o noivo de Claire, quando os capítulos são pelo ponto de vista de Meghann. E se não bastasse tudo isso, a mãe das protagonistas não assume sua culpa por tê-las abandonado, muito menos demonstra remorso ou busca por redenção. E atenção: estas não são as únicas questões da história.


Se estes conflitos familiares não são suficientes para te atrair para a leitura, saiba que ainda existe um drama maior. Daqueles para desmoronar uma família. Algo que a autora planta muito aos pouquinhos, de forma bastante discreta, mas quando chega se torna o ponto mais importante da trama e das vidas das irmãs, atingindo todos ao redor, até mesmo Joe. É um desenvolvimento bem encaixado e, conforme citado, quase imperceptível. Somente percebi porque é uma coisa que vivenciei de forma praticamente idêntica, portanto, nos primeiros sinais dos acontecimentos, eu já sabia como o enredo rumaria. Escolhi este livro no meio da lista de leitura justamente porque desejava uma história humana, com sentimento, e sei que Kristin Hannah é excelente neste requisito. Mas por outro lado, não esperava encontrar um tema muito sensível e extremamente familiar para mim. Tão familiar que por um momento temi funcionar como gatilho para mim. Não sabia se continuava a leitura, mesmo estando tão avançada e me entretendo muito.
Contudo realmente gosto da forma como a autora desenvolve tópicos sensíveis, sempre de forma cautelosa, respeitosa e, principalmente, sem estereótipos ou agressividade. Não é gratuitamente que Kristin Hannah traz conflitos realistas às suas personagens. Então respirei e pausei um pouco e continuei devido à minha confiança na autora. Mas retifico: é apenas um tema sensível, muito bem elaborado e desenvolvido. Eu é que já passei exatamente pela questão e tive receio de me abalar, mas foi tranquilo. Se você gosta de temas sensíveis explorados com delicadeza, de dramas com muitos momentos divertidos para contrabalançar, esta será uma boa leitura.


Uma obra sobre a importância do amor em nossas vidas, seja ele romântico, fraterno, materno, entre amigos... não importa: “nenhum homem é uma ilha”, frase famosa do filósofo inglês Thomas Morus que resume bem os acontecimentos de Tempo de Regresso. Por mais doloroso que seja amar e se relacionar, por mais que as pessoas magoem umas às outras, não é saudável viver solitariamente. Amar dói, pode ser trabalhoso e imperfeito, porém todo ser humano precisa de amor, em alguma forma. O livro também exemplifica como devemos aprender com o passado, mas sem nos apegarmos a ele.
O relacionamento entre irmãs é desenvolvido como pouquíssimas obras conseguem. Uma irmã que se tornou mãe da mais jovem e ambas foram afetadas, positiva e negativamente. Entretanto, os laços criados entre elas são inabaláveis, mesmo quando se encontram distantes ou chateadas uma com a outra. Kristin Hannah novamente escreve com perfeição o relacionamento entre irmãs que são quase mãe e filha.
Achava que O Rouxinol, passado na França durante a Segunda Guerra Mundial, seria meu preferido de Kristin Hannah, mas A Grande Solidão, com o Alasca do final da década de 1970 para o início dos anos 1980 como cenário, é um livro magnífico com trechos particularmente muito marcantes. Então conheci esta obra mais antiga da autora, publicada aqui em 2019 pela Editora Arqueiro e nos Estados Unidos em 2003, para me envolver como poucos romances contemporâneos conseguem. Tempo de Regresso também se tornou um de meus romances preferidos da vida! Com certeza daqui a anos ainda me lembrarei da trama.
A tradução da edição da Arqueiro é de Mariana Serpa e as equipes de revisão e diagramação fizeram um excelente trabalho. O exemplar físico, cedido pela editora para esta resenha, possui orelhas e páginas amarelas e o design da capa segue o mesmo padrão de edições recentes de outros romances contemporâneos da autora: As Coisas que Fazemos por Amor, O Caminho para Casa e As Cores da Vida. Deixo aqui a observação como Os históricos seguem um design de capa enquanto os contemporâneos seguem outro, acho isso muito legal e parabenizo a equipe de design da Arqueiro.
O mais novo livro de Kristin Hannah, The Four Winds (Os Quatro Ventos, em tradução literal) será publicado nos Estados Unidos em fevereiro de 2021
e, no momento, se encontra em pré-venda. Se passa em 1934, no Texas, e traz a história de uma mulher enfrentando a Grande Depressão que precisa tomar decisões importantes. Torço para que a Arqueiro o publique no Brasil.

A autora:
Kristin Hannah é autora de mais de 20 livros que já venderam mais de 15 milhões de exemplares no mundo. Ela largou a advocacia para se dedicar à sua grande paixão: escrever. Tem um filho e mora com o marido no noroeste dos Estados Unidos e no Havaí.
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Outros livros de Kristin Hannah: A Grande Solidão, O Rouxinol, As Coisas que Fazemos por Amor, As Cores da Vida, O Caminho para Casa, Quando Você Voltar, O Lago Místico e Jardim de Inverno (disponível no Kindle Unlimited!).


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