Pesquise no Leitora Viciada

12 de dezembro de 2011

Alma Basca, Ana Luiza Panyagua Etchalus, Alternativa

Alma Basca
Ana Luiza Panyagua Etchalus - Editora Alternativa
244 páginas - Ano: 2010

Sinopse:
"Alma basca é uma narrativa baseada em impressões pessoais sobre o país, Euskal Herria, sua história, sua língua e as tradições e algumas motivações que motivaram a imigração para a América do Sul. Tomando como ponto de partida uma busca pessoal, o livro carrega algumas informações sobre um povo misterioso e esquecido, além de tentar incentivar a que outros mistérios familiares sejam descobertos."


Skoob


Resenha:
O motivo para ler ter lido este livro é totalmente particular, extremamente pessoal. Minha família é basca. Minha mãe nasceu em Vitória-Gasteiz em Alava. Minha avó em Tolosa, Guipuzkoa. E se não bastasse ser descendente direta de uma basca, o meu avô paterno era filho de bascos, porém do lado francês. Daí vem meus sobrenomes Jiménez Inda, sendo que pelo lado de minha avó materna eu sou Berruezo. Sou basca direta por mãe e indiretamente por pai. Sempre busco por todas as informações sobre esse povo único, o meu povo. Meu principal guia é meu tio-avô, que me conta a História dos livros, porém vivenciada por ele!

O País Basco, dividido entre Espanha e França.
Um povo que resiste ao tempo. O único povo que possui uma língua tão antiga no ocidente, sem ligação alguma com qualquer língua Indo-europeia. Um idioma que segundo os estudiosos, vem da época da Idade da Pedra, e que não sofreu influência alguma das invasões sofridas pela região, nem mesmo dos romanos.
Um povo com sua própria cultura, aonde os laços sanguíneos são os mais importantes, aonde a sociedade é matriarcal e nada é mais sagrado que sua mãe. Sua terra, suas canções, suas danças, sua culinária, sua história.

Um tesouro que foi ameaçado por diversas vezes. A pior investida contra os bascos foi feita por Franco com o apoio de Hitler. A Guerra Civil Espanhola foi o primeiro passo da Grande Guerra. Foi o massacre de Guernica, aonde Picasso imortalizou o bombardeio num dos quadros mais famosos da história. Até quase a década de 80, era proibida a cultura basca. Uma das maiores censuras já imposta a um povo. Tudo era proibido, até mesmo falar ou escrever o idioma e registrar seus filhos com o nome verdadeiro. Muitos bascos guardavam o seu nome basco em segredo, apenas entre outros bascos e utilizavam no dia-a-dia o nome espanhol que consta no registro. Por isso o sentimento separatista é muito maior no lado espanhol que francês.

Por causa da perseguição política, muitos bascos fugiram para a América, muitos traziam suas famílias. E foi assim que minha mãe chegou ao Brasil. Atualmente os bascos possuem certa autonomia política em seu território, do lado espanhol. Já no lado francês, autonomia alguma. São 4 províncias na Espanha, muito desenvolvidas em vários setores da economia e artes, como na indústria, agricultura, pecuária. Um solo fértil e rico. A muralha dos Pireneus divide a Espanha da França e no lado francês existem 3 pequenas províncias que não são desenvolvidas como no lado espanhol. Mas um povo unido em alma e coração, ultrapassando as barreiras físicas.

O livro é simples e leve, e a autora na verdade é uma advogada. Ela sentiu uma grande necessidade em escrever este livro, já que quase não temos livros sobre os bascos no Brasil. E também uma necessidade pessoal, me contar sua experiência em visitar sua terra.
Eu me emocionei com este livro, aonde a autora primeiramente faz todo um resumo sobre a História, Geografia e cultura basca. De forma como o leitor não encontrará jamais em outro livro brasileiro. Ela é de Porto Alegre e neta de bascos.
Apesar de ser um início muito didático, é interessante e um raro material.
Depois ela nos conta a história de sua família e sua viagem até o País Basco para encontrar parentes e visitar terras e conhecer sua origem e os detalhes do povo basco. Coisa que está em minhas prioridades nessa vida!
Ela explica o funcionamento das leis, foros, casas bascas. Direito no geral, pois ela é advogada. Fala sobre a culinária, os esportes (claro, a Pelota Basca) e religião. Como foi o último povo a se render ao Cristianismo na Europa, tendo ainda vestígios pagãos na cultura, como as lendas de bruxas e Mari.

Ela descobre o verdadeiro motivo do bombardeiro de Guernica e conta a história do Carvalho de Guernica e os foros. Achei estranho ela não saber, sendo descendente de bascos. Maravilhosa história que quase nenhum professor de História sabe contar. Eles costumam falar apenas sobre a chance das Forças alemães testarem seu armamento, mas a verdade foi muito mais complexa. O Carvalho. Franco precisava derrubá-lo!
A bandeira que amo tanto quanto a do Brasil. Me sinto tão basca quanto brasileira.

Livro perfeito para as pessoas conhecerem os bascos e suas curiosidades e cultura. Um livro maravilhoso para quem quando pensa em bascos imagina apenas ETA, terroristas, separatistas loucos... Os bascos são muito, muito diferentes disso. Um povo que merece muito respeito e admiração. Um povo muito mais antigo que os ibéricos ou gauleses, que resiste ao tempo, que mantém sua história sem ter se deixado afetar pelos povos que os tentaram dominar. Um povo rico culturalmente, alegre e esperançoso. Um povo que quer apenas voltar a ser livre. Enquanto existir um basco ou descendente próximo que seja basco em alma, o sonho pela liberdade basca jamais morrerá!

Esta pode ser uma de minhas mais simples resenhas, mas a que mais me emocionou.



Instagram @leitoraviciada

Skoob

Online

Siga por e-mail