Imaginários Volume 1, de vários autores, Draco

Imaginários 1 - Contos de fantasia, ficção científica e terror
Série Imaginários - volume 1
Vários autores - Editora Draco
128 páginas - Ano: 2009
Organização: Tibor Moricz, Saint-Clair Stockler e Eric Novello
Ilustração da capa: Osnei Roko - R$22,90

Sinopse:
"Neste primeiro volume da coleção Imaginários da Editora Draco organizado por Tibor Moricz, Saint‑Clair Stockler e Eric Novello, os autores Gerson Lodi-Ribeiro, Giulia Moon, Jorge Luiz Calife, Ana Lúcia Merege, Carlos Orsi, Flávio Medeiros, Roberto de Sousa Causo, Osíris Reis, Martha Argel, Davi M. Gonzales e Richard Diegues desafiam as fronteiras do real e apresentam excelentes histórias de fantasia, ficção-científica e terror."


Conto a conto:


  • Coleira do Amor - Gerson Lodi-Ribeiro
  • Eu, A Sogra - Giulia Moon
  • Veio... novamente - Jorge Luiz Calife
  • A Encruzilhada - Ana Lúcia Merege
  • Por Toda A Eternidade - Carlos Orsi
  • Twist in My Sobriety - Flávio Medeiros
  • Um Toque do Real: Óleo Sobre Tela - Roberto de Sousa Causo
  • Alma - Osíris Reis
  • Contingência, Ou Tô Pouco Ligando - Martha Argel
  • Tensão Superficial - Davi M. Gonzales
  • Planeta Incorruptível - Richard Diegues

Resenha:
Este é o volume 1 da série Imaginários da Editora Draco. O livro é formado por contos de fantasia, ficção científica e terror e foi escrito por autores diferentes. O livro é uma boa opção para quem gosta de gêneros fantásticos e quer uma leitura variada, excelente e com histórias criativas.
Gostei muito da capa do Roko, uma ilustração detalhada que se estende para a capa detrás.

O primeiro conto é de Gerson Lodi-Ribeiro, e possui o título de Coleira do Amor. Uma ficção científica que possui como temas o livre arbítrio, a ética, o amor eteno. O cenário é futurista e chips controlam o organismo e até mesmo as emoções do indivíduo. A história é um pouco violenta e trágica. Gostei muito do cenário, principalmente a breve descrição do Rio de Janeiro.

O segundo é Eu, A Sogra da Giulia Moon. Uma ficção fantástica e urbana, contada de forma agradável, leve, criativa e engraçada. Uma bruxa moderna acaba de conhecer a nora, num momento... inoportuno: durante a rara oportunidade de se preparar um feitiço feito em meio a uma reunião familiar A feitiçaria ganha modernização e humor, de forma inteligente. Adorei o microondas! Genial.

Em Veio... novamente de Jorge Luiz Calife temos uma ótima escrita, descrições bem feitas, porém um tema não muito criativo. Apesar da boa narrativa, cenário exótico e alienígenas em contato com humanos, o autor não ousa e termina  de forma previsível.

Em seguida, um dos melhores contos do livro e o que mais me agradou particularmente: A Encruzilhada de Ana Lúcia Merege. Este é uma fantasia, com cenário medieval e mágico. Apesar de ser apenas um conto, o universo é tão convincente e instigante que a todo momento pensei em como seria fabuloso ler um livro nesse mundo do Mestre das Águias. Depois pesquisei e descobri que a autora já o escreveu: O Castelo das Águias.

Depois é a vez de Por Toda A Eternidade de Carlos Orsi. Um conto de ficção científica com um toque do gênero policial e muita ação. O início é morno, porém o desfecho excelente, num conto bem curto.

Em Twist in My Sobriety, Flávio Medeiros os alienígenas esquisitos estão na Terra ajudando o equilíbrio ecológico, desde que possam observar os seres humanos como num reality show. Um romance surge nesse cenário distinto e o autor traz originalidade, nos brindando com uma criação fantástica e um final brilhante.

O próximo conto é Um Toque do Real: Óleo Sobre Tela de Roberto de Sousa Causo. Excepcional, de tirar o folego! Descrições magníficas aonde pinceladas tecem as cenas, de uma forma como nunca vi. Delírio, sonho ou mundo paralelo?

O conto Alma de Osíris Reis é uma ficção científica bastante complexa e original. Talvez seja um conto por demais estendido e com descrições em excesso. Mesmo com tantos detalhes me perdi em alguns, principalmente em cenas com luzes. Não compreendi as três pálpebras. Trechos excelentes e mágicos intercalam com trechos massantes. Minha opinião sobre o conto é bipolar.

Contingência, Ou Tô Pouco Ligando de Martha Argel é excelente. Soa como uma aula ou matéria de revista muito interessante, através de uma viagem em diversas áreas interligadas como ecologia, biologia, economia, geografia, história, sociologia... o texto é dinâmico e satírico, a narrativa inteligente. No entanto, na minha opinião, não deveria estar nessa antologia, e sim em outra com o tema mais propício.

O penúltimo conto é o Tensão Superficial de Davi M. Gonzales. A trama começa relativamente bem, mas termina de forma ruim. O conto é dispensável e superficial. O ambiente e a curiosidade das primeiras linhas traz um ótimo suspense à trama, que para aí.

O último conto fecha o livro com chave de ouro. Richard Diegues compõe com maestria o conto Planeta Incorruptível. A ficção científica é temperada com a Teologia. Os extraterrestres que dominaram a Terra também acreditam num deus único e não aceitam de forma alguma outro deus. Uma crítica a intolerância religiosa! O apocalipse e presságios bíblicos sob uma nova visão e um final fantástico! Incrível.


Contos que mais gostei:
Eu A Sogra, A Encruzilhada, Twist in My Sobriety, Um Toque do Real: Óleo Sobre Tela e Planeta Incorruptível.



Links do livro:

6 comentários

  1. Tatinda, muito obrigada por sua apreciação! Espero que venha a ler e curtir O Castelo das Águias, onde Kieran aparece mais velho... e visto pelos olhos de uma jovem contadora de histórias.

    Grande abraço

    Ana

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  2. Ana, obrigada pela visita e pelo comentário. Pretendo mesmo ler O Castelo das Águias!
    Seu conto A Encruzilhada já vale por um livro inteiro, muito bom. Beijo.

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  3. É sempre bom ler seus comentários, Tatinda. Fico feliz por ter curtido a sogrinha. E vamos em frente, pro um 2012 ainda mais mágico! ;)

    Beigiunhos gelados de vamp!

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  4. Olá Tatinda,

    agradeço por ter resenhado este trabalho. Não tenho por hábito responder a críticas, mesmo porque não acredito em completa isenção. As pessoas possuem preferências: a trama, o estilo, o tema. E, às vezes, também sofrem influência de outras resenhas. Enfim, cada um gosta do que gosta, e isso é ótimo.

    O caso é que "Tensão Superficial" é constantemente criticado pelos leitores. Tenho quase 50 contos publicados em papel, alguns por academias de letras, associações de escritores e concursos internacionais. Mas a crítica recai sempre sobre o mesmo conto.

    Acredito que o problema seja a premissa. E se o autor adotou uma premissa que não pode ser alcançada, obviamente a falha é dele.

    Este conto não foi escrito com o objetivo de descrever um ambiente, causar suspense com um final chato ou, em suas palavras, ser "superficial", "dispensável".

    Trata-se de um conto de Ficção Científica, onde a premissa é levar o personagem através de um portal dimensional ("porta"), que miniaturiza quem entra nele. A sala é "irregular" porque os protagonistas são quase microscópicos. Os "bólidos" são gotas de água, comuns, pequenas a ponto de manterem sua "tensão superficial".

    Convido-a a ler novamente o texto, com atenção e sob o novo paradigma. Se você havia percebido as entrelinhas e, ainda assim, achou tudo muito maçante, não há problema, no final das contas tudo é uma questão de gosto.

    Ainda outro dia assisti ao filme "Primer", considerado um dos melhores filmes de FC dos últimos tempos, enredo "brilhante", com vários prêmios e um orçamento medíocre. Coisa de gênio. Consegui entender, no máximo, os dez primeiros minutos da trama. Quem está errado? Eu não gostei do filme...

    Grande abraço!

    Davi M Gonzales

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  5. Giulia, obrigada! A sogra realmente é charmosa :)

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  6. Davi, muito obrigada por explicar melhor o seu conto. Com certeza o lerei novamente. Abraço.

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