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27 de dezembro de 2012

Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos, de Roberta Spindler e Oriana Comesanha, Editora Dracaena

Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
Contos de Meigan - volume 1
Roberta Spindler e Oriana Comesanha - Editora Dracaena
618 páginas - Ano: 2011 - R$59,90

Sinopse:
"Meigan é um mundo diferente do nosso, morada de seres especiais e poderosos que se denominam magis. Na aparência são exatamente como nós, mas as diferenças não podem ser ignoradas por muito tempo. Os magis tem uma relação especial com a natureza e seus elementos, moldando-os a sua vontade e apoderando-se de sua força. Esses elementos, chamados mantares, não se limitam apenas aos conhecidos fogo, terra, ar e água. Existem muitos outros, como as sombras, o tempo e até mesmo o controle sobre o próprio corpo. Ter a capacidade de decifrar, entender e interagir com a natureza é um dos principais requisitos para a evolução de um magi.
Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos começa com Maya Muskaf preparando-se para voltar para casa. Depois de três anos vivendo na Terra, o momento de retornar a Meigan finalmente havia chegado. Ela estava preocupada, pois alguma coisa afetava seu controle sobre os mantares, talvez algum resquício da misteriosa doença que a debilitou durante a infância. Com medo de estar novamente doente e para conseguir respostas, decidiu colocar de lado suas diferenças com sua mãe, a principal governante do mundo magi. Voltaria a Katur, capital de Meigan, e pediria perdão por todas as brigas passadas.
Assim, deixou sua vida terrena de lado e entrou na primeira caravana que encontrou. Entretanto, seus planos acabaram tomando um rumo muito diferente daquele que imaginara. Os soldados que escoltavam a caravana acabaram achando destroços e um corpo no chão. Logo que avistou o homem morto, com os cabelos tão brancos quanto sua pele e os olhos inteiramente negros, Maya soube que se tratava de um dos cártagos – antigos magis que traíram seu povo e por isso foram banidos para uma dimensão paralela.
As implicações para tal presença em território magi eram gravíssimas e não demorou muito para que Maya e seus companheiros descobrissem que os magis traidores estavam tomando o Solo Sagrado e derrubado seus portões de defesa. Agora, em meio ao caos de uma violenta batalha, Maya vai precisar lutar para sobreviver e conseguir respostas para as perguntas que lhe afligiam. Como os cártagos conseguiram acesso ao Solo Sagrado? Onde estavam os guardiões dos portões, os mais poderosos guerreiros de Meigan? E, a mais importante de todas, conseguiria chegar a Katur a tempo de encontrar sua mãe?"

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Resenha:
Primeiramente: Apesar do nome, Contos de Meigan não é um livro de contos. Ele possui este título porque é parte de uma saga maior. Juntos todos os volumes serão chamados de Contos de Meigan. No caso deste primeiro, o nome é Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos. Simples de ser compreendido, porém achei melhor esclarecer.

Cártagos.
Conforme um fã de Fantasia lê a sinopse, a curiosidade e empolgação o domina.
Apesar de o Brasil possuir excelentes livros do gênero, o país ainda dá seus primeiros passos fantásticos, comparando à importância e ao prestígio que livros e autores de Fantasia possuem em muitos países ao redor do mundo.
Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos, o primeiro livro das autoras Roberta Spindler e Oriana Comesanha que apresenta o mundo e mitologia de Meigan ajuda o Brasil a dar um grande salto no gênero da Fantasia.
É um livro com mais de 600 páginas e excelente de uma forma geral que não deixa nada a desejar comparando-o aos livros internacionais do estilo. Comparando-os até aos mais famosos livros épicos e de Fantasia do mundo! E que orgulho de ver que esta obra-prima fantástica é nacional e ainda por cima escrita por mulheres.
Além de mostrar como os autores brasileiros estão preparados para competirem ao mesmo nível de autores internacionais de Fantasia, comprova que as mulheres não apenas se interessam pelo gênero como sabem fazê-lo tão bem quanto os homens; um cenário bem distinto do de anos atrás.

Não são todos os autores iniciantes que conseguem compor um primeiro livro (que será seguido por outros) tão grosso e com tanta qualidade. Por serem novatos, sempre existe aquela dúvida: "Será que uma saga longa e complexa pode mesmo já nascer de autores que estão sendo publicados pela primeira vez?" - muitos devem pensar isso ao se deparam com Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos, por exemplo.
Então eu não apenas recomendo o livro, porém também garanto: leiam sem medo ou preconceitos. Sim, é um grosso livro e o primeiro de uma série; sim, foi escrito por duas pessoas; e sim, são autoras nacionais e mulheres. E o resultado excepcional!

Não existem páginas perdidas, para enrolarem o leitor. Todas são importantes e é notável que houve a preocupação por parte das autoras de criarem Meigan como um mundo completo e planejado antes de escreverem o livro. Não foi algo feito por impulso e sem estrutura. Não foi escrito: "Conforme o rumo da história nós inventaremos as coisas." Pelo contrário, aposto que existiu a preocupação de criarem esboços, uma base, glossário, mapas e um guia de uma forma geral. Portanto, essas autoras possuem mentes criativas, organizadas e magníficas.
Aposto que a mitologia, geografia, história, personagens, hierarquia, fauna, flora, poderes, e tudo mais que compõem Meigan e esse episódio intitulado A Fúria dos Cártagos foi esboçado, planejado e moldado.
Percebi isso porque não encontrei falhas na criação de Meigan, de detalhes como ervas medicinais, passando por animais e locais até os poderes e personagens. Não encontrei furos no roteiro e desenvolvimento do enredo.

Guardiã do Terceiro Portão.
Meigan parece tão real ao leitor que é fácil imaginá-lo e desejar viver uma aventura lá, mesmo correndo os imensos perigos existentes. É uma criação tão grandiosa que garanto aos fãs de Fantasia, mundos diferentes e imaginários: vocês não se decepcionarão com Meigan. Uma dimensão paralela à Terra tão realista!

O que mais me impressionou durante a leitura, além de sentir que Meigan parece tão palpável e concreto, é que não é um livro formado por um apanhado de itens e mitologias pré-existentes. Não é uma história de Fantasia clichê, baseada em várias outras histórias já escritas. Percebi influências de típicas histórias do gênero, afinal existe um padrão. Porém não encontrei cópias. Muitos de baseiam em raças e animais já criados por outros autores, mas isso não acontece aqui, onde tudo é original!
Enxerguei um estilo de narrativa que podemos encontrar em quadrinhos, mangás e séries animadas e animês, principalmente em relação às cenas de ação, de magia e superpoderes. Adorei esse detalhe, fez do livro uma Fantasia moderna e muito dinâmica.

O fato dos poderes fazerem parte de Meigan, de ser uma ligação entre mundo e seres é maravilhoso. Mais que o controle dos elementos essenciais como fogo, água, vento e terra, os mantares, existe muito mais magia presente e misturada à Meigan. Poderes ocultos, elementos mistos e exóticos como a sombra e as vozes. Partículas manipuladas, ambiente e magis entrelaçados numa teia de física e mágica surpreendente.

As cenas de batalhas são incrivelmente bem escritas. Algumas são tão perfeitas que é fácil imaginar cada movimentação, seja de golpes, armas ou poderes. As batalhas e lutas parecem sair diretamente das páginas, saltando com vida na mente do leitor. Percebi influência de livros épicos e históricos em várias composições de batalhas, pois existe um certo nível de violência e realidade, mesmo que exista magia entre manipulação de diversas armas e golpes variados.
Ilustração original feita para a capa.

A capa do livro possui uma ilustração de um ser mascarado em chamas e logo no começo da leitura já compreendemos bem essa representação. Em seus olhos estão refletidos seres que misturam expressões de ira e pavor.
O livro possui um prólogo, sessenta e dois capítulos e um epílogo. Alguns capítulos são longos, outros são bem curtos. Não existiu preocupação em manter um padrão e sim em construir capítulos de acordo com os acontecimentos, o que considerei um acerto no livro.
Os capítulos mais longos prendem a atenção do leitor e quando necessário existem pausas para podermos respirar; os capítulos mais curtos servem como uma sacudida a mais no leitor para fazê-lo agarrar o livro e continuar a leitura mesmo que precise parar para fazer outras coisas. Você pausa a leitura e sente falta das personagens e fica imaginando o que virá a seguir nas próximas páginas.

Maya.
Maya é uma protagonista tão real quanto todo o livro, pois embora seja a herdeira governante do mundo magi, ela retorna ao seu mundo como uma forasteira, uma fugitiva que volta ao lar. Ela ainda possui muitas dúvidas e receios sobre seus mantares e sobre a misteriosa doença que a abalara durante a infância.
Uma protagonista feminina complexa. Não é por ser mulher e nobre que ela recebe tratamento diferenciado em sua educação (atrasada, devido ao tempo em que permaneceu na Terra) e em seu treinamento magi (nenhum professor ou colega de turma tem pena de atacá-la nas aulas práticas ou deixá-la exausta fisicamente e psicologicamente). E quando o perigo realmente a alcança, ela será obrigada a passar por provações, superar a si própria e a seus mantares.
Maya deverá ser a futura Shyrat, comandante do Conselho de Meigan, no entanto, possui tantas dúvidas sobre si, seu passado e seu futuro. Não quer aceitar essa poderosa responsabilidade.
Ela claramente evolui de menina teimosa, perdida, vingativa e esquentada a uma mulher mais ponderada, fria e cheia de liderança. Ah, ela continua muito teimosa, mas aprende que sem planejamento e estratégia não será capaz de enfrentar os cártagos.
E o que mais admirei nela: como cresce sua força em vários sentidos e como sua coragem não a abandona, mesmo nos piores e mais dolorosos momentos. Uma heroína que possui seus defeitos um pouco irritantes, mas mostra suas qualidades únicas e impactantes.

Seth e Kaos.
Se não bastasse Maya fazendo o leitor torcer por ela, as demais personagens de destaque são (sem nenhuma exceção) igualmente carismáticas e viciantes. Talvez até mais que Maya, isso varia de leitor para leitor.

Seth, o Guardião tão misterioso e guerreiro com sua máscara está presente como uma incógnita. Nunca se sabe quais são suas reais intenções e sentimentos. Ele representa tradições e cultura milenares sobre os Guardiões e profundos segredos. Sob os mais diversos pontos de vista ele é julgado, temido, odiado ou adorado. Porém existe uma pessoa por detrás da máscara, isolada e perdida e que durante a leitura, surge e comove.
Seu apoc Kaos é seu fiel parceiro e escudeiro. Uma representação de um animal igualmente poderoso ao dono. A ligação entre eles vai muito além e é um dos pontos fortes da história.
Seth não é o único Guardião. São sete guardiões para cada um dos sete Portões que guardam, protegem e preservam Meigan.
Mas toda essa proteção parece duvidosa após a invasão dos cártagos, que foram banidos para os Três Infernos. Será realmente necessária a força dos Guardiões?

Keyth, o Sábio é quem traz bastante humor à trama. Sua mistura de genialidade e loucura na verdade esconde pontos muito mais estranhos, secretos e importantes.
Keith.
Ele é uma das personagens mais decisivas da história de Meigan e eu adorei seu jeito maluco de tentar animar os outros ao redor com suas piadas sem graça. Uma fachada que esconde seu sofrimento e o peso de seus atos.
Seu livro de piadas deve ser hilário e sua sabedoria essencial à história, embora seja um pouco exótico, é mais forte e poderoso que aparenta.

Sebastian, líder magi do fogo ou dos manarcus-na-farris da Tribo do Meio me impressionou não apenas por sua bravura, mas por ser um misto de bárbaro selvagem e homem civilizado, mas também por possuir o controle de seu mantar numa forma nua, crua, incrível e impressionante. Simpatizei com ele e seu povo.
Com certeza um de meus preferidos no livro. Acho que ele merece ter mais destaque.

Allan é mais um que surpreende o leitor. O rumo dado ao menino indefeso foi um fato que me pegou totalmente desprevenida e me deixou imaginando encontros e reencontros no decorrer dos acontecimentos.
Junto a ele tantas outras dúvidas e personagens que ainda terão grande importância na saga.

Tuomas, Serenity, Anya, Artur, Joen, Isabel. Brigit, Iash, Ayka, Avatar - tantas personagens misturadas em diversas cenas de ação, se envolvendo em conspirações, intercalando emoções e deixando o leitor cada vez mais admirado com a história e desejando chegar ao clímax e desfecho.
Sebastian.
Gostei da participação da Gelo, porém espero mais dela e de todos os Guardiões na continuação. Causam impacto e muita curiosidade sobre quem eles verdadeiramente são (e foram).

A geografia de Meigan é peculiar. Katur, a Floresta Negra e o Solo Sagrado são locais únicos!
A Praia dos Mortos, Anahat, Feight e as Docas são partes de Katur que me chamaram a atenção e possuem destaque.
A história também é nos apresentada no Prólogo e no decorrer do livro.
Os Portões e seus Guardiões são o grande ponto forte do livro, e já imagino uma coleção de bonecos de todos estes mascarados.

A cultura e as diferentes camadas nos são apresentadas de forma natural. Conhecemos o Conselho magi, os nobres, os Guardiões, os soldados, os estudantes, magis professores, políticos, líderes tribais, pessoas mais humildes e trabalhadoras da sociedade, civilizações afastadas e até mesmo o lado mais sombrio, desde bandidos, mendigos e prostitutas até os poderosos traidores que auxiliam os cártagos.
Artefatos mágicos, armas poderosas, mantares em diferentes níveis e figuras diferentes, desde os violentos cártagos, passando pela Legião dos Escorpiões até os lendários manarcus-na-farris. Os apocs são meus preferidos, mas me arrepiei com os Durfeins!

Não se preocupem com os nomes, locais e toda a mitologia de Meigan. As autoras souberam como apresentar tudo aos poucos e sem complicações. No decorrer das páginas o leitor fica por dentro de tudo que é importante em Meigan, como as nomenclaturas, cargos, mantares - de forma natural e espontânea.

As últimas 100 páginas são muito empolgantes, eu não queria deixar o livro de lado para tratar de meus afazeres cotidianos. Os últimos capítulos são frenéticos, imprevisíveis e o final deixa o leitor satisfeito de ter lido uma obra de Fantasia legítima, criativa, original, empolgante e tão bem estruturada e ao mesmo tempo, impossível não tentar imaginar as diversas possibilidades de como será a continuação. Estou pensando nisso até agora e desejo com todas as minhas forças que seja publicada muito em breve!
Estou ansiosamente aguardando pela graphic novel e pela continuação. Este é o melhor livro de Fantasia épica nacional lido por mim!

Bônus:
Está sendo produzida uma graphic novel de Contos de Meigan. Não será uma adaptação do livro Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos e sim uma história diferente, mas passada em Meigan, claro!
A HQ será composta por contos já divulgados aqui. Não sei se todos os contos dos Guardiões irão compor a HQ, mas de qualquer forma, recomendo a leitura de cada conto. Vejam também a ilustração de cada Guardião, imperdível!
Abaixo, uma pré-visualização da primeira páginas da história Amigos de Infância, que mostra um pouco do passado do Sétimo Guardião:

Arte: Fabio Nahon; cores: Andre Ciderfao.
Mapa geral e básico de Meigan:



Glossário básico de Meigan:
Clique aqui.

Booktrailer:




Arte completa:



As autoras:

Roberta Spindler nasceu em Belém do Pará, em 1985. Graduada em publicidade, trabalha como editora de vídeos. Escreve desde a adolescência e é apaixonada por literatura fantástica. Publicou nas antologias Psyvamp e Deuses, (ambas da Infinitum, 2011), Tratado Secreto de Magia – Vol. II (Andross, 2011), Meu Amor é um Mito (Draco, 2012) e Angelus - Histórias Fantásticas de Anjos (Literata, 2012). É autora de Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos (Dracaena, 2011).
Twitter.


Oriana Comesanha tem 25 anos, nasceu em Belém do Pará. É formada em psicologia pela Universidade Federal do Pará e trabalha na área de psicologia jurídica. Começou a escrever ainda jovem, atividade que originou o livro Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos (Dracaena, 2011), e atualmente divide seu tempo entre a paixão pela profissão e pela literatura. Tem alguns contos ainda não publicados, além de publicações em sua área de interesse profissional. 
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