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22 de junho de 2012

Insanas... Elas Matam! de várias autoras, Editora Estronho

Insanas... Elas Matam!
Convidadas: Suzy M. Hekamiah, Carolina Mancini e Celly Borges
Selecionadas: Tatiana Ruiz, Sandra Franzoso, Roberta Nunes, Natalia Couto Azevedo, Laris Neal, Laila Ribeiro, Gisele G. Garcia, Georgette Silen, Débora Moraes, Bruna Caroline, Alma Kazur e Alícia Azevedo.
Prefácio: Ana Cristina Rodrigues - Organização: M. D. Amado
164 páginas - Ano: 2011 - Editora Estronho - R$32,00 por R$22,00

Sinopse:
"Insanas é uma antologia escrita somente por mãos femininas. Mas não se engane, pois aqui não terá espaço para textos sublimes, chick lit, conjecturas sobre o universo feminino e nem saudades da vovozinha que se foi. Aqui... Elas matam!
A antologia Insanas tirou dessas mulheres o que elas têm de mais cruel de dentro delas. Nem nos piores dias de TPM da sua namorada ou esposa você poderia imaginar tanta violência, descontrole e sadismo.
Textos recheados de crueldade, tortura, sangue, terror, sexo, sadismo, traição, ambição extrema, morte e muito mais. Tudo fruto dessas mentes cruéis. Elas produziram as mais insanas escritas e mostraram do que são capazes. Sexo frágil? Não... Elas podem ser cruéis quando querem."

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Conto a conto:
  • O Bem e O Mal - Sandra Franzoso;
  • Tinta Vermelho Sangue - Bruna Caroline;
  • A Última Oração - Tatiana Ruiz;
  • Do Inferno - Georgette Sillen;
  • A Fazenda - Alma Kazur;
  • Vítimas - Celly Borges;
  • Anita - Carolina Mancini;
  • O Relógio Perfeito - Natália Couto Azevedo;
  • Bianca - Gisele G. Garcia;
  • Desagravo - Laila Ribeiro;
  • Pecado Original - Roberta Nunes;
  • Quer Uma Torrada? - Débora Moraes;
  • Flor de Lis - Susy M. Hekamiah;
  • Memórias - Alícia Azevedo;
  • Amor Masoquista - Laris Neal.

Resenha:
Primeiramente, impossível deixar de ressaltar como achei fabulosa toda a arte do livro; não apenas a capa, mas todo o interior recheado de fotografias do mesmo ensaio, com essa mulher macabra. Entre um conto e outro, uma dessas fotos serve para o leitor pausar a leitura e se assustar ainda mais com o que de mais sombrio o ser humano pode ter. Nesse caso, as mulheres.
E um livro de terror e truculência escrito somente por mulheres atiça muito a atenção, pois geralmente a maioria das autoras prefere escrever histórias românticas e chick-lits. Mesmo a Literatura nacional já possuindo um excepcional time de escritoras de terror e fantasia, eu ainda não tinha visto um projeto de antologia inovador nesse sentido.

A fonte tem o tamanho ideal e a cor e textura das páginas não cansa a vista e torna a leitura relaxante (dentro do possível, já que as histórias são pesadas para os de corações fracos).
Todo conto possui palavras em destaque que juntas compõem o título dele, detalhe interessante.
Também gostei da fonte utilizada na sinopse, orelhas, informações do livro e no título de cada história.
Ótimo também o fato de existir informações básicas sobre as autoras antes de cada conto.
De todos os livros da Estronho que pude ter em mãos, este foi o que eu mais gostei do visual; está perfeito para o tema. A revisão também está boa e todo o livro de uma forma geral possui contos de excelente a bons. Como sempre ocorre nesse tipo de livro, escrito por diferentes mentes, os estilos e diferenças estão presentes e alguns contos agradam mais que outros, dependendo do gosto do leitor.

Porém aviso: este livro é para admiradores de histórias cruéis, sanguinárias, sádicas. Algumas são psicopatas, outras vingativas. Algumas das personagens são mais que insanas, são demoníacas, malvadas ao mais extremo e sombrio patamar. Umas conseguem passar despercebidas e estão integradas à sociedade. E outras sabem da existência de mundos paralelos ou sobrenaturais.
Um livro para quem não teme torturas, maldades e sangue, muito sangue.
TPM? Só se for "Tenho Prazer em Matar". Sexo frágil? Fragilidade apenas na aparência, pois em perspicácia, perversidade e sadismo, elas são fortes e muito perigosas... Elas enganam, mentem, torturam e... matam!
Gostei de procurar a motivação em cada insana para agirem dessa forma.

A antologia acerta em cheio no prefácio: Ana Cristina Rodrigues consegue com um breve, brilhante e direto texto nos adiantar que tipo de histórias iremos encontrar nas assustadoras páginas que se seguem. Instigante.

O primeiro conto é O Bem e O Mal de Sandra Franzoso e nos apresenta uma protagonista comum, uma mulher que poderia ser qualquer uma, com uma diferença: pequenas maldades, que parecem para ela inocentes, vão sendo realizadas aos poucos, com precisão e naturalidade. Da mesma forma como ela tem desejo de comer um doce, ela sente vontade de praticar o mal. A assassina e a aparente moça pacata convivem lado a lado. Um bom conto que serve como introdução ao que está por vir. E mais maldade está a caminho...

Bruna Caroline compôs uma escritora muito peculiar. Nos conta sua história e sua atração pela cor vermelha forte. Tinta Vermelho Sangue. De menina estudiosa à mulher escritora, uma obsessão jamais saiu de sua cabeça, até que finalmente a coloca em prática. Um conto simples, mas com uma ideia muito criativa.

Em A Última Oração, de Tatiana Ruiz, o sobrenatural está presente. Algo maligno, irreparável, impactante, inevitável. Este foi um dos contos que mais me agradou, tanto pela ambientação quanto pela escrita. Chocante e maligno. O nível de crueldade do livro subiu!

E sobe um pouco mais no conto da Georgette Silen: Do Inferno. Traz assassinatos arrepiantes e sanguinários, com direito a canibalismo e esquartejamentos e uma personagem famosa por seus assassínios.
Eu preferiria um final diferente, com uma revelação. O texto é incrivelmente bem escrito, mas existe o fator chave de as mulheres não serem as sanguinárias e sim as vítimas.

A próxima história, A Fazenda, que mistura passado e presente, rituais macabros à torturas e maldições. Uma família, uma fazenda e muito sangue. Tudo comandado por uma mulher vil e sádica. Uma família que encontra na repugnância da tortuosidade e angústia de vítimas indefesas um prazer; mais que isso, a busca por algo maior. Um conto bom e assustador de Alma Kazur.

O sexto conto é intitulado Vítimas, o que nos faz pensar nelas, não apenas nas insanas. Nesse conto, Celly Borges mostra o quanto é excelente em escrever histórias de terror. O mal assume uma inesperada forma feminina, que comanda um grupo excêntrico causando calamidade e angústia pavorosas. As vítimas estão presas num ambiente antes tão conhecido, porém agora mortal e inóspito e procuram simplesmente sobreviver ao terror. Uma insana cruel com suas vítimas.

Anita, nome do conto de Carolina Mancini e também de sua protagonista, é um dos mais intrigantes. Uma personagem complexa, indomável e muito sensual. A cada cena, uma nova face da personagem e uma nova e impactante atitude. Amaldiçoando ou controlando todos ao redor, ela é uma insana marcante.

Natália Couto Azevedo traz uma das histórias mais criativas da antologia. Em O Relógio Perfeito acompanhamos o vício pelo estudo e a obsessão pelo projeto do curso de medicina de uma moça introspectiva, porém dedicada. A ideia fixa torna-se loucura que gera uma teimosia sádica e o final é forte, apesar de previsível.

O nono conto é da escritora Gisele G. Garcia. Em Bianca, temos a mais vingativa de todas as insanas. Uma vingança que ultrapassa a normalidade, um thriller de horror e bem elaborado. Me lembrei do famoso ditado: vingança é um prato que se come frio, e no caso dessa história, com molho de sangue e pitadas de medo. E tem um fator sobrenatural.

Em Desagravo, Laila Ribeiro traz mais uma insana vingativa, mas num mundo totalmente fantástico, com uma mitologia que geraria um livro cheio de intrigas e disputas mágicas.
Traída e enraivecida, sem pertencer a um grupo específico, ela precisa tomar uma importante decisão e seguir o coração pode não ser o melhor caminho. Amor e ódio não andam juntos? Sim, e nesse caso, a tortura e castigo terrível também.

Roberta Nunes é a próxima e nos apresenta uma realidade paralela em Pecado Original. Não, aqui a culpada por colher o fruto proibido não foi a primeira mulher. Mas são as mulheres que punem os homens pelos pecados á Deusa, especialmente a sádica caçadora que apenas realiza seu trabalho. Um conto único.

Quer Uma Torrada? de Débora Moraes é simples, curto e direto. Mostra o cotidiano da protagonista e a forma casual como ela vai perdendo a cabeça e a noção do certo e errado. Simplesmente age por impulso, como se estivesse numa TPM louca, insana, demente e... sanguinária.

O próximo conto é Flor de Lis, poeticamente sombrio, saltando do belo para o horror. Susy M. Hekamiah nos traz uma história enfeitada com um cenário bucólico e a Era Vitoriana, sem deixar de lado o sangue e a dor.

A penúltima escritora a colocar uma insana em ação é a Alícia Azevedo, em Memórias. De inocente e ingênua menina à uma assassina sádica e cruel. Outra em busca de vingança e com sede de sangue, disfarçada de dócil dama. Gostei de todo o sangue derramado por ela. Excelente estrutura e narrativa.

O último conto foi o que menos me agradou, por ser carregado ao máximo de erotismo. Ou seja, não gosto de histórias explicitamente sexuais, embora exista o terror psicológico.
Em Amor Masoquista, Laris Neal mostra um relacionamento explosivo, doloroso e ao mesmo tempo cheio de amor, mesmo que inconvencional. A tortura aqui é psicológica e tão maldosa quanto a física.

Contos que mais gostei: A Última Oração,Vítimas, Anita, Desagravo e Memórias.

A arte completa:

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Booktrailer com a capa antiga:


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